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Educação dos filhos

O Livro das Virtudes: obra apresenta 10 virtudes fundamentais para a formação moral dos pequenos

Por meio de fábulas, contos, lendas, poesias e até textos bíblicos, o livro incentiva o cultivo das virtudes e dos bons hábitos

Os seres humanos, diferente dos outros animais, possuem uma capacidade exclusiva de praticar o bem. Essa disposição – que apesar de ser uma competência humana precisa ser cultivada e aperfeiçoada através do hábito – é o que chamamos de virtude. Para Aristóteles, ela é o ponto de equilíbrio entre o excesso e a falta. É por isso que o contrário da virtude é o vício, aquilo que justamente afasta o homem da prática do bem.

Em 1996, o escritor norte-americano William J. Bennett lançou o primeiro volume do “Livro das Virtudes”, que tinha como objetivo incentivar o cultivo das virtudes e educar moralmente pessoas de todas as idades. A obra – que possui dois volumes – reúne uma série de fábulas, lendas, contos de fada, cartas, discursos, poesias e textos bíblicos que articulam “a compreensão comum e a visão clássica das virtudes” (nota do autor, volume um) a todos os seres humanos.

No ano seguinte, uma versão do livro foi editada e ilustrada especialmente para as crianças: “O Livro das Virtudes para Crianças”. Tanto os dois primeiros volumes quanto as versões adaptadas para crianças se tornaram best-sellers em todo mundo, fazendo parte da biblioteca de muitas famílias até hoje.

Karina Bastos, que é empresária e mãe educadora, aderiu às histórias do livro como um auxílio no ensino das virtudes aos seus três filhos. Segundo ela, no volume 1, o autor dividiu os textos em dez sessões, cada uma apresenta os textos relacionados à uma virtude: disciplina, compaixão, responsabilidade, amizade, trabalho, coragem, perseverança, honestidade, lealdade e fé. Enquanto no volume 2, ‘O compasso moral’, o autor organiza os capítulos de acordo com os diferentes estágios da vida.

“O conteúdo do livro ajuda porque a literatura tem a capacidade de alimentar a imaginação e auxilia a desenvolver um repertório de comportamento humano”, explica Karina. “Cada história ouvida é como uma possibilidade de ação humana que guardamos na memória e podemos colocá-la em prática, concretamente, em cada oportunidade que tivermos”.

Estabelecer hábitos

A mãe educadora explica que para as crianças pequenas o conceito de virtude pode ser abstrato, por isso, é importante procurar ilustrar isso de diversas formas, com exemplos e histórias, para que as crianças entendam melhor o que está sendo ensinado. “Para estabelecer um hábito, e assim desenvolver uma virtude, é necessário repetição. A repetição molda nosso interior diante de cada situação”, afirma Karina.

Estabelecer hábitos ajuda as crianças a saberem como agir da melhor forma nos momentos mais diversos da vida. “Isso as torna pessoas verdadeiramente livres na medida em que têm a possibilidade real e concreta de escolher o bem em cada situação, pois a liberdade não é outra coisa senão a capacidade de escolher o bem”, conta a mãe.

Mesmo que as crianças ainda não tenham a capacidade de compreender tudo o que está sendo ensinado nas histórias, a leitura de bons livros é importante para que, aos poucos, suas inclinações sejam moldadas. “Meus filhos ainda são pequenos, o mais velho vai fazer cinco anos. Mas eu noto que, em várias situações, ele já tem uma tendência ao fazer o que é certo, não porque ele é ‘bonzinho’, mas porque desenvolveu o hábito de fazer o certo”, relata Karina.

Dicas importantes

Para os pais que desejam iniciar a educação das virtudes para seus filhos através destes livros, Karina oferece algumas dicas importantes:

– Para as crianças pequenas, menores de nove anos, eu considero que as fábulas, lendas e contos de fada são mais acessíveis. Recomendo selecionar os textos mais apropriados para crianças menores, pois alguns exigem uma capacidade maior de abstração para entender o conteúdo.

– Alguns trechos podem ser longos demais, mas sempre é possível tentar. Você pode dividir o texto para ler aos poucos, além de fazer pausas para explicar cada parte, de uma forma que a criança compreenda e consiga acompanhar.

– Peça que a criança narre o que já foi lido e ajude-a a fazer isso. Isso fará com que você tenha certeza de que ela entendeu, ao mesmo tempo que contribui para a memorização e a expansão da fala. Às vezes, as crianças tendem a ter a fala compactada e não desenvolvem as frases completas com detalhes de descrição. O exercício de narrar trabalha esses pontos.

“Eu conheci ótimas histórias nestes livros, são verdadeiros tesouros. A obra oferece um conteúdo tão rico que caso a pessoa não tenha muita possibilidade de adquirir vários livros para montar uma biblioteca infantil, eu arriscaria dizer que somente esses dois livros são suficientes para ler para as crianças”, sugere a mãe.

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