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Ele criou “Nossa Senhora dos Rins”. Dá pra inventar uma Nossa Senhora?

  • Por Felipe Koller
  • 27/01/2018 08:25
Ele criou “Nossa Senhora dos Rins”. Dá pra inventar uma Nossa Senhora?
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O pequeno Gabriel, cujos rins pararam de funcionar há dois anos, aguarda na fila do transplante em Salvador. Enquanto isso, desenvolveu a habilidade de pintar e até criou uma nova devoção: Nossa Senhora dos Rins. Mas dá para inventar assim uma Nossa Senhora?

Como você deve saber, todas as “Nossas Senhoras” que conhecemos são apenas títulos diferentes para se referir à mesma pessoa: Maria, a mãe de Jesus. Uma coisa são as diversas santas, mulheres de toda a história da Igreja que se abriram à ação de Deus e são reconhecidas como modelo de discipulado: Inês, Hildegarda de Bingen, Rita de Cássia, Teresa de Jesus, Hildegarda Burjan, Edith Stein, Chiara Luce Badano, Dulce Lopes Pontes, etc.

Entre todas as santas e santos, destaca-se Maria, humana como nós e como todos eles, a discípula por excelência e a imagem da Igreja, por sua fé, esperança e caridade. O carinho do povo de Deus a Maria fez com que surgissem ao longo da história numerosos títulos que destacam determinados atributos e características de Maria.

Não há nenhuma lista completa ou oficial desses títulos – que com certeza chegam aos milhares. Existem os mais centrais, que expressam verdades de fé, como “Mãe de Deus”, “Virgem” e “Imaculada”. Alguns deles estão ligados às grandes solenidades marianas: a Mãe de Deus (1º de janeiro), a Assunção (15 de agosto – no Brasil, celebrada no domingo seguinte) e a Imaculada Conceição (8 de dezembro).

Mas exceto esses, são bem poucos os títulos que constam do calendário litúrgico universal da Igreja: Nossa Senhora de Lourdes (11 de fevereiro), de Fátima (13 de maio), do Carmo (16 de julho), das Dores (15 de setembro), do Rosário (7 de outubro) e de Guadalupe (12 de dezembro). São celebrados sempre como memória facultativa, quando se trata da padroeira local – caso de Guadalupe, padroeira da América Latina, celebrada por nós com grau de festa, e também de Aparecida, que os brasileiros celebram como solenidade.

Mesmo constando do calendário, esses títulos têm um peso bem diferente dos anteriores. Não custa lembrar que a Igreja não obriga nenhum católico a acreditar nas aparições marianas e até mesmo deixa claro aos que quiserem acreditar que se tratam sempre de “percepções interiores” e não de “uma ‘fotografia’ pura e simples do Além”.

Aliás, poucas são as devoções marianas que vêm de cima para baixo, oficializadas por papas e bispos antes de caírem no gosto do povo. Geralmente, elas nascem no cotidiano das preocupações dos fiéis. Justamente por isso, muitas delas acabam caindo em desuso com o tempo, enquanto outras vão surgindo conforme a necessidade – como no caso da Nossa Senhora dos Rins de Gabriel.

É só quando uma devoção se populariza a ponto de surgir a ideia de se instalar uma imagem oficialmente em uma igreja ou de se criar um santuário que passa a ser necessária a autorização do bispo local. Aí a devoção se “oficializa” um pouco, mas ainda assim a maioria dos títulos permanecem restritos geograficamente. Por exemplo: em São Paulo, Nossa Senhora Achiropita é um título amplamente festejado no bairro do Bixiga, onde há uma paróquia com esse nome, fundada por imigrantes italianos. Aqui em Curitiba, o título é basicamente desconhecido.

Voltando à pergunta inicial: sim, é possível “criar” um título mariano. Provavelmente o título não vai pegar se for criado apenas por razões de marketing ou coisa que o valha. Mas se surgir das preocupações que nos fazem voltar o olhar com confiança à intercessão de Maria, terá consistência. O mais importante, porém, é lembrar que se trata sempre dela: uma jovem pobre da Galileia em cuja pequenez Deus “tanto se deleitou que dela se deixou tecer a carne” (Papa Francisco).

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