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Melanie Brown/Unsplash
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Comportamento

Tocofobia: o medo extremo da gravidez e do parto

Para algumas mulheres essa fobia é tão grave que faz com que ela nunca engravide ou, se o fizer, decida até interromper a gravidez

Franziska Wadephul*, Catriona Jones**, Julie Jomeen***, The Conversation

O parto pode ser claramente uma perspectiva assustadora, e para as mulheres que ainda não deram à luz  é o grande desconhecido. Pesquisas sobre as preocupações e medos das mulheres neste momento da vida sugerem que muitas delas podem estar preocupadas com o risco de lesões ou complicações, dor, capacidade de dar à luz, perda de controle e interações com profissionais de saúde.

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E, mesmo as mulheres que já deram à luz outras vezes podem ter preocupações semelhantes – já que todo nascimento é diferente. Mas estas também podem ter algumas reservas específicas se tiverem passado por uma experiência difícil nos partos anteriores. Isso sugere que não é apenas normal que as mulheres estejam preocupadas ou ansiosas com o nascimento, mas que seria incomum se elas não estivessem.

Mas é claro que essa ansiedade sobre a hora do nascimento não é algo que acontece “do nada”. E, claro, isso varia de mulher para mulher sendo que existem aquelas pouco preocupadas as que desenvolveram uma verdadeira fobia quando ao parto. Para algumas mulheres, essa fobia – conhecida como tocofobia – é tão grave que ela nunca engravida ou, se o fizer, decida até interromper a gravidez.

Medo severo

Existem intervenções que podem ser eficazes para tocofobia grave. Mas as mulheres só se beneficiarão delas ao se sentirem capazes de revelar seu medo grave (e forem levadas a sério) – ou se os profissionais de saúde puderem identificá-las. Isso não requer apenas treinamento e maior conscientização sobre essa fobia, mas também ferramentas de triagem e caminhos de cuidados adequados que garantam que as mulheres recebam tratamento oportuno e apropriado.

Na Universidade de Hull, trabalhamos com serviços locais na última década para garantir que as mulheres com problemas de saúde mental perinatais recebam os cuidados e apoio de que precisam. Juntamente com profissionais de saúde mental, parteiras e auxiliares de saúde, estamos agora desenvolvendo um caminho para mulheres com tocofobia.

O impacto das redes sociais

Existem evidências de pesquisas de que as histórias negativas do parto de outras pessoas podem aumentar o medo de dar à luz para algumas mulheres. Mas, por outro lado, muitas mulheres acham útil falar sobre suas experiências. E pesquisas mostram que o apoio dos colegas e o compartilhamento de histórias sobre experiências desafiadoras podem ajudar a reduzir sentimentos de isolamento e fornecer validação.

“Não se trata de dizer às mulheres para “calarem a boca sobre o parto”, mas é importante estar atento ao impacto que a partilha pode ter sobre outras pessoas”

Claramente, há uma tensão aqui entre as necessidades desses dois grupos de mulheres – aquelas que acham terapêutico falar sobre suas experiências de nascimento e aquelas cujos medos podem ser aumentados pela leitura dessas histórias. Ao contrário de alguns relatos da mídia, não se trata de dizer às mulheres para “calarem a boca sobre o parto”, mas é importante estar atento ao impacto que a partilha pode ter sobre outras pessoas.

Há também a questão de que mulheres que compartilham experiências traumáticas de nascimento nas mídias sociais podem ter uma necessidade não atendida de apoio profissional – o que provavelmente seria uma maneira mais eficaz de ajudá-las a lidar com essas experiências.

O tratamento certo

Portanto, embora esteja claro que alguma ansiedade e preocupação com o nascimento é normal e esperado, também é importante que as mulheres com um medo do parto mais severo se sintam capazes de falar sobre suas preocupações – em vez de serem informadas de que é normal se preocupar e que tudo ficará bem. Isso é importante, porque as mulheres que experimentam um medo severo e esmagador do parto não ficarão tranquilizadas ao saber que todas ficam um pouco ansiosas. O que elas precisam é de cuidados e atendimento oportunos.

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Isso não sugere que toda mulher grávida que expresse alguma preocupação com o nascimento precise ser tratada como alguém que tenha medo de parto, embora mulheres grávidas com níveis de ansiedade elevados possam se beneficiar de intervenções, mesmo que não sofram de tocofobia. A ansiedade na gravidez tem sido associada a vários efeitos negativos em mães e bebês. E o diagnóstico precoce pode ser crucial para evitar que isso leve a problemas mais sérios.

Mas o mais importante é que todas as mulheres recebam cuidados e apoio adequados – incluindo mulheres que têm um forte medo de nascimento e aquelas que tiveram partos traumáticos. A prestação de cuidados de alta qualidade a todas as mulheres deve diminuir as chances de outras desenvolverem tocofobia após o primeiro filho e ajudar a reduzir a quantidade de histórias negativas sendo compartilhadas.

* Pesquisadora assistente na Universidade de Hull
** Pesquisadora sênior de saúde materna e reprodutiva na Universidade de Hull
*** Professora de obstetrícia e decana da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidade de Hull

Tradução de Janaína Imthurm.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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1 Comentário
  1. Eu teria prazer em fazer um Treinamento para uma Psicóloga interessada em como resolver questões Psicossomáticas, todas sem distinção, especialmente as Fobias, onde as pessoas mais sofrem. Existem questões comportamentais em que a Psicologia lida bem, mas na área Subconsciente é preciso técnica moderna para encontrar a Causa e resolver para sempre, sem quaisquer drogas ou medicação. É semelhante a alguém ter medo de uma sombra até perceber que é apenas uma sombra. Só poderiam entender por quê uma Mulher que nesta vida não teve Parto, mas poderá estar presa em muitas outras vidas passadas a algum fator reestimulativo ou de gatilho nos dias de Hoje. Este curso eu fiz em Londres, além dos estudos avançados. Que seja no mínimo como informativo de esperança.

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