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Laurenz Kleinheider/Unsplash
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Comportamento

Não consegue esquecer o que fizeram com você? Saiba como vencer o ressentimento e seguir em frente

Nutrir sentimentos negativos gera estresse, insônia e ainda influencia no desenvolvimento de doenças como gastrite, hipertensão, diabete e obesidade

Com o casamento marcado e a certeza de que havia encontrado o homem da sua vida, a assistente administrativa *Juliana Souza não acreditou quando o noivo começou a trata-la com frieza, evitar encontros a dois e deixá-la sozinha enquanto ele saía com amigos. “Teve até um dia que fui dar um beijo nele e ele virou o rosto dizendo que estava ocupado. Aquilo me magoou muito”, conta a paranaense. “Estávamos juntos há cinco anos, mas começamos a brigar com frequência e cada situação me marcava de forma negativa”.

Só que a jovem de 25 anos não conseguia terminar o noivado, então “guardava” os sentimentos ruins que o relacionamento trazia e sofria ao lembrar das atitudes do companheiro, mesmo quando estava longe dele. “Comecei a ter crises de ansiedade, insônia, alterações na frequência cardíaca, e fiquei bem preocupada com tudo aquilo”.

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De acordo com a doutoranda em psicologia clínica Patricia Santiago, os sintomas citados pela paciente ocorrem quando há dificuldade para lidar com sentimentos ruins causados por membros do círculo familiar, amigos ou colegas de trabalho. “Principalmente porque, nesses casos, há o luto das nossas expectativas de ser bem tratado, querido ou bem visto”. Assim, a autoestima do indivíduo é impactada negativamente e ele vivencia a mesma tristeza ou raiva diversas vezes. “É o que chamamos de ressentimento, ou seja, repetir esses sentimentos dolorosos e viver cada um deles novamente”, explica a especialista.

“É o que chamamos de ressentimento, ou seja, repetir esses sentimentos dolorosos e viver cada um deles novamente”.

Além de gerar estresse e ansiedade, lembrar com frequência desses fatos negativos prejudica a saúde física ao influenciar no desenvolvimento de doenças como gastrite, hipertensão, diabete, obesidade e até câncer. “Sem contar que, quando a pessoa está triste, há queda na quantidade de hormônios do bem-estar e o sistema de recompensa do organismo [que processa sensações de prazer e satisfação] pode apresentar disfunções”, informa a especialista. Em longo prazo, inclusive, o cérebro pode não voltar ao estado original e comprometer a produção dos hormônios do bem-estar. “O resultado será depressão”, alerta.

Como lidar com o ressentimento?

Por isso, a psicóloga garante que é necessário estar atento aos sentimentos negativos e agir para vencê-los. O primeiro passo, de acordo com ela, é entender que ninguém consegue controlar tudo o que ocorre ao seu redor, mas pode administrar as lembranças que lhe causem dor. “Ter ressentimentos é ser vítima por escolha própria e sofrer mesmo quando a pessoa que causou aquele mau não está perto”, aponta. “Então, é importante enfrentar isso e decidir não viver mais como vítima”.

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E a melhor maneira é redirecionando o pensamento para situações agradáveis assim que os sentimentos dolorosos aparecerem. “É uma técnica que chamamos de desfocalização”, explica a doutoranda, que também orienta o indivíduo a falar a respeito das lembranças que incomodam. “Sentimentos são subjetivos e não dá para organizá-los da forma como fazemos com nossa escrivaninha, separando os objetos e colocando de um lado para o outro. Então, falar é a melhor forma de o cérebro se organizar”, orienta Patricia.

Além disso, é necessário apresentar boa inteligência emocional para perceber quais sentimentos voltam à memória trazendo incômodo e saber como lidar com eles. “Então, se o trauma for muito doloroso ou você perceber que está com dificuldade, procure ajuda psicológica”, orienta a especialista, que atende *Juliana desde o início de setembro e a acompanhou durante o processo de superação.

“Com o tratamento, consegui me desligar daquela pessoa que me fazia sofrer, minha saúde melhorou e decidi seguir em frente”, relata a jovem. “Hoje posso dizer que deixei o ressentimento para trás e lembro de tudo o que aconteceu sem sentir nenhuma dor”.

*Juliana é um nome fictício, pois a assistente administrativa de 25 anos preferiu não se identificar.

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