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Pais e filhos

Como tornar a volta ao trabalho após licença-maternidade menos traumática para mãe e filho

Medo, insegurança e culpa são alguns dos sentimentos que a mãe sente ao ter que deixar o filho sob os cuidados de outra pessoa

A difícil decisão de voltar ao trabalho após a licença-maternidade ou quando o filho ainda é pequeno deixa muitas mães angustiadas. O nascimento de um filho é um marco na vida da mulher e traz grandes expectativas e exige dedicação. Por isso, quando a mãe precisa voltar ao trabalho, várias questionamentos surgem como “vou perder momentos da vida do meu filho”, “como deixar ele doente e ir trabalhar?”, “se ele e machucar, não vou estar lá pra cuidar”, “será que estou sendo uma boa mãe?”, “e quando ele quiser mamar no peito?”.

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Uma mistura de sentimentos aflora e inclui culpa, preocupação, nervosismo, solidão, medo e um vazio pela redução nos cuidados devido ao tempo da jornada de trabalho. “Acaba surgindo uma ansiedade de separação nos momentos em que é necessário deixar o bebê com outra pessoa”, comenta a psicóloga Jessica Ercole Pereira. “E até um certo ponto essa ansiedade é normal. Mas quando dura mais do que o esperado e atrapalha ou até impossibilita a mãe de realizar suas atividades diárias é considerada patológica”, observa a especialista

Além disso, a ansiedade materna também prejudica a autonomia e a confiança da criança, podendo causar sintomas como choro excessivo, dores de cabeça, náuseas, taquicardia e até vômito nos momentos de separação. A psicopedagoga Marta Viviane Wodonos aponta que, nessas situações, algumas crianças apresentam até ataques de raiva, tristeza, apatia e isolamento social, fora o medo de nunca mais reencontrar os pais ou que aconteça algo ruim com elas ou com os familiares.

Para lidar com isso, o recomendado é sempre falar a verdade para a criança, tornar as despedidas leves e naturais, e ressaltar os pontos positivos da escola. Se for necessário, Jessica indica o trabalho de um psicólogo escolar que está apto a desenvolver estratégias junto aos professores e a família, para minimizar os sentimentos que afetam as mães e os filhos e ajudar a estabelecer a confiança nos educadores.

Evitar comparações ajuda a diminuir o sentimento de culpa

A culpa é o principal sentimento que fere a mãe na volta ao trabalho. Aliás, ela e a maternidade andam juntas – especialmente quando as expectativas são frustradas por não conseguir oferecer o que seria o considerado ideal para os filhos. Sem espaço para falar dos seus problemas, a mãe é “soterrada psiquicamente pelo excesso de responsabilidades.

“Todas sentem, mas ninguém fala sobre”, afirma Marta. A psicopedagoga ressalta que a ideia de que a mulher deve dar conta de tudo e com perfeição é outra fonte de culpa que acaba adoecendo as mães. “Mas a culpa não é de toda negativa. Ela é expressão de uma maturidade psíquica e emocional e faz parte da vida de quem zela pelos filhos”, declara. Se este sentimento se aproximar, o ideal é avaliar a situação e tomar a decisão mais sensata naquele momento.

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Jessica salienta que estabelecer limites, evitar comparações com outras famílias, pedir ajuda quando necessário e aceitar que o possível está sendo feito ajuda a lidar melhor com a culpa. Cada família possui uma estrutura única, condições sociais, físicas e emocionais diferentes e o que é funcional em um caso, pode não ser para outro.

As especialistas dão algumas dicas para tornar a volta ao trabalho menos dolorosa e facilitar a adaptação da mãe e da criança a nova realidade:

– Separar um período para a adaptação escolar é importante para a criança se familiarizar aos poucos com o ambiente e a mãe se sentir mais segura ao deixar o filho na escola.

– É necessário entender que os professores têm grande importância no desenvolvimento e aprendizado da criança, mas jamais ocuparão o lugar e o papel dos pais. Por isso, a mãe não precisa ter medo de “perder” o seu posto.

– A mãe deve passar segurança para o filho e evitar demonstrar reações negativas.

– Pedir para que outra pessoa ajude a levar o filho para a escola contribui para superar a dificuldade da separação.

– Não fazer despedidas longas.

– Conversar com o psicólogo da escola sobre os sentimentos negativos e o sofrimento causado por estas mudanças ajuda no processo de adaptação.

Confiança na escola ajudou mãe a voltar ao trabalho após a licença-maternidade

A bancária Louyse Ingrid Irineu Rolim, de 32 anos, é mãe de Heitor, de três, e de Clara, de nove meses. Ambos foram para escola com sete meses e a adaptação deles foi tranquila. Quem sofreu mais foi Louyse, principalmente com o primogênito. Ela conta que se sentiu “a pior mãe do mundo por escolher trabalhar em vez de cuidar dele”.

Durante a licença-maternidade, Louyse chegou a cogitar a ideia de sair do trabalho e ficar em casa cuidando do filho, mas continuou na profissão. Quando voltou a trabalhar, ninguém podia perguntar nada sobre o bebê, pois era choro na certa.

Já com Clara, Louyse afirma que foi mais fácil, pois ela acompanhou o desenvolvimento do Heitor, viu como ele ganhou autonomia e independência e ela já confiava na escola. “Quando coloquei o Heitor na escola, eu saia na hora do almoço e chegava de surpresa pra ver como estava”, lembra a mãe. “Com a Clarinha já sabia como cuidavam. Quando buscava ela, percebia que gostava. Ela vai com as professoras e não chora, então aprendi a confiar”, destaca.

Uma das estratégias da bancária para facilitar a adaptação dela e dos filhos é ter eles sempre como prioridade. Se tiver que levar um deles ao médico ou recebe uma ligação da escola porque algo não vai bem, ela sai do trabalho e vai resolver a situação. “Eu trabalho pra eles terem uma qualidade de vida melhor e a escola é muito válida para o desenvolvimento deles”, acredita.

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