Automedicação

Remédio popular contra acidez estomacal é associado a diabete tipo 2

  • Por Adriano Justino
  • 29/10/2020 17:36
Pesquisa descobriu associação entre uso de medicamento e desenvolvimento de diabete tipo 2.
Pesquisa descobriu associação entre uso de medicamento e desenvolvimento de diabete tipo 2.| Foto: Bigstock

Um medicamento que vive na bolsa dos brasileiros está associado ao aumento do risco de desenvolver diabete tipo 2. O inibidor de bomba de prótons, usado no tratamento de acidez estomacal contra úlceras gástricas e refluxo gastroesofágico, mas usado largamente e muitas vezes de forma errada, poderia ter esse como um dos seus piores efeitos adversos associados.

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A análise, feita sobre três estudos – Nurses Health Study (NHS), NHS II e Health Professionals Follow-up Study , foi publicada recentemente no The British Medical Journal e mostrou que pacientes que usam esses medicamentos que têm entre os nomes mais conhecidos o Omeprazol, mas que englobam diversas outras substâncias de nome com o fim “prazol”, apresentaram um risco 24% maior de desenvolver diabetes tipo 2 quando comparados com os pacientes que não usaram os inibidores da bomba de prótons. O risco de diabete aumentou de acordo com a duração do uso do medicamento.

Apesar de a pesquisa apontar uma associação, não uma relação de causa-efeito, de acordo com Silmara Leite, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o uso de inibidor de bombas de prótons poderia predispor à diabete tipo 2 pela mudança na microbiota intestinal, que induziria o crescimento de bactérias que aumentam a resistência à insulina.

Além desse tipo de medicamento, segundo Silmara, há outros que comprovadamente predispõem ao aparecimento da diabete. “Os corticoides predispõem ao desenvolvimento de diabete, assim como alguns anti-psicóticos como a Clozapina e Olanzapina”, afirma.

Atitudes ruins

Além de remédios, algumas atitudes podem predispor ao surgimento da diabete tipo 2 como o sedentarismo, a alimentação com alimentos ultraprocessados, que também alteram a microbiota intestinal e o aumento de peso, assim como o desequilíbrio da vida com muito estresse, que também predispõe ao diabete em pessoas de risco. “Na maioria das vezes a diabete é uma doença silenciosa e as pessoas de risco aumentado para desenvolver a doença devem fazer o exame de glicemia, pelo menos, anualmente”, diz ela.

Interromper a diabete

Não existe uma maneira de se barrar a diabete, mas, de acordo com Silmara, identificando os riscos de desenvolver a doença que são a história familiar de primeiro grau (se pai, mãe ou irmãos têm diabete), se tem pressão alta, obesidade, colesterol elevado e sedentarismo, as pessoas podem começar a mudar o estilo de vida para aumentar a atividade física, se alimentar de forma mais saudável aumentando o consumo de fibras, que a prevenção será efetiva na maioria dos casos. “Com as medicações mais modernas existe a possibilidade de regenerar as células pancreáticas e obter a remissão do diabete quando recém-diagnosticado”, diz ela.

Os pesquisadores assinalam que embora este seja um estudo observacional e não possa estabelecer causalidade, essa associação pode ter importantes implicações na prática clínica, e deve ser levado em consideração na hora da prescrição.

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