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Comportamento

Como as brincadeiras entre irmãos na infância moldam o senso de humor na vida adulta

O relacionamento entre irmãos pode ser pensado como um campo de treinamento para habilidades sociais cruciais

Amy Paine*, The Conversation

Você deve se lembrar das brincadeiras bobas que fazia com seu irmão ou irmã na infância. Uma pesquisa mostrou que a relação entre irmãos desempenha um papel importante no desenvolvimento infantil. É um dos relacionamentos mais duradouros e está envolvido pela proximidade, cooperação, conflito e pela brincadeira. Agora, nossa pesquisa nos levou um passo mais perto de descobrir o quão importante é compartilhar o humor com um irmão.

O humor é uma parte universal da experiência humana. Mas, embora tenha sido de interesse de muitos filósofos e psicólogos, poucos estudos exploraram os tipos de humor que as crianças pequenas produzem em seus relacionamentos íntimos.

A partir da pesquisa realizada, sabemos que desde cedo as crianças se deliciam com eventos inesperados ou surpreendentes. Na infância, elas se divertem com o esconde-esconde e fazem palhaçadas com seus cuidadores. Quando crianças, demonstram um repertório cada vez mais avançado e variado de incongruências de humor (um conflito entre o que é esperado e uma realidade absurda). Eles usam e rotulam objetos incorretamente, brincam com o som, cumprem as regras e brincam com os outros. Depois dos anos pré-escolares, as crianças começam a brincar com as palavras de maneiras mais complexas. Elas inventam e contam enigmas e piadas.

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Os pesquisadores perceberam que a produção de humor envolve uma considerável habilidade cognitiva e social. Contar uma piada de sucesso requer habilidades de linguagem e tempo, capacidade de entender as mentes e as emoções dos outros, ser capaz de pensar de maneira criativa e em ritmo acelerado.

Mas não contamos piadas e fazemos coisas engraçadas apenas para fazer as pessoas sorrirem – acredita-se que a produção de humor tenha muitas outras funções importantes. Não apenas nos faz rir, mas também promove amizades, alivia a tensão e nos ajuda a lidar com o estresse e ansiedade. Portanto, é surpreendente que tão pouco trabalho tenha se concentrado no humor dentro de um dos relacionamentos mais importantes da infância, o relacionamento entre irmãos.

Ô, irmão!

Momentos de comédias e de absurdos fazem parte do dia a dia de muitas famílias. Nas observações da psicóloga Judy Dunn sobre as primeiras interações entre irmãos, as crianças gostaram particularmente de brincadeiras engraçadas com temas proibidos e repugnantes. Assim como o relacionamento entre irmãos pode ser pensado como um campo de treinamento para habilidades sociais cruciais, como negociar e gerenciar brincadeiras e conflitos, sua permanência permite que as crianças explorem os limites do que cada um pode (e não pode) achar engraçado sem comprometer o relacionamento.

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Em nosso recente estudo observacional, publicado no British Journal of Developmental Psychology, identificamos diferentes tipos de humor produzidos por um grupo de crianças de sete anos enquanto brincavam com seus irmãos mais velhos ou mais novos. Descobrimos que o humor espontâneo era muito comum nas brincadeiras das crianças com seus irmãos. Muitas vezes, era de boa índole, repetitivo e bem ensaiado, refletindo suas experiências e vínculos entre irmãos.

Os irmãos produziram uma grande variedade de diferentes tipos de humor. As crianças brincaram com palavras (como fala sem sentido, enigmas e inventar histórias absurdas) e sons (cantos, cantos exagerados e vozes tolas). Elas também realizavam e descreviam incoerências (intencionalmente faziam objetos executarem ações erradas), envolviam-se em brincadeiras (brincadeiras alegres, provocações bobas, tombos propositais) e se divertiam (com poses tolas, movimentos com o corpo e caretas) para fazer seus irmãos rirem.

Também descobrimos que, quando as crianças de sete anos de idade que tinham um irmão mais novo brincavam juntas, produziam um som mais bem-humorado (como gritar em vozes agudas: “Eca! Eu tô coberto de slime!”) do que as crianças de sete anos que tinham um irmão mais velho. Segundo outros pesquisadores, assim que as crianças aprendem sobre novas regras, elas se divertem exagerando e distorcendo-as. Portanto, é possível que os pares de irmãos mais novos estivessem gostando de brincar com regras e convenções recém-aprendidas sobre som na conversa.

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Os pares de irmãos do sexo masculino produziram mais humor do que os pares de irmãs do sexo feminino em geral, apresentando também mais incoerências do que os pares mistos ou femininos (“Vou contar um segredinho. Tenho um queijo no bolso!”). Pares de irmãos usavam mais humor tabu (“Peido? Você peidou?”) e riam demais – vimos muita dança boba – com mais freqüência do que os pares de irmãs também.

Ao identificar essas diferenças de humor entre irmãos, estamos um passo mais perto de entender o papel e a função do humor compartilhado nos relacionamentos mais próximos das crianças. Dito isto, é necessário muito mais trabalho para descobrir exatamente o que a produção de humor significa para o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, aprendizado e bem-estar psicológico na infância.

*Pesquisadora de pós-doutorado em psicologia do desenvolvimento, Universidade de Cardiff

Tradução de Janaína Imthurm.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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