Sempre Família - Porque cuidar é fundamental

Conecte-se ao Sempre Família

Siga-nos:
PUBLICIDADE

Felipe Koller

Acreditamos no Amor

Onde há amor, Deus aí está.

Bento XVI era a única opção no conclave de 2005, diz Francisco em entrevista

“Naquele momento da história o único homem com a estatura, a sabedoria e a experiência necessária para ser eleito era Ratzinger”, disse Francisco.

Bergoglio e o papa Bento XVI em Aparecida, em 2007.
Bergoglio e o papa Bento XVI em Aparecida, em 2007.

O papa Francisco confirmou em uma entrevista a um jornalista argentino que apoiou a eleição de Joseph Ratzinger – o papa Bento XVI – no conclave de 2005. “Naquele momento da história o único homem com a estatura, a sabedoria e a experiência necessária para ser eleito era Ratzinger. Se fosse de outro modo, haveria o risco de eleger um papa a partir de concessões. E isso, é importante dizer, não seria evangélico”, disse o papa.

A entrevista, publicada pela Editora Planeta na Argentina com o título Latinoamérica: Conversaciones con Hernán Reyes Alcaide, marca os dez anos da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, que aconteceu em 2007 em Aparecida. O próprio papa Bento veio ao Brasil abrir a conferência, cujo documento conclusivo teve como relator o então cardeal Jorge Mario Bergoglio.

Na conversa, Francisco diz ter lido uma entrevista com o teólogo uruguaio Alberto Methol Ferré logo antes de embarcar para o conclave que elegeria o sucessor de São João Paulo II. Nela, Methol dizia que ainda não havia chegado o momento de a Igreja ter um papa latino-americano e que Ratzinger era o candidato mais adequado. “Um insight esplêndido”, qualificou Francisco.

O “preparo” da América Latina para dar um papa a Igreja está relacionado justamente com a Conferência de Aparecida, que só aconteceu dois anos depois da eleição de Bento XVI. Ali, o projeto pastoral da Igreja latino-americana alcançou maturidade e retomou o seu próprio rosto, depois da Conferência de Santo Domingo, em 1992, tida por muitos como malsucedida.

Ratzinger e Bergoglio

A história de que Bergoglio teria sido um dos grandes candidatos do conclave de 2005 e que ele mesmo teria preferido redirecionar seus eleitores para Ratzinger corre por aí há anos, mas é a primeira vez em que o próprio Bergoglio confirmou a narrativa.

Basta passar os olhos pelas homilias e pronunciamentos de Bergoglio enquanto arcebispo de Buenos Aires, disponíveis no site da arquidiocese, para constatar que Bento XVI permaneceu uma referência fundamental para o magistério episcopal de Bergoglio durante todo o seu pontificado.

Não custa lembrar que a primeira coisa que Francisco fez ao ser apresentado no balcão da Basílica de São Pedro como o novo papa foi rezar pelo seu predecessor, puxando um pai-nosso e uma ave-maria. E, mesmo antes disso, assim que foi eleito, telefonou ao papa emérito para saudá-lo. Em outubro do mesmo ano – 2013 –, em um evento da Fundação Ratzinger, Francisco lembrou que “Bento XVI fazia teologia de joelhos” e “colocou-a à disposição na forma mais acessível”.

4 anos de Francisco: há confusão na Igreja?

Um ano depois, inaugurou um busto de Bento XVI na sede da Pontifícia Academia das Ciências, ocasião em que disse que “o espírito” de Ratzinger e de seus ensinamentos, “longe de se fragmentar com o passar do tempo, se manifestará de geração em geração cada vez maior e mais poderoso”.

“Bento XVI: um grande papa! Grande pela força e perspicácia da sua inteligência, grande pela sua contribuição relevante para a teologia, grande pelo seu amor à Igreja e aos seres humanos, grande pela sua virtude e religiosidade”, disse Francisco na ocasião. “Sem dúvida, dele nunca se poderá dizer que o estudo e a ciência aridificaram a sua pessoa e o seu amor a Deus e ao próximo mas, ao contrário, que a ciência, a sapiência e a oração dilataram o seu coração e espírito. Demos graças a Deus pelo dom que concedeu à Igreja e ao mundo com a existência e o pontificado do papa Bento”.

Ruptura?

Já conversamos aqui no blog sobre como a pretensa “confusão na Igreja” que alguns atribuem ao pontificado do papa Francisco só existe devido ao fato de que o magistério de São João Paulo II e de Bento XVI foi recebido de modo seletivo e distorcido em muitos ambientes – muitas vezes, naqueles que mais posam de incondicionalmente fiéis ao magistério.

Ao mesmo tempo em que a caricatura do papa Bento como um papa conservador, fechado e intransigente afastou muita gente, também atraiu outros tantos – mas continuou a ser uma caricatura, e não o verdadeiro Ratzinger, que já deixou claro, sobretudo no livro-entrevista O último testamento, seu apreço pelo estilo de Francisco. “Há um novo frescor no seio da Igreja, uma nova alegria, um novo carisma que se dirige aos homens, é algo muito bonito”, disse o papa emérito.

Hierarquia das verdades: uma tomada de consciência importante para quem quer evangelizar

“Naturalmente, podem-se interpretar mal alguns pontos para depois dizer que agora tudo mudou. Se se tomam episódios isolados, podem-se construir contraposições, mas isso não acontece quando se considera o todo. Talvez haja acentos diferentes, mas não há contraposição alguma”, disse ainda Bento XVI.

Ainda falando sobre o seu sucessor, Bento deixou claro como vê a Igreja: “A Igreja está em movimento, é dinâmica, é aberta, tem diante de si perspectivas de novos desenvolvimentos. Ela não está congelada em esquemas: sempre acontece algo surpreendente. Ela possui uma dinâmica intrínseca capaz de renová-la constantemente. O que é belo e encorajador é que precisamente em nossa época acontecem coisas que ninguém esperava e que mostram que a Igreja é viva e transborda de novas possibilidades”.

***

Leia também:

O papa Francisco e a pena de morte: uma revolução?

A longa história da preocupação da Igreja Católica pelos refugiados

Quando a fé se torna ideologia: entrevista com o padre Marko Ivan Rupnik

***

Por

Comentários

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Leia também