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Comportamento

Como a crença de que existe a pessoa perfeita pode atrapalhar as relações amorosas

Acreditar na pessoa ideal faz com que a possibilidade de desenvolver um relacionamento com quem tenha muitas qualidades, mas que não se encaixe na idealização da pessoa certa, seja baixa

Gery Karantzas*, The Conversation

Se você escuta canções de amor, sai com “alguém especial” ou mergulha em um romance novo, provavelmente pensa que o destino é encontrar a pessoa certa – a sua alma gêmea. Mas como saber se você encontrou essa pessoa? Os pássaros cantam? Fogos de artifício explodem? E aqueles que não encontraram o par ideal, devem seguir procurando ou essa é uma causa perdida?

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Pesquisas realizadas no decorrer de 20 anos sobre a ciência dos relacionamentos mostram que acreditar em destino – que encontraremos alguém para nos completar de todas as formas – pode ser problemático para nossa vida amorosa. Acreditar em destino afeta como avaliamos nossos possíveis parceiros e como permanecemos em relações decadentes. Para alguns, essa visão pode ainda incluir uma idealização de como essa pessoa deve ser.

Quais são os custos de acreditar que exista a pessoa perfeita?

Essa crença pode fazer com que alguém se feche para a possibilidade de desenvolver um relacionamento com quem tenha muitas qualidades mas que não se encaixe na idealização da pessoa certa. E ela pode estar mais propensa a focar nas falhas do outro, por exemplo, ao invés de prestar atenção em suas qualidades.

No entanto, você não pode buscar um relacionamento esperando que outro melhor apareça de repente. Mantendo esse tipo de pensamento, talvez você rejeite oportunidades reais de encontrar o amor. Para aqueles que estão em um relacionamento, acreditar em destino pode estar associado à satisfação, caso a relação se aproxime (mesmo que não perfeitamente) da idealização feita.

“Você não pode buscar um relacionamento esperando que outro melhor apareça de repente. Mantendo esse tipo de pensamento, talvez você rejeite oportunidades reais de encontrar o amor”

Caso o relacionamento não esteja de acordo com o ideal de destino, ou caso esteja frustrando esse modelo, pode haver insatisfação. Pesquisas sugerem que pessoas com essa mentalidade não trabalham tanto na evolução do namoro, por exemplo, porque elas têm uma ideia pronta de seu parceiro. Elas tendem a aceitar as coisas como são – tanto se for uma relação duradoura quanto se for uma relação curta – ao invés de empregar tempo e esforço para lidar com os problemas ou fazer com que o relacionamento funcione.

Mas, ao contrário de apenas acreditar em destino, algumas pessoas têm a visão de crescimento na relação. Isso inclui a crença e a expectativa de que o parceiro ou o relacionamento tem capacidade de mudar ao longo do tempo, e que problemas podem ser resolvidos. Pesquisas mostram que aqueles que buscam o crescimento passam por desafios e lidam melhor com dificuldades.

É possível ter dois pontos de vista à respeito dessa questão?

Algumas pessoas contam que conheceram seu parceiro e souberam imediatamente de que era a pessoa certa. Mas, quando descreveram a forma como seu relacionamento progrediu, ficou claro que se esforçaram e empregaram tempo para resolver problemas que eventualmente surgiram.

Essas pessoas podem acreditar em destino, mas, no fim das contas, acreditam mais na possibilidade de que um relacionamento possa evoluir. Esses casais geralmente mostram consciência de que seus parceiros e seus relacionamentos mudaram, por exemplo, e notam que se esforçaram para que as coisas evoluíssem. 

Então, se você trabalhar em seu relacionamento, e seu parceiro cooperar com a solução dos problemas, eventualmente vocês podem se conhecer tão bem e acreditar que dividem a mesma alma. Talvez esse seja o verdadeiro significado de alma gêmea.

 

* Professor Associado em Psicologia Social / Ciência do Relacionamento, na Universidade Deakin.

Tradução de André Luiz Costa.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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