Moda inclusiva

Designer cria roupas exclusivas para pessoas cegas e com mobilidade reduzida

  • Por Lucian Haro
  • 27/08/2020 17:43
Cygnus Moda Inclusiva produz roupas com etiquetas em braile, cheiros para indicar a cor dos tecidos, botões com imã e zíperes nas laterais
A modelo usa uma das peças da Cygnus Moda Inclusiva, que tem como diferencial o zíper lateral e o cós anatômico que facilita na hora de vestir| Foto: Divulgação/Cygnus Moda Inclusiva

Foi depois de sentir, na pele, a dificuldade que é vestir uma pessoa com mobilidade reduzida, que a designer de moda Maristela Szarnobay decidiu que era hora de focar nesse público. “Minha mãe teve artrite reumatoide em um grau altíssimo e eu tinha que trocá-la. Era horrível, porque ela sentia muitas dores”, diz.

Na época, Maristela lembra que chegou a procurar peças adaptadas no mercado, mas não achou nada à pronta entrega. “O que tinha eram peças maiores (a maioria do setor masculino). Aí eu passei a comprar e adaptar para ela”, comenta.  

Anos mais tarde, veio de um professor do curso de Moda, no entanto, o start para começar a própria linha de produção. “Ele fez um desafio para que todas as alunas participassem de um concurso de peças inclusivas. Eu participei e fiquei em quarto lugar”, recorda. Desde então, a paulistana formada em Arquitetura – que hoje mora no interior do Paraná – não parou mais. “Minha terceira coleção já está na mesa de corte”, adianta. Apaixonada por alfaiataria, ela garante “prezar muito pela qualidade no corte, na costura e nos acabamentos”.

Diferenciais

Entre as criações da marca, blusas com a parte de trás maior do que a parte da frente (o que facilita na hora de “passar” os braços), calças com o cós anatômico – que se molda ao corpo e não machuca a barriga – além de várias adaptações.

“Eu passei a substituir os botões com casa das camisas por botões com imã e fiz também peças com o zíper que, em vez de ser na frente, é na lateral. Coloquei, ainda, argolas para que a própria pessoa consiga puxar”, ressalta Maristela. Mudanças que, segundo ela, fazem toda a diferença.

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As peças contam com etiquetas em braile e cheiros para indicar a cor das roupas aos cegos, e para quem tem pouca mobilidade (como a modelo na foto), botões com imã, zíperes nas laterais e calças com cós anatômico são o diferencial. Foto: Divulgação/Maristela Szarnobay

Cores e cheiros

A designer de moda de Quatiguá também pensou nas pessoas cegas, ou com baixa visão, ao criar peças com letras grandes (que mostram o tamanho), escrita em braile na etiqueta e cheiros para indicar a cor dos tecidos. “Eu me baseei na memória olfativa. Então, a blusa rosa tem cheiro de rosas. Para as peças bege e amarelinhas, baunilha”, explica Maristela.

Uma pessoa que perde a visão, segundo ela, leva até cinco anos para aprender a ler e escrever em braile – o que complica a hora de escolher as roupas em uma loja ou mesmo no guarda-roupas. Outro diferencial da linha, é que as coleções são lançadas em cápsulas, ou seja, poucas peças por vez. “São modelos que se mesclam entre si. Tudo combina com tudo: qualquer parte de cima vai combinar com qualquer parte de baixo”, conta a designer de moda, revelando preocupação com o visual das clientes.

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