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Anglicanos e católicos lançam app que facilita ações concretas contra a escravidão

  • Por Felipe Koller
  • 21/06/2018 10:09
Foto: The Clewer Initiative
Foto: The Clewer Initiative| Foto:

Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas vivam hoje em situação de escravidão em todo o mundo, principalmente na África, no Leste Europeu, no sul da Ásia e no noroeste da América do Sul. Mas mesmo nas regiões mais desenvolvidas do mundo essa situação continua ameaçando as pessoas mais vulneráveis: no Reino Unido, é possível que o número de pessoas que trabalham em condições análogas à escravidão chegue às dezenas de milhares, em setores como a construção civil, a hotelaria, a agricultura e a prostituição.

Foi por isso que The Clewer Initiative, um projeto da Igreja Anglicana, unindo forças com o Grupo Santa Marta, encontrou uma maneira criativa de combater a escravidão moderna e conscientizar a população: através de um aplicativo. O Grupo Santa Marta é um projeto que une bispos católicos e chefes de polícia no combate ao tráfico humano e à escravidão moderna, presidido pelo arcebispo de Westminster, o cardeal Vincent Nichols.

O projeto se foca nas empresas de lava-car, um setor particularmente vulnerável ao uso de mão de obra escrava. O aplicativo Safe Car Wash ajuda os seus usuários a identificar e denunciar situações de escravidão. Em todo o Reino Unido estão em operação cerca de 10 a 20 mil estabelecimentos de lava-car. O aplicativo sugere algumas perguntas baseadas em indicadores de condições de exploração, que o usuário responde anonimamente. As questões abordam desde o uso de equipamentos de trabalho adequados e o preço pago pelo serviço até comportamentos como atitude retraída e falta de contato visual.

O cardeal Vincent Nichols e o arcebispo de Canterbury, primaz da Comunhão Anglicana, Justin Welby, em novembro de 2016. Foto: Diocese de Westminster. O cardeal Vincent Nichols e o arcebispo de Canterbury, primaz da Comunhão Anglicana, Justin Welby, em novembro de 2016. Foto: Diocese de Westminster.

O jesuíta escocês David Stewart, que trabalha em Londres e contribui com a revista America, testou o aplicativo ao levar o carro da comunidade para ser lavado. “Os homens que lavavam as rodas e as laterais do carro não usavam luvas de proteção nem calçados apropriados; todos usavam tênis molhados e jeans azuis úmidos e baratos. Contei 11 homens trabalhando e ao menos dois não tinham mais do que 15 anos. O produto de limpeza que eles usavam tinha uma cor rosa forte e escura e certamente seria prejudicial à pele ao longo de um dia inteiro”, relata ele.

“Todos eles pareciam ser do Leste Europeu, provavelmente da Bulgária, Romênia ou Albânia. Perguntei a um deles de onde veio e ele imediatamente fugiu para um pequeno abrigo. Não o vi mais durante minha visita. O serviço custou 1,50 libra [cerca de R$ 7,50]. Mesmo o mais simples cálculo aponta que o que cada trabalhador ganha, se ganha, é uma quantia minúscula”, conta Stewart, que submeteu as suas observações ao aplicativo. “Coincidência ou não, quando passei por lá alguns dias depois, o lava-car estava fechado”, diz.

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