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Pais e filhos

Salvar uma ou perder as duas: a terrível decisão de um pai de gêmeas siamesas

Ibrahima Ndiaye, de 50 anos, buscou ajuda em diversos países para salvar as duas filhas, mas não há cirurgia que garanta a sobrevivência das meninas

O que um pai faria ao descobrir que, para salvar uma de suas filhas, a outra precisaria morrer? Este dilema terrível acompanha o gerente de turismo Ibrahima Ndiaye desde 2017, quando descobriu que perderia uma de suas pequenas durante a cirurgia de separação para gêmeas siamesas. Com três anos de idade, Marieme e Ndeye compartilham órgãos como bexiga, fígado e rins. Além disso, o sistema digestivo das garotas está unido, elas controlam o mesmo braço e uma delas ainda apresenta o coração extremamente frágil. E esse é o fator mais preocupante.

Grávida de trigêmeos toma difícil decisão para não perder o bebê mais frágil

A condição cardíaca de Marieme coloca sua vida em risco diariamente e a morte repentina da garota também pode levar a irmã à óbito. Por isso, o pai precisaria submeter as meninas à cirurgia de separação para salvar uma delas e evitar a morte das duas. “Como eu poderia fazer essa escolha?”, questionou o pai em um documentário lançado pela BBC no início deste mês.

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A história do pai foi retratada em um documentário. Foto: Reprodução/BBC

O longa-metragem The Conjoined Twins: An Impossible Decision – As gêmeas siamesas: uma decisão impossível, em português – foi lançado na Inglaterra para contar a história de Ibrahima e mostra como o morador do Senegal deixou tudo para trás na tentativa de buscar uma nova chance para as meninas. “Ao me mudar para o Reino Unido, perdi minha carreira, minha casa, minha vida, meus amigos”, relatou à BBC. “Mas fiz isso por vontade própria, para dar vida a elas”.

Segundo o pai, durante toda a gravidez os médicos senegaleses garantiram que sua esposa esperava um único bebê e que a gestação estava normal. Por isso, a família não procurou nenhum tratamento diferenciado e só ficou sabendo da real situação após o parto, em maio de 2016. Inclusive, “os médicos levaram a bebê rapidamente, dizendo que estava tudo bem”, recorda Ibrahima, que foi chamado para uma conversa com o especialista responsável horas depois. “Ele falou para eu me sentar e disse: ‘precisamos falar das gêmeas’.”

“Ao me mudar para o Reino Unido, perdi minha carreira, minha casa, minha vida, meus amigos”, relatou à BBC. “Mas fiz isso por vontade própria, para dar vida a elas”. 

Ao descobrir que tinha duas filhas e que elas eram gêmeas siamesas, o pai entrou em desespero. “Mal conseguia falar, só chorava”, afirma o homem, no documentário. Além disso, a expectativa de vida apresentada pelos médicos era de apenas algumas semanas, mas as garotas de 3,8 kg surpreenderam a medicina, lutando pela vida.

A difícil decisão

Infelizmente, não havia chance de salvá-las em seu país, então Ibrahima usou o conhecimento de idiomas que tem devido à profissão na área turística para ir em busca de especialistas da Bélgica, Alemanha, Zimbábue, No  ruega, Suécia, França, Estados Unidos e Inglaterra. E o único que lhe respondeu foi o médico Paolo De Coppi, do hospital infantil Great Ormond Street, em Londres. Essa instituição já contava com 30 casos de sucesso na separação de gêmeas siamesas e aceitou verificar a situação das garotas africanas.

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As meninas estão com três anos e se divertem com o pai. Foto: Reprodução/BBC

Para isso, a família reuniu todos os recursos que conseguiu e se mudou para o Reino Unido em janeiro de 2017 para iniciar uma série de exames e lutar contra o tempo. Em alguns meses o dinheiro acabou, a esposa e os outros filhos precisaram voltar ao Senegal e o pai ficou sozinho para lidar com a notícia. O médico “me disse que não podemos fazer a separação sem perder Marieme. A luz, a esperança, a expectativa – de repente, isso desapareceu”, disse à BBC.

Ao perceber que não havia outra alternativa, o senegalês contou com o apoio do Comitê de Ética do hospital para tomar a difícil decisão: não autorizar a cirurgia. “Matar uma delas pela outra é algo que simplesmente não posso fazer”, afirmou o pai, que hoje vive com as gêmeas de três anos em um albergue na cidade inglesa de Cardiff.

“Matar uma delas pela outra é algo que simplesmente não posso fazer”, afirmou o pai.

Segundo ele, as meninas “conversam, riem juntas, batem palmas, brincam, discutem e disputam os brinquedos”. Além disso, crescem felizes e aproveitam o tempo de vida que têm ao lado do pai. “Decidi não focar no que pode ou vai acontecer amanhã. Estou tentando apenas cuidar delas e fazer com que sejam muito felizes”, garantiu à BBC.

 

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