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Comportamento

Como os smartphones mudaram o tempo em família

Uma pesquisa recente mostrou que as crianças têm ficado mais tempo em casa, mas que a qualidade do tempo em família tem diminuído

Stella Chatzitheochari* e Killian Mullan**, The Conversation

Atualmente, existe uma preocupação considerável sobre o tempo que as crianças passam olhando uma tela e as implicações que isso pode ter na saúde.

A causa dessas preocupações também está nas mudanças interacionais que a tecnologia promove. Sherry Turkle, uma professora de estudos sociais, cunhou o famoso termo “sozinho acompanhado”, que também serve de título para o seu livro. “Sozinho acompanhado” captura essa ideia de passar o tempo com dispositivos tecnológicos, ignorando quem está fisicamente próximo.

Muitas pessoas acreditam que essas mudanças tecnológicas impactaram também o tempo que as famílias passam juntas. No entanto, até hoje poucos estudos foram realizados na área.

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A nossa pesquisa mais recente tenta mudar isso, mostrando o primeiro insight de como a tecnologia tem impactado a forma como as famílias passam o tempo. Para fazer isso, analisamos o tempo diário de pais e filhos (entre 8 e 16 anos) no ano 2000 e depois novamente em 2015 – período que testemunhou rápida mudança tecnológica.

Mais tempo sozinho em casa

Contrário às expectativas, descobrimos que as crianças passaram mais tempo com seus pais em 2015 do que em 2000. Isso equivale a pouco mais de meia hora extra por dia (347 minutos por dia em 2000 e 379 minutos em 2015). E todo esse tempo extra passado com os pais foi em casa.

Essa é uma descoberta surpreendente. Mas, analisando melhor, descobrimos que as crianças afirmaram estarem “sozinhas” durante esse tempo adicional com seus pais. Nesse sentido, o tempo “sozinho acompanhado” aumentou.

Nossa análise também mostrou algumas pequenas mudanças no tempo passado em atividades familiares, com as famílias passando menos tempo na frente da televisão e mais tempo em atividades de lazer ou em refeições. Mas, no geral, o tempo que passam juntos permaneceu o mesmo.

Quantidade de tempo ou tempo de qualidade: do que seus filhos mais precisam?

Nossos dados mostram que o uso de smartphones atravessa todos os aspectos do tempo em família. Descobrimos que adultos e crianças passam a mesma quantidade de tempo (em torno de 90 minutos) usando dispositivos tecnológicos quando estão juntos.

Esses padrões se encontram particularmente entre jovens dos 14 aos 16 anos. Eles passaram em torno de uma hora a mais em casa “sozinhos” com seus pais em 2015 do que em 2000.

O tempo de qualidade acabou?

Os acadêmicos já perceberam a capacidade que a tecnologia tem de aproximar a família. E mesmo que nossa pesquisa indique que esse pode mesmo ser o caso, esse aumento de tempo em casa está associado a outras questões, tipo a preocupação dos pais pela segurança de seus filhos. Pesquisas nos Estados Unidos também mostram o mesmo quadro – com adolescentes passando menos tempo na rua longe de seus pais.

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Existem evidências de que a simples presença de um smartphone afeta negativamente as interações pessoais. Isso pode explicar a sensação dos pais de que a qualidade do tempo em família tem diminuído.

De fato, descobrimos que tanto os adultos quanto as crianças utilizam smartphones durante refeições e outras atividades. Então, mesmo que esse seja um tempo relativamente curto, pode afetar sim a qualidade do tempo.

No entanto, em alguns casos é possível que o smartphone complemente a interação familiar. Se, por exemplo, os membros o utilizarem para conversas em vídeo ou para jogar jogos em grupo. E mais pesquisas sobre o uso e o conteúdo de smartphones são agora necessárias para ajudar a determinar seu impacto total na vida cotidiana e ir além das suposições negativas comuns.

O que está claro é que, embora o tempo “sozinho acompanhado” esteja maior, significando que as famílias passam mais tempo em casa, isso não torna esse tempo qualitativo.

*Professora de Sociologia, Universidade de Warwick
**Professor de Sociologia e Política, Universidade de Aston

Tradução de André Luiz Costa.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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