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Os pais são as principais referências dos filhos na infância e até mesmo na fase adulta. Os comportamentos, decisões e características pessoais são influenciadas pela convivência em família. Mas na primeira infância essa influência é ainda mais intensa e pode ser positiva ou negativa de acordo com as atitudes dos pais no dia a dia.

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Você já reparou como os pequenos começam seu aprendizado pela imitação? Eles imitam as pessoas mais próximas e acabam tendo comportamentos semelhantes aos delas. A psicóloga Aline Ribeiro Cestaroli, consultora em encorajamento e educadora de pais e professores, explica que as crianças são como esponjas e absorvem tudo o que veem ao seu redor. As informações são internalizadas pelo indivíduo e usadas para formar as percepções sobre si mesmo, os outros e o mundo.

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Por isso, os pais devem ter atitudes coerentes com o que desejam transmitir aos filhos. “Gosto muito de uma frase do Ralph Waldo Emerson, em que ele diz ‘o que você faz fala tão alto que eu quase não escuto o que você diz’. As crianças estão aprendendo sobre como tudo funciona e atribuindo significado às experiências. Muitas vezes elas repetem o comportamento que estão observando, sem terem a consciência do que isso significa”, afirma.

Aline observa que quanto menor a idade, maior a influência dos pais. Em sua experiência, a psicóloga já atendeu muitas famílias e destaca um caso em que um casal era acostumado a falar muitos palavrões. O filho, na época com apenas três anos, começou a ter problemas na escola, pois sempre que era contrariado, repetia o que ouvia em casa. Apesar de não compreender o que estava dizendo, o menino aprendeu a associar as emoções de raiva e frustração com palavras de baixo calão.  “A partir dos nove anos a criança já começa a ter uma consciência moral maior e passa a fazer uma leitura daquilo que ela vê em casa, na escola e no convívio com seus colegas para tomar suas decisões”, ressalta.

“A partir dos nove anos a criança já começa a ter uma consciência moral maior e passa a fazer uma leitura daquilo que ela vê em casa, na escola e no convívio com seus colegas para tomar suas decisões”

Tanto as atitudes dos pais no dia a dia – como falar palavrões, gritar, mentir, ser ríspido, rude, grosseiro, ingrato, desonesto ou agressivo, por exemplo – quanto pela formam como lidam com os filhos reforçam os maus comportamentos. No contexto da criação, a disputa por poder é um dos principais fatores que contribuem para más condutas. “É muito comum o adulto querer mostrar para a criança que é ele quem manda e assim busca uma obediência a qualquer custo, mesmo que acabe gerando estresse, choro e desgaste físico e emocional”, salienta.

A importância de se preparar para criar os filhos

A especialista sugere que os pais estudem para educar seus filhos, já que é necessário ampliar as “ferramentas parentais” para lidar com os desafios e comportamentos infantis. A falta de conhecimento aumenta o risco da repetição de padrões e posturas que geram desconexão com a criança.

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“O padrão mais comum é usar punições ou recompensas para modelar o comportamento do filho. Se ele teve uma atitude positiva, é recompensado. Mas se ele se comportar de maneira inadequada é punido com castigos, sermões, retiradas de privilégios e até palmadas. Apesar de ter um efeito imediato, este padrão reforça os comportamentos negativos”, esclarece.

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Aline acrescenta, ainda, que a Disciplina Positiva é uma abordagem interessante, em que o objetivo é ajudar as crianças a desenvolverem suas competências socioemocionais para que façam o que é certo, independentemente de punições ou recompensas.

Além de buscar informações, é fundamental que os pais reflitam sobre os valores que estão sendo transmitidos e substituam a culpa por responsabilidade. Para Aline, a autoconsciência é a chave para uma educação eficaz a longo prazo. Com respeito, gentileza e firmeza é possível incentivar os filhos a terem boas atitudes. “Seja você a mudança que gostaria de ver na sua família. Nunca é tarde para repensar seus padrões e buscar novas formas de se conectar com seus filhos. A família é o bem mais precioso e é na infância que precisamos semear as características e habilidades de vida”, finaliza.

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