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Pais e filhos

Deixe a culpa de lado: trabalhar fora não prejudica o futuro dos filhos, diz estudo

Muitas mães que trabalham fora carregam um sentimento de culpa por achar que sua ausência em um período do dia pode prejudicar os filhos, mas um estudo conduzido por uma professora da Harvard Business pode ser um alívio

Se pudéssemos perguntar para todas as mães que trabalham fora qual é o sentimento que mais as acompanha durante seus dias, muito provavelmente a grande maioria responderia que é a culpa. O ideal de que as mulheres devem ficar em casa em tempo integral para que seus filhos tenham um bom desenvolvimento atormenta muitas mães que precisam trabalhar fora para sobreviver ou que decidem seguir sua carreira por opção. Com a esperança de encontrar um alívio para as mães que vivem com esse sentimento, Kathleen McGinn, professora da Harvard Business, iniciou um estudo que analisou a consequência dessa realidade na vida dos filhos – e o resultado foi surpreendente.

Conciliação entre família e trabalho: uma pauta que precisa estar em foco

De acordo com a pesquisa, filhas de mães que trabalham fora são mais propensas a avançar em suas carreiras profissionais e filhos homens tendem a gastar 50 minutos a mais por semana cuidando de suas famílias. O estudo também mostrou que essas crianças se tornam adultos felizes, independentemente do status de emprego da mãe.

“As pessoas ainda acreditam que quando as mães estão empregadas, isso é prejudicial para os filhos”, afirma a professora em entrevista ao site Rare. “Portanto, descobrir que o emprego maternal não afeta a felicidade das crianças na idade adulta é realmente importante”.

O sentimento de culpa

Sobre o sentimento de culpa que muitas dessas mães carregam, a psicanalista Mayara Souza explica que é algo comum e que existe há muito tempo. “Quanto mais se tenta ser um bom cidadão, maior a cobrança e, consequentemente, a culpa”, explica ela. No caso das mães, é importante compreender que, assim como qualquer outra pessoa, elas também têm suas angústias, sofrimentos, prazeres e desprazeres, e que decisões, como a de trabalhar fora, implicam em consequências como a culpa. “Esse sentimento pode decorrer de um impasse, ou seja, das escolhas que essa mãe toma que, por vezes, bate de frente com as exigências vindas dela mesma ou de outros”, explica Mayara.

Mas o fato de a mulher ter um emprego e precisar, por um período do dia, ficar longe dos filhos pode ser importante tanto para a bagagem cultural da mãe quanto para os filhos que estão em formação e que poderão contar com um maior repertório de relações e experiências dentro de casa. Segundo a psicanalista, permitir esses momentos de separação faz com que os filhos se compreendam como seres que também podem se estruturar, investir e estabelecer novas relações.

Filhos bem-sucedidos na vida profissional e familiar

O grupo de pesquisas de Kathleen conduziu ainda um outro estudo, em que descobriu que filhas adultas que tinham mães que trabalhavam fora de casa têm maior probabilidade de ter carreiras de sucesso. Essas filhas também teriam mais responsabilidades de supervisão e receberiam salários mais altos.

Esse estudo, realizado com cerca de 100 mil homens e mulheres em 29 países mostrou, por exemplo, que as mulheres criadas por mães empregadas têm 1,21 vezes mais chances de conseguirem um emprego e 1,29 vezes mais propensas a terem cargos de supervisão. “Ter uma mãe trabalhando fora faz com que as filhas pensem que o emprego é compatível com a maternidade”, diz Kathleen. “Se você está realmente observando uma mãe empregada gerenciar uma vida complexa e lidar com várias demandas – um trabalho, uma família, uma casa – você vê que isso pode funcionar”.

Quando se tratava dos homens, o estudo mostrou que suas carreiras não eram influenciadas pelo fato de suas mães trabalharem fora ou não, mas sim que isso os afetava no aspecto da vida familiar, fazendo com que eles se dedicassem mais nos cuidados com os membros de sua família.

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