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Pais e filhos

Por que muitas mulheres têm medo do parto normal e como a família pode ajudar

Estudar o assunto e contar com o apoio do parceiro, da família e de uma equipe especializada faz toda a diferença na hora do parto

Relatos traumáticos de outras mães, cenas exageradas em filmes ou novelas, falta de informação e até mesmo a própria experiência emocional familiar. Qualquer um desses fatores – ou a soma deles – pode ser o responsável por gerar ou potencializar um medo que está presente em grande parte das mulheres que sonham ser mães: o medo do parto.

As incertezas em torno desse momento são muitas e elas cercam, principalmente, a realidade do parto natural. A fisioterapeuta e doula Tamara Antochecen acompanha muitas mulheres durante a gestação e, segundo ela, os medos relacionados ao parto vão desde a intensidade das dores até a falta de confiança na própria capacidade de passar por essa hora tão esperada.

“Alimentar uma ansiedade e um estresse excessivo durante a gestação acaba prejudicando o trabalho de parto, por isso é fundamental que a mãe se prepare e busque o máximo de informação possível”, explica a doula.

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Acontece que, até certo ponto, esse medo é muito compreensível, afinal, é uma situação desconhecida, da qual a mulher só ouve falar por meio das experiências de outras pessoas. O problema é quando isso paralisa a mãe, fazendo com que ela viva uma gestação conturbada, com altos níveis de ansiedade e acabe optando por uma cesárea desnecessária motivada apenas pelo medo.

Números

O Brasil ocupa a segunda posição no ranking dos países com maior número de cesarianas do mundo. A determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que a taxa ideal de cesáreas para um país seja de 15%, mas segundo dados publicados em outubro de 2018 pela revista científica britânica The Lancet, essa é a opção de parto para cerca de 55,5% das gestantes brasileiras, ficando atrás somente da República Dominicana, com 58,1%.

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Há muitas situações nas quais a cesárea é extremamente necessária para salvar a vida do bebê ou da mãe – e é para isso que ela existe. Porém, ela também apresenta riscos e, por isso, o procedimento não deve ser feito demasiadamente.

“Pura falta de informação”

Para lidar com os medos que tinha do parto normal, a advogada Carina Auada, de 32 anos, procurou apoio profissional. “Busquei uma equipe que eu pudesse confiar de olhos fechados com obstetra, doula e pediatra. Preparar meu marido para esse momento também foi bem importante”, conta a mãe do pequeno Augusto, de onze meses.

Facebook/Carina Auada Coloniezi
Arquivo Pessoal/Carina Auada Coloniezi

Segundo Carina, seus maiores medos eram fruto de “pura falta de informação” e, por isso, estudar o assunto e contar com ajuda psicológica foi essencial. “Me preparei fisicamente e mentalmente. Fui descobrindo aos poucos que eu era capaz e sabia que eu daria o meu máximo”.

“Na hora do parto, as palavras de apoio do meu marido, da minha mãe, da minha médica e da minha doula também foram fundamentais. Simplesmente deixei meu corpo trabalhar e meu filho vir”, lembra a advogada. “Somos todas capazes e acho que todas as mulheres, sem exceção, merecem um parto digno, com respeito e uma equipe que entenda o momento de cada mulher”.

Questões emocionais

Os relatos ouvidos nos consultórios confirmam que grande porcentagem do trabalho de parto é psicológica, quem afirma é a psicóloga Gleice Justo. Segundo a especialista, muitas mulheres cresceram ouvindo que não são fortes, que não “dão conta” das coisas ou que não aguentam dor. E todas essas crenças limitantes, muitas vezes inconscientes, podem interferir na forma como essas gestantes irão lidar com o próprio parto.

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“Por isso, um passo importante para essa mãe é buscar fazer uma autoanálise de quais são as ‘pedrinhas no sapato’ que a incomodam emocionalmente”, explica Gleice. Fazendo essa reflexão e buscando ajuda para enfrentar e superar essas questões interiores, a mulher encontra forças para viver de forma mais leve o momento mais importante de sua vida.

Como a família pode ajudar?

Para Tamara, tanto o parceiro quanto as pessoas mais próximas da gestante podem ajudá-la nesse tempo de preparação seguindo essas regras de ouro:

– Nunca contar histórias tristes e traumáticas para a gestante.

– No final da gestação, nunca fazer perguntas do tipo: “Meu Deus, quando essa criança vai nascer?”, “essa criança não nasce nunca!”, “não vai passar da hora?”. “Essa pressão de querer saber quando a criança vai nascer é horrível”, afirma a doula. “O ideal é tentar apoiar, incentivar, perguntar se ela precisa que faça uma compra, limpe a casa, faça uma comida, esse tipo de apoio sim é importante”.

– E, claro, a participação do marido é fundamental. Ele deve se manter informado sobre todo o processo do parto, apoiar a gestante, incentivar, estar presente, participar do parto, se envolver e, inclusive, ajudar a afastar as pessoas que estejam atrapalhando ou fazendo mal para a mulher nessa fase.

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1 Comentário
  1. É muito cômodo para os médicos marcarem hora e aterrorizarem as gestantes em um momento de tanta fragilidade, essa cultura foi criada mas agora temos que acabar com ela, a dor existe, é natural e benéfica, tanto para mãe quanto para o bebê, mas depois que nasce é “como tirar com a mão”. Vocês conseguem!

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