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Pais e filhos

Presença do pai é importante sempre, mas nos primeiros 1000 dias do bebê é fundamental

A ligação positiva com o pai está associada a um alto índice educacional, maior autoestima especialmente entre as meninas e menores taxas de machismo entre os meninos

Linda M. Richter* e Tawanda Makusha**, The Conversation

Os primeiros mil dias na vida de uma criança são cruciais. Durante esse período, as bases para a saúde, para o crescimento cerebral e o desenvolvimento físico estão sendo criadas. Ao mesmo tempo, as mães também passam por mudanças emocionais e físicas.

A África do Sul avançou grandes passos ao priorizar esses primeiros mil dias desde que adotou a National Integrated Early Childhood Development Policy, em 2015. O país criou uma série de iniciativas que focam em melhorar a saúde de mães e crianças recém-nascidas. Mas há um fator importante que falta nessas ações: o papel que os pais precisam desempenhar, especialmente durante o início da vida de seus filhos.

4 presentes que o pai precisa dar ao filho

Com a colaboração de outras universidades e de organizações sociais, nós temos realizado estudos sobre paternidade desde 2003. E nossas pesquisas descobriram que “pai” não é apenas um termo que designa uma conexão biológica. Muitas vezes os pais também podem ser outros homens importantes na vida da criança: um avô, um tio, um padrasto, um professor ou um pastor.

Apenas 36% das crianças na África do Sul vivem com um pai biológico. Apesar disso, nossa pesquisa demonstra que a maioria dos homens quer estar envolvida no crescimento de seus filhos, mesmo que eles morem longe ou que sejam muito pobres para apoiar as crianças tanto quanto gostariam. Ter um pai envolvido e engajado beneficia todo mundo: a criança, a mãe, e o próprio pai.

A ciência define a importância do pai

Há evidências de que homens experimentam mudanças hormonais se estiverem envolvidos na gravidez da parceira. Os níveis de testosterona diminuem e começam a sincronizar com os níveis hormonais das mães. Isso faz com que homens se tornem menos agressivos, mais envolvidos e protetivos.

O pai também pode ter um papel importante ao prover apoio emocional e prático à mãe, encorajando atitudes saudáveis que influenciam indiretamente a gravidez e o desenvolvimento do bebê. Isso está associado ao nascimento da criança com peso saudável e a menores taxas de parto prematuro. Por exemplo, o envolvimento paternal durante a gravidez pode fazer com que as mães busquem tratamento pré-natal mais cedo, também melhora a sua alimentação e as motiva a evitar álcool, drogas e cigarros.

A ligação positiva com o pai está associada a um alto índice educacional, maior autoestima especialmente entre as meninas e menores taxas de machismo entre os meninos.

Mas os pais também são importantes no período logo após o nascimento da criança. Estudos mostram que eles influenciam em decisões vitais como: se as mulheres amamentam, durante quanto tempo elas amamentam e como registram o nascimento do filho. Os pais presentes durante a gravidez e nos primeiros dias de vida da criança são mais propensos a seguir envolvidos por toda a vida do filho e a dividir cuidados e responsabilidades com a mãe.

Quando há envolvimento dos pais, outros também se beneficiam. Pesquisas mostram que esse envolvimento está ligado a uma grande satisfação maternal e a baixos índices de depressão pós-parto. E, crucialmente, a ligação positiva com o pai está associada a um alto índice educacional, maior autoestima especialmente entre as meninas e menores taxas de machismo entre os meninos.

Empecilhos

No entanto, existem algumas barreiras que impedem o envolvimento paternal nos primeiros mil dias. E essas barreiras ocorrem em diversos níveis: individual, familiar, social, institucional e política. A principal barreira é a alta taxa de filhos vivendo longe de seus pais, principalmente por causa do desemprego e da pobreza. Outras razões são conflito familiar, trabalho incerto e prisão. Em alguns casos, pode ser o divórcio.

Na África do Sul, fatores sociais como a alta taxa de mortalidade masculina devido à violência e ao HIV também influenciam. Práticas culturais como pagamentos relacionados ao inhlawulo (o reconhecimento da paternidade e a permissão para que o homem faça parte da vida da criança mesmo que não seja casado com a mãe) e lobola – o valor em dinheiro de uma noiva – podem afastar pais que desejam participar da vida de seus filhos mas que são pobres.

Preconceitos sobre homens na África do Sul também são uma grande barreira. Estereótipos comuns incluem homens ausentes, insensíveis, violentos e machistas. Outro fator é que serviços de saúde, especialmente durante a gravidez e a infância, focam apenas em mulheres, já que elas são consideradas as principais responsáveis pela criança. Esses lugares raramente incluem homens.

Possíveis soluções

A África do Sul precisa de estratégias para efetivamente alcançar os pais. Todavia, mensagens, intervenções e outros serviços que motivem homens ao envolvimento precisam ser pensados para grupos específicos de pais. Por exemplo, pais jovens, ainda na escola, precisam de apoio para reconhecer a paternidade e negociar o envolvimento com a família da parceira.

Homens pobres incapazes de financiar seus filhos precisam ter certeza de que as crianças valorizam sua presença e seu interesse tanto quanto qualquer valor material. Postos de saúde precisam ser mais focados na família inteira, não apenas na mãe e na criança.

A importância do pai na vida dos filhos

Programas devem ser pensados para facilitar trabalho e responsabilidade familiar. Isso pode ocorrer promovendo relações igualitárias entre mães e pais. Países que envolvem o pai na gravidez e no início da infância, e permitem licença do trabalho, como a Suécia, mostram os benefícios de ter pais presentes.

A promoção pelas mídias sociais, as propagandas com mensagens positivas sobre paternidade em outdoors e a implementação de serviços que conscientizem homens nos lugares que eles frequentam, como jogos de futebol e lava-carros, podem ser formas efetivas para ajudar na questão.

* Diretora do Centro de Excelência em Desenvolvimento Humano da Universidade de Witwatersrand.
** Especialista Sênior de Pesquisa no Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas.

Tradução de André Luiz Costa.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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