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Virtudes e Valores

Por que é preciso ensinar às crianças que humildade não é uma fraqueza

O desenvolvimento e cultivo das virtudes – como a humildade – é um processo que dura toda a vida e pode ser iniciado já no primeiro ano da infância

É normal. Basta os filhos chegarem e uma série de preocupações e desejos para o futuro cerca os pais. A lista vai longe: que sejam bem desenvolvidos, educados, inteligentes, perseverantes, leais, honestos, generosos, disciplinados, responsáveis. São tantas virtudes que a maioria dos pais não sabe nem por onde começar. E existem muitas formas de ensinar e incentivar cada uma dessas capacidades, mas há algo comum em todas elas: exigem o respeito para com o próximo e, para isso, uma real noção de si mesmo que pode ser resumida na virtude da humildade.

Essa qualidade é quase que mal vista por muitos por passar uma falsa impressão de fraqueza. Na tentativa de mostrar aos filhos que eles podem ser corajosos e independentes, por exemplo, os pais correm o risco de, equivocadamente, ensinar as crianças que elas não precisam de ninguém ou que a vontade delas vem em primeiro lugar. A verdade é que a humildade nos faz mais fortes e ajuda a cultivar todas as outras virtudes.

E qual a importância de ensinar isso para as crianças? Segundo o professor de filosofia e ensino religioso Matheus Cedric, a criança começa a perceber que precisa do outro durante a constituição de sua própria identidade e só se compreende enquanto sujeito na medida em que percebe que os outros são diferentes dela. Então, já no primeiro ano da infância, a criança descobre que ela e a mãe, ela e o pai, ela e o universo não são uma coisa só. “Nesse mesmo processo ela percebe também que essas outras ‘coisas’ suprem necessidades que ela tem”, explica Cedric. Isso porque quando um bebê chora para mostrar que está com fome, por exemplo, ele percebe que é saciado por alguém e o mesmo acontece quando ele sente dor, sono, etc. Logo, ele compreende em pouco tempo que precisa dos outros para ser satisfeito em seus desejos.

Um processo aprendido

Para Cedric, é aí que começa o papel da educação afetiva por parte dos pais. É preciso ajudar a criança a desenvolver a consciência de que os outros satisfazem os seus desejos, mas que eles não existem para isso. Cada pessoa tem seus próprios desejos, sonhos, projetos e também precisa ser satisfeita em suas necessidades.

E o meio para ensinar isso é estabelecendo limites. “Limites de horários, de tempo, como o horário de comer, de dormir. Quanto mais a criança cresce, mais consciência ela tem de si e dos outros, e mais claras vão ficando essas normas”, orienta o professor. “Os pais podem mostrar que sim, o outro pode ajudar a me alimentar e cuidar de mim. No entanto, não a qualquer momento, não a qualquer hora, não de qualquer jeito, é preciso haver uma relação de correspondência”.

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Depois de estabelecer limites, normas, horários, é importante também explicar para a criança – de acordo com a sua capacidade de compreensão – que, além do outro ter necessidades, desejos e vontades, ela também precisa, muitas vezes, abrir mão daquilo que quer para estar aberta a servir os demais. “E aí começa o ensino ao serviço, à cooperação mútua e ao ser humilde”, afirma Cedric. “Reconhecer que eu preciso do outro é um processo quase que instintivo, natural. Agora, reconhecer que esse outro não existe para satisfazer o meu desejo é um processo aprendido. E daí vem a noção de virtude”.

Conhecer-se para servir 

Segundo o professor, por causa do nosso instinto de sobrevivência, a noção de egoísmo surge muito cedo em todos nós. A tendência do ser humano é buscar ter os seus desejos satisfeitos de forma imediata e em primeiro lugar para poder preservar sua vida, sem se preocupar com os outros. Por isso, para vivermos bem em sociedade, a educação e incentivo das virtudes é fundamental.

Para os pais, além de estabelecer limites, conversar com a criança desde muito pequena vai ajudá-la a se conhecer e a conhecer os outros. Um exemplo que Cedric dá aos pais pode ajudar na reflexão: se a criança gosta muito de um brinquedo e por isso não quer dividir com o amigo, os pais podem questioná-la dizendo “Você gosta disso? Você se sente bem com esse brinquedo? Se você se sente feliz com ele, o seu amigo também se sente, vamos dividir o brinquedo com ele para ele ficar feliz também?”. Dessa forma, ela aprenderá também a reconhecer os próprios sentimentos e a perceber que ela pode ajudar a deixar o outro bem, feliz.

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Portanto, a humildade, a cooperação, o serviço são frutos de um processo educativo. “Esse processo vai nos mostrando que é bom viver assim, que tudo bem se eu não for satisfeito nos meus desejos na hora em que quero, que não vou morrer por isso, que preciso aprender a esperar”, explica Cedric. “Nos mostra que compartilhar é bom porque eu multiplico a alegria, antes só eu estava alegre, agora todos estão alegres porque eu compartilhei. E para criança, isso é muito fácil de entender, basta que seja conversado com ela e que os limites estejam claros”.

Uma virtude que precisa ser desenvolvida ao longo da vida

Tudo isso é muito importante para o desenvolvimento da criança já nos primeiros anos da infância, mas os pais não podem esquecer que essa formação humana e moral continua sendo importante também na adolescência. “Muitos pais acreditam que depois dos 14, 15 anos, não é preciso mais tratar dessas coisas com os filhos e isso não é verdade”, alerta o professor.

Nessa fase, o adolescente passa a assumir outros círculos sociais, a se defrontar com outras situações, com outros tipos de desejos e necessidades e, por isso, ele também precisa ser formado e orientado nesse tempo que é intenso para ele. “A humildade é uma virtude que precisa ser desenvolvida ao longo de toda vida, porque esse ego, esse desejo de sobrevivência, esse instinto, ele nunca desaparece de nós, está sempre ali latente, ele precisa ser trabalhado para que a gente consiga lidar com ele de uma forma mais humana”, explica Cedric.

“Pouco a pouco, esses sentimentos mais nobres vão surgindo, essa criança, esse adolescente vai desenvolvendo o que vamos chamar de humildade que, no fundo, é ver-se como nós devemos nos ver, como pessoas que têm também seus desejos, suas falhas, contradições, e que precisamos uns dos outros também, embora todos imperfeitos, unidos, em comunhão nós vivemos melhor e nós somos melhores uns para os outros”, completa.

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