Doença do beijo

Mononucleose se confunde com dor de garganta, mas demora mais para curar

  • Por Amanda Milléo
  • 11/05/2020 16:03
Mononucleose, ou também chamada de doença do beijo, tem duração maior que dor de garganta comum, além de terem causas diferentes
O Epstein Barr, vírus conhecido por gerar a mononucleose, ou a “doença do beijo”, causa sintomas que confundem médicos e pacientes| Foto: Bigstock

Em um primeiro olhar, dificilmente os médicos apontam para os sintomas da dor de garganta do paciente e indicam como causa o vírus Epstein Barr, culpado pela mononucleose. Não porque seja uma doença incomum, mas em comparação às infecções de garganta, a chamada "doença do beijo" é mais rara.

Dos sintomas mais associados à doença, febre, fadiga e gânglios inchados são bastante comuns, e a pessoa infectada tende a senti-los com intensidade, especialmente os adolescentes. "Os gânglios no pescoço ficam bem grandes e depois de um tempo o olho incha. Isso assusta bastante os médicos que não estão acostumados com o vírus porque acham que pode ter um comprometimento do rim. E é uma doença com um tempo de melhora longo", explica Myrna Campagnoli, médica endocrino-pediatra, diretora do Frischmann Aisengart, do Ghanem Laboratório e do Grupo São Camilo.

Enquanto em uma infecção de garganta normal a doença leva três a quatro dias, depois de iniciado o tratamento com antibiótico, para reduzir os sintomas, a mononucleose tende a levar 10 a 14 dias, segundo a médica.

"Como essa é uma infecção viral com sintomas parecidos aos da garganta inflamada, o paciente recebe o antibiótico, mas não melhora. Depois 10 a 14 dias para melhorar completamente. É uma alerta importante aos pais, aos adolescentes e adultos também", reforça a médica, que esclarece: infecções causadas por vírus não são tratadas com antibióticos, medicamentos voltados apenas ao tratamento de infecções bacterianas.

Doença do beijo sem tratamento

Uma vez diagnosticada a infecção pelo Epstein Barr, o tratamento visa apenas o controle dos sintomas, por meio de repouso, consumo de líquidos, medicamentos antitérmicos para o combate da febre e analgésicos contra a dor.

"O principal reforço que deve ser feito são as medidas de higiene total. Lavar as mãos, não compartilhar copos ou itens de uso pessoal, em caso de suspeita da doença. Ter a etiqueta do espirro e tosse para não disseminar o vírus. São orientações que valem não apenas para o Epstein Barr, mas em tempos de novo coronavírus e gripe, valem também", afirma a médica endócrino-pediatra.

Idosos e crianças, ou pessoas com problemas na imunidade, precisam ficar atentas à mononucleose. Como o sistema imunológico do corpo é comprometido com a doença, outras infecções oportunistas, de origem bacteriana ou fúngica, podem se aproveitar e gerar complicações.

Vírus escondido

Há quem tenha entrado em contato com o vírus – e um dos meios mais comuns de transmissão é pelo beijo, por isso o nome "doença do beijo" e de acometer mais os adolescentes – mas não tenha desenvolvido nenhum sintoma. Isso pode acontecer, conforme explica a médica endócrino-pediatra Myrna Campagnoli.

"Algumas pessoas podem ser portadoras do vírus e não desenvolver a doença. Às vezes, quando a gente conversa e brinca com os pacientes por ser a doença do beijo, eles dizem 'eu não beijei ninguém doente'. Muitas vezes beijou um portador. E a transmissão não ocorre só pelo beijo, mas por outras formas de contato com a saliva, como compartilhamento de copos", exemplifica.

O vírus, porém, não fica alojado no organismo da pessoa e nem predispõe a outras doenças, como no caso da catapora. Mesmo anos após ter a catapora, como o vírus se aloja nas terminações nervosas, o paciente pode vir a desenvolver, caso não tome a vacina, a doença herpes-zóster.

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