Esse comportamento pode trazer outros prejuízos à saúde – como ansiedade, insônia e transtornos alimentares| Foto: Unsplash
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Fazer o cônjuge feliz, dedicar tempo aos amigos, dar o seu melhor no trabalho e ajudar desconhecidos são situações essenciais para construir bons relacionamentos, alcançar sucesso profissional e exercitar a compaixão.

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No entanto, sem equilíbrio todos esses cenários podem trazer problemas de saúde, principalmente para quem não consegue negar convites ou responsabilidades quando é necessário. “Uma pessoa que tem dificuldade para dizer ‘não’ se sobrecarrega com atividades que deveriam ser de outra pessoa e isso prejudica seu emocional”, pontua a psicóloga Fabiana Witthoeft.

No caso do analista de suporte Doni Martins Rodrigues, por exemplo, negar o pedido de alguém significou por anos desapontar a pessoa que havia feito a solicitação. Por isso, ele se esforçava para realizar tudo o que esperavam dele e depois sofria para conciliar tantos compromissos que assumia. “Eu tinha tarefas demais e não sobrava tempo para meus próprios afazeres, lazer ou para minha família”, lamenta.

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Aos poucos, ele também percebeu que sua tentativa de não entristecer quem fazia o convite gerava muito estresse e desencadeava discussões. “Teve até uma vez em que eu estava atrasado para um evento com a família e decidi ajudar uma pessoa antes de ir”, recorda. "Só que depois não consegui honrar o compromisso que havia marcado antes e, consequentemente, tive problemas em casa".

A dificuldade para dividir o tempo entre suas atividades pessoais e o grande número de tarefas alheias que aceitava ainda deixava o jovem de 27 anos bem cansado e, de acordo com a psicóloga Fabiana, além do cansaço, esse comportamento pode trazer outros prejuízos à saúde – como ansiedade, insônia e transtornos alimentares. “Por isso, é necessário avaliar a causa da insegurança para dizer ‘não’ e corrigi-la”, orienta ela, ao apontar como principais motivos desse comportamento a necessidade de aprovação e a fuga de algo que o incomoda.

“De maneira geral, parte dessas pessoas quer dar conta do que é do outro para não ter tempo de encarar seus próprios problemas, enquanto algumas têm baixa autoestima e se esforçam para não serem rejeitadas”, explica Fabiana.

E é essa visão distorcida, inclusive, que dá início a relacionamentos abusivos, pois a pessoa acredita que é sua obrigação fazer a vontade do abusador para ser amada por ele. “Acha que deve agradá-lo em tudo e não estabelece uma barreira para mostrar até onde pode ceder, qual é seu limite”, aponta a psicanalista Anelise Bertuzzi Mota.

Ações semelhantes ocorrem no ambiente de trabalho e na escola, onde colegas também percebem quem é a pessoa que cede com mais facilidade e procuram elogiá-la só para conseguir o que querem. “Um exemplo clássico ocorre nas relações estudantis quando alunos falam que o amigo tem a letra bonita e poderia copiar o trabalho ou que é inteligente e deveria fazer os slides da apresentação”, exemplifica Anelise. “Aí a pessoa pega aquele elogio para ela e acaba sempre fazendo a tarefa para os demais”.

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Como dizer não?

Nessas situações é necessário que o indivíduo avalie a proposta apresentada rapidamente e identifique se os dois lados serão beneficiados com ela. “Se perceber que não é conveniente para você ou que faltará tempo para realização daquela atividade, negue”, aconselha a psicanalista, que indica o uso do “não” de forma segura e sem justificativas. “Quando você está incerto da resposta, acaba dando abertura para o outro te convencer. Então, seja objetivo”, orienta Anelise.

A sugestão dela é utilizar frases como “muito obrigada, mas desta vez não vou poder te atender porque já assumi outro compromisso” ou ainda devolver o elogio para a pessoa com um “por que você mesma não faz desta forma, já que é tão boa nisso?”.

Ao usar a mesma estratégia de persuasão que o outro escolheu, será mais fácil negar o pedido, evitar a sobrecarga de tarefas e equilibrar melhor seu tempo entre responsabilidades, atividades de lazer e bons relacionamentos. “Lembrando que isso deve ser um exercício diário, começando na família e se estendendo para outras relações”, finaliza a especialista.

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