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Echevarría em celebração em 2016. Foto: Divulgação/Opus Dei
Echevarría em celebração em 2016. Foto: Divulgação/Opus Dei
Religião

Quem foi dom Javier Echevarría, líder do Opus Dei falecido nessa semana

Bispo era o segundo sucessor do fundador da prelazia católica, que prega a busca de santidade através da vida profissional e cotidiana.

O Opus Dei perdeu na última segunda-feira (12/12) o seu bispo prelado, dom Javier Echevarría Rodriguez. Internado desde o dia 5 em Roma devido a uma infecção pulmonar, o bispo dirigia a instituição desde 1994, como segundo sucessor de Josemaria Escrivá, que fundou o Opus Dei em 1928.

Nascido em Madri em 1932, Echevarría ingressou no Opus Dei em 1948 e foi ordenado padre em 1955. Ele foi secretário pessoal de Escrivá de 1953 até a morte do fundador, em 1975. Em seguida, foi nomeado secretário geral do Opus Dei e, em 1982, vigário geral. Em 1994, com a morte do sucessor de Escrivá, Álvaro del Portillo, Echevarría foi eleito prelado, sendo ordenado bispo no ano seguinte por João Paulo II.

O bispo esteve à frente do Opus Dei por 22 anos. Foto: Divulgação/Opus Dei

Como prelado, visitou os cinco continentes trabalhando na formação dos membros do Opus Deu. Esteve no Brasil em 1996, 2010 e 2013. Sob o seu governo, a prelazia se expandiu para 16 novos países, entre os quais a Rússia, a África do Sul e a Indonésia.

Dom Levi Bonatto, bispo auxiliar de Goiânia, estava na primeira turma de padres ordenados por Echevarría, em 1995. “Em algumas ocasiões tive a oportunidade de almoçar com dom Javier e outros membros da Cúria Romana, e era sempre a mesma coisa: todos os arcebispos, bispos e padres que trabalhavam com ele na Cúria Romana o admiravam pela forma alegre e brincalhona com que sempre os tratava”, conta Bonatto.

Tendo convivido por décadas com Escrivá e Portillo e sendo dono de uma memória impressionante, Echevarría transmitiu aos membros do Opus Dei muitos ensinamentos tirados do dia-a-dia com os seus predecessores. “Em várias ocasiões, tive a sorte de ouvi-lo recordar com vibração contagiante muitos desses ensinamentos e episódios, sentindo-me movido e animado para a busca da santidade na vida ordinária e no exercício profissional”, conta Élcio Carillo, engenheiro civil e membro do Opus Dei em Curitiba.

Echevarría foi secretário de Escrivá - na foto, de pé - por 22 anos. Foto: Divulgação/Opus Dei
Echevarría foi secretário de Escrivá – na foto, de pé – por 22 anos. Foto: Divulgação/Opus Dei

“Seu próprio exemplo de trabalho era uma aula sobre a santificação do trabalho no dia-a-dia”, recorda o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte, que conviveu com Echevarría em Roma entre 1976 e 1978, logo após a morte de Escrivá.

Echevarría foi sepultado na quarta-feira (14/12) na cripta da Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz, em Roma. Há pouco mais de um mês, no dia 7 de novembro, ele havia sido recebido em audiência pelo papa Francisco, que enviou suas condolências ao saber da morte do prelado.

Eleição do sucessor

Fernando Ocáriz, vigário auxiliar do Opus Dei, deve convocar o congresso eletivo em janeiro. Foto: Divulgação/Opus Dei
Fernando Ocáriz, vigário auxiliar do Opus Dei, deve convocar o congresso eletivo em janeiro. Foto: Divulgação/Opus Dei

O monsenhor Fernando Ocáriz, vigário auxiliar da prelazia, é o responsável por guiar o Opus Dei até a eleição de um novo prelado. É ele quem convoca, em até um mês, um congresso eletivo, que deve realizar-se num prazo de três meses. O congresso é composto de membros experientes da prelazia, que representam proporcionalmente todas as regiões do mundo em que o Opus Dei está presente. Em seguida, a eleição deve ser confirmada pelo papa.

A expectativa, segundo Bonatto, é que o próprio Ocáriz seja eleito, mas a idade avançada – 72 anos – pode ser um fator limitante. A sua sucessão, além disso, não seria tão natural quanto a de Portillo e Echevarría, colaboradores muito próximos de Escrivá. Outra possibilidade é o vigário geral da prelazia, o argentino Mariano Fazio. O cargo de prelado do Opus Dei é vitalício, ao contrário dos outros bispos católicos, que renunciam a suas funções aos 75 anos. Echevarría, que tinha 84, era portanto o bispo mais velho em atividade – mais que o próprio papa, que completa 80 anos neste sábado (17/12).

O Opus Dei

Echevarría em encontro com membros do Opus Dei. Foto: Divulgação/Opus Dei
Echevarría em encontro com membros do Opus Dei. Foto: Divulgação/Opus Dei

O Opus Dei é uma prelazia pessoal, um organismo da Igreja Católica semelhante a uma diocese, mas que não tem limites territoriais – os seus membros se vinculam a ela por afinidade, visando à realização de obras pastorais específicas. No caso do Opus Dei, o foco está na busca de santidade através da vida profissional e cotidiana.

Hoje está presente em 68 países, com mais de 90 mil membros, sendo 2 mil padres. Cerca de um quinto de seus membros são numerários, ou seja, membros celibatários, que não se casam e vivem num centro do Opus Dei. Atualmente, no mundo todo há 27 bispos oriundos do clero da prelazia – três deles são brasileiros e dois, um espanhol e um peruano, são cardeais.

Cronologia

1902 – Nascimento de Escrivá

1928 – Escrivá funda o Opus Dei

1947 – Aprovação pontifícia do Opus Dei

1957 – O Opus Dei chega ao Brasil

1974 – Escrivá visita o Brasil

1975 – Morte de Escrivá e eleição de Álvaro del Portillo como seu sucessor

1982 – O Opus Dei torna-se uma prelazia pessoal e Portillo é nomeado o primeiro prelado

1992 – Escrivá é beatificado

1994 – Morte de Portillo e eleição de Echevarría como prelado

2002 – Canonização de Escrivá

2014 – Beatificação de Portillo

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