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Felipe Koller

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Não se engane com esse rostinho: essa freira dá trabalho para os traficantes de mulheres

A irmã Eugenia Bonetti viaja o mundo, conversa com líderes e se aproxima de prostitutas na sua luta contra o tráfico de pessoas.

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Quem vê a irmã Eugenia Bonetti, uma religiosa católica italiana do Instituto das Missionárias da Consolata, com seu hábito cinza e um sorriso no rosto cheio de rugas, pode correr o risco de subestimá-la. Irmã Eugenia já foi galardoada com prêmios como o Prêmio Internacional Mulheres de Coragem, conferido pelo Departamento de Estado norte-americano (2007), e o Prêmio Cidadãos Europeus, da União Europeia (2013). Isso porque a religiosa é referência mundial quando o assunto é o tráfico de pessoas.

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Irmã Eugenia viaja o mundo inteiro dando conferências e conversando com presidentes e primeiros-ministros sobre o assunto. Ela preside o organismo da União Italiana dos Superiores Maiores que luta contra o tráfico humano. Mas se você está pensando que o trabalho dela acontece apenas entre aeroportos e escritórios, está enganado.

A religiosa assumiu essa batalha quando voltou à Itália em 1993, sendo designada para trabalhar em Turim, depois de 24 anos como missionária no Quênia. “Quando voltei, vi as mulheres que encontrei na África – que eram cheias de vida, alegria e desejo de viver – vivendo nas ruas”, conta ao jornal Crux.

“Entre 2015 e 2016, quase 15 mil nigerianas desembarcaram na Itália. Onde elas estão? Nas nossas ruas”, diz. Segundo dados do governo italiano, cerca de 50 a 70 mil mulheres na Itália são vítimas do tráfico humano, forçadas a se prostituir por valores pífios que chegam a 30 reais.

“No começo, eu também pensava que elas estão nas ruas porque querem, porque querem ganhar dinheiro. Isso não é verdade! Elas estão ali porque alguém as colocou ali. Porque alguém lucra colocando elas ali. E alguém lucrou explorando-as, usando-as e depois jogando-as de novo na rua”, diz a irmã. “Há um mundo inteiro de pessoas que lucram sobre a pele, a vida e a juventude dessas mulheres – muitas delas menores de idade”.

Imersão

Foi aí que ela começou o que chama de sua “imersão na vida da noite e das ruas”, para “quebrar as terríveis cadeias em que essas mulheres estão acorrentadas”. Todo sábado, ela e outras religiosas visitam o centro de acolhida de imigrantes que há na periferia de Roma – cidade onde a irmã está desde 2000. É ali que jovens estrangeiras acabam se tornando presas fáceis de traficantes, enquanto esperam por vistos de trabalho e passaportes.

Um dia, uma mulher de 19 anos lhe contou que teve mais de uma dúzia de clientes em apenas uma noite. “Pensei comigo mesma: ‘Eugenia, mais de 12 estupros!’ Precisamos fazer tudo o que for possível para devolver a dignidade a essas mulheres. Quanta violência elas enfrentam todo dia! Toda noite! Quantas são mortas e ninguém faz nada!”, conta a religiosa. “Somos responsáveis. Somos criminosos. Deveríamos realmente ser condenados à prisão perpétua!”

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O trabalho levou irmã Eugênia a criar, quando se mudou para Roma, uma rede de mais de 200 religiosas de diversas congregações para combater o tráfico de pessoas. Desde então, mais de 6 mil mulheres foram salvas pela rede. O projeto foi replicado em outros países, dando origem à Rede Internacional da Vida Consagrada Contra o Tráfico de Pessoas, também chamada de Talitha Kum – “Menina, levanta-te!”, as palavras que Jesus dirigiu à filha de Jairo ao ressuscitá-la.

Nessa missão, ela já sentou com figuras como o papa Francisco e o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush para discutir linhas de ação. Ela até mesmo pediu ao papa a criação de um Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, que seria celebrado no dia 8 de fevereiro – data dedicada a Santa Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa que acabou se tornando cristã e religiosa na Itália.

Enquanto isso, continua o trabalho na periferia de Roma. Com a sua experiência, as religiosas conseguem conversar com as jovens em suas próprias línguas. “Qualquer uma pode se aproximar delas e conversar com elas, para ter uma palavra, um abraço, um consolo, para que elas verdadeiramente não se sintam sozinhas”, conta irmã Eugenia. “Estar ali e sofrer com elas e por elas, mesmo se não muda nada, oferece um testemunho”.

Uma madre superiora um dia ficou curiosa para saber o que um grupo de freiras pode fazer para resolver esse problema com uma visita por semana. Uma irmã respondeu: “Lá nós fazemos o que Maria fez diante da cruz. Ela não podia mudar o que estava acontecendo, mas ela estava ali para morrer com Ele”.

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