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Foto: Arquivo pessoal
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Famílias numerosas: como é a rotina de quem tem mais de quatro filhos

Como a média brasileira é de menos de dois filhos, quem foge da estatística lida com comentários preconceituosos enquanto aproveita os benefícios de viver em comunidade dentro de casa

Basta um passeio no shopping para que a gerente de telemarketing Leda Maria Chesco, de 41 anos, chame atenção. “As pessoas ficam me olhando, impressionadas. Elas começam a cutucar as outras para comentar e algumas chegam até a me perguntar como tenho tanta coragem”, relata a paranaense do município de Ibaiti, a 140 quilômetros de Londrina. Segundo ela, o motivo de tanta curiosidade não é a cor do seu cabelo ou as roupas que usa, mas o tamanho de sua família. “Temos cinco filhos e as pessoas não estão mais acostumadas a ver isso”, afirma.

13 verdades sobre ter uma família numerosa

A situação seria diferente na década de 1960, quando as mulheres brasileiras engravidavam, em média, seis vezes. No entanto, de acordo com o último relatório divulgado pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa-ONU), essa taxa caiu para 1,7 em 2018 devido às mudanças nos indicadores de desenvolvimento econômico do país, facilidade de acesso ao mercado de trabalho e maior escolaridade. Hoje, “a fecundidade gira em torno de um filho entre as mulheres que concluíram pelo menos o ensino médio e três para as menos instruídas”, informa o relatório.

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Leda sofreu três abortos antes de engravidar dos seus cinco filhos. Foto: Arquivo pessoal

Só que a Leda e seu esposo — o servidor público federal Fernando Augusto Chesco — decidiram contrariar as estatísticas e mostrar os benefícios de ter uma família numerosa. “Sempre achamos bonito avós que recebem um monte de filhos e netos em casa, então nos preparamos para ter uma família assim”, recorda Leda, que sofreu três abortos espontâneos até dar à luz ao primeiro herdeiro, Davi. “Foi difícil, mas não desistimos até termos nos braços nossa criança tão desejada”, recorda.

Dois anos depois dessa gestação, a pequena Sara chegou à família, seguida pelos nascimentos do Miguel e da Rafaela. “Ficamos muito felizes com todos eles, mas nessa quarta gravidez eu senti muito cansaço e pensei em parar por ali”, revela a paranaense que, além de cuidar das crianças e da casa, também trabalhava fora durante as gestações.

No entanto, antes que realizasse o procedimento cirúrgico da laqueadura, ela foi surpreendida com mais uma gravidez e ouviu diversos comentários preconceituosos quando contou a novidade. “As pessoas falaram que éramos loucos e alguns nos chamaram de irresponsáveis”, recorda a gerente. “Até fiz uma postagem nas redes sociais mostrando que estávamos tranquilos, apesar do choque inicial, e que também ficamos muito alegres por saber que nosso ‘pititico’ Pedro estava a caminho”.

“As pessoas falaram que éramos loucos e alguns nos chamaram de irresponsáveis”, recorda a gerente.

Após o desgaste com alguns parentes e amigos, a “poeira baixou” e todos passaram a aguardar a chegada do pequeno para completar a família. “Nós optamos por essa maneira de viver, então aprendemos a lidar com comentários assim, tivemos paciência e hoje está tudo bem”, afirma a gerente, que ama a rotina que têm com seus cinco filhos.

Benefícios

Foto: Arquivo pessoal
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Segundo ela, o ambiente em casa é divertido, não dá espaço para monotonia e ainda faz diferença no desenvolvimento das crianças. “É claro que existem algumas discussões que são comuns entre irmãos, mas eles se respeitam muito, ajudam nas tarefas de casa e se tornam mais independentes”, afirma a mãe, que também se emociona com as ações de seus filhos, frequentemente.

“Quando um deles vai ao pediatra, por exemplo, pergunta ao doutor se pode levar pirulitos para os irmãos, então o médico já sabe que precisa dar cinco doces no final de cada consulta”, relatam. “E isso acontece até na hora dos presentes porque esses dias uma de nossas filhas ganhou dinheiro da bisavó no aniversário e comprou um monte de chocolates para repartir em casa”.

De acordo com a psicopedagoga Elenice Monteiro, essa facilidade de pensar nos demais ocorre porque os filhos que crescem em famílias numerosas já aprendem a viver em coletividade dentro de casa. Além disso, se acostumam a seguir regras e a contribuir com os afazeres domésticos porque querem o bem de todos que vivem ali. “E isso fará diferença no convívio dessa criança em sociedade futuramente”.

Atenção multiplicada

Mas, para manter uma família com vários filhos, os pais precisam estar cientes da sua condição financeira e controlar muito bem a rotina para atender todas as crianças de forma eficaz. “Isso porque, cada uma precisa ter sua individualidade respeitada, cuidados com saúde, educação e também necessitará de tempo de qualidade com o pai e a mãe”, pontua a especialista.

Para Leda e Fernando, esse olhar voltado a cada filho individualmente sempre foi prioridade e, enquanto alguma criança está acordada em casa, o diálogo continua. “Tanto que nós dois só conseguimos conversar um com outro depois das 23h30. Antes disso sempre tem algum filho falando com a gente”, contam os paranaenses, que estão sempre com a agenda apertada.

“Cada criança precisa ter sua individualidade respeitada, cuidados com saúde, educação e também necessitará de tempo de qualidade com o pai e a mãe”

Durante a semana, segundo eles, três mulheres ajudam na limpeza da casa em dias alternados, enquanto os filhos mais velhos brincam com os menores. Já no período do almoço e à noite, é o casal que assume as tarefas após o trabalho. “Aí fazemos janta, temos a hora do banho, o momento das tarefas e vamos nos preparando para dormir. É corrido, mas gratificante”.

Ainda que os pais acostumem com toda agitação, a psicopedagoga garante que a ajuda de amigos e familiares é sempre bem-vinda, assim como o respeito deles em relação às decisões do casal. “Então, se os pais permitirem, familiares e amigos podem ajudá-los”. Afinal, “todo carinho, cuidado e auxílio serão ótimos se forem realizados com boas intenções”, finaliza.

 

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