Arquivo Pessoal/Alex Delgado| Foto:

O que faz alguém transformar uma tragédia em solidariedade? Transformar a própria dor em amparo para o próximo? Para a família do músico e empresário Alex Delgado, de 45 anos, somente Deus e o poder da música foram capazes de oferecer o sustento necessário para enfrentarem o momento mais difícil de suas vidas e, ainda, a força para transformá-lo em conforto e conscientização para outras famílias.

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Em 2017, Alex, sua esposa Ester Delgado, de 36 anos e o filho Nicholas, de 9, viram a caçula da família, Susan, de apenas 2, ser vítima de um afogamento na piscina da casa em que moravam na cidade de Orlando, na Flórida, EUA. “Uma tragédia como essa é uma coisa que destroça a família”, contou Alex em entrevista ao Sempre Família.

Dados alarmantes

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o afogamento está entre as cinco principais causas de mortes de crianças no mundo. Na Flórida, o número de afogamentos de crianças de até 5 anos aumentou 38% entre 2016 e 2018. Enquanto no Brasil, mortes na água são a segunda maior causa de óbitos entre crianças de 1 a 4 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático.

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Sua filha morreu por negligência médica e agora ele se dedica a acabar com esse mal em hospitais

“Nós fomos pesquisar sobre afogamento infantil e é um grande mal no mundo”, conta Alex. “Por ano morrem quase 400 mil pessoas afogadas no mundo e só no estado da Flórida, são cerca de 100 crianças de 0 a 5 anos. Daria para encher cinco salas de aula!”. Segundo o empresário, os dados são assustadores, mas pouco se fala sobre isso.

O projeto

Incomodados com essa triste realidade, Alex e a família decidiram fazer alguma coisa para tentar mudar as estatísticas. Eles criaram um projeto social de amparo às famílias que vivenciam o mesmo drama, mas que também tem o objetivo de levar informação como uma forma de lutar pela prevenção de afogamentos.

O Susan Forever Project não tem fins lucrativos e vai unir essa causa nobre com a paixão da família pela música. Alex, Ester e o filho Nicholas são músicos profissionais e foi por meio dessa arte que encontraram consolo após a morte de Susan. “A música tem um efeito curativo muito grande. Ela está nos ajudando a passar por esse processo”, explica o músico.

Além da história da própria filha e dos números alarmantes, outra situação também motivou a família a querer fazer algo pela causa. Logo após a morte da filha, o casal decidiu sair de Orlando para ir morar na Inglaterra e, depois de dois anos morando no país, eles passaram por uma experiência que os marcou profundamente.

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“Estávamos em um mercado e vimos que uma criança se engasgou com alguma coisa e parou de respirar. Não dava tempo de chamar o socorro, ela já tinha perdido os sentidos há algum tempo, ficou toda roxa e aquilo que eu vi os bombeiros fazendo com a minha filha, eu fiz também com aquela bebezinha e ela voltou à vida”, relata Alex. “Aquilo nos trouxe um conforto muito grande, um alento. Nós não pudemos salvar a vida da nossa filha, mas pudemos ajudar outra criança”.

Então, surgiu o desejo de voltar para Orlando e fazer algo pela memória de Susan para poder salvar outras crianças. “A gente precisa fazer alguma coisa porque não queremos que ninguém no mundo passe pelo que a gente está passando”, conta o músico. “Isso inverte a ordem natural das coisas”.

Através do projeto, a família vai tocar em igrejas, escolas, eventos sociais, locais públicos, e convidar pessoas que também perderam seus entes queridos. “Por meio da música, nós vamos consolá-los e, depois, contar a história da nossa filha para fazer um trabalho de conscientização e de prevenção”, explica Alex.

Leis de prevenção

A ideia é falar sobre as medidas que precisam ser tomadas, pois mais de 80% das mortes acidentais de crianças por afogamento são relacionadas a algum tipo de negligência dos responsáveis. Por isso, eles organizaram uma lista com 10 leis de prevenção que inclui desde colocar a criança na natação ainda bebê até tomar todos os cuidados necessários na proteção da piscina. Segundo Alex, há também uma série de equipamentos que podem evitar o acidente, como pulseiras que disparam um alarme quando a criança chega perto da piscina.

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Enfermeira ensina primeiros socorros e salva vidas pelo Instagram

Mas a principal medida ainda é a atenção dispensada à criança. É preciso sempre estar sempre com os olhos nelas.  “Por isso que o celular tem sido um grande vilão. A pessoa está ali olhando no celular e, no tempo de responder uma mensagem, a criança pode se afogar”, alerta o músico.

O Susan Forever Project terá início ainda no fim de 2019 e mais informações podem ser encontradas no site oficial do projeto, bem como dicas sobre primeiros socorros e outras medidas de segurança.

“Nossa Susan nunca mais voltará, mas queremos manter vivo tudo aquilo que ela nos ensinou nos dois anos de vida que esteve conosco. Doçura, alegria, disposição, abraços, afagos e união familiar são a essência desse projeto”, afirma Alex. “Mas acima de tudo queremos disseminar conhecimento e com a nossa experiência permitir que outras crianças possam ser salvas a tempo e viver intensamente, assim como nossa filha viveu em sua curta passagem”.

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