Gestação

Não pode isso, não pode aquilo: conheça 12 cuidados que você realmente deve ter na gravidez

  • Por Raquel Derevecki
  • 09/05/2020 13:50
Não usar determinados produtos de beleza e escolher períodos específicos para viajar são cuidados importantes para a saúde do bebê
Não usar determinados produtos de beleza e escolher períodos específicos para viajar são cuidados importantes para a saúde do bebê| Foto: Freepik

A partir do momento em que o teste de gravidez apresenta “positivo”, todos ao redor parecem se transformar em especialistas na área de saúde gestacional, afirmando que a mulher não pode mais pintar o cabelo, descolorir pelos, tomar café, viajar, comer em restaurantes ou brincar com seu gato durante a gravidez. Mas até que ponto essas e outras orientações são verdadeiras?

Quem responde é a médica Sueli Kubiack Gorla, membro da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa). Para isso, ela aponta os 12 cuidados mais importantes durante a gestação e como cada um deve realmente ser aplicado.

  1. Não pintar ou alisar o cabelo

    O primeiro item da lista é a orientação de não mudar a cor do cabelo ou alisá-lo durante a gravidez, pois, de acordo com a obstetra, cada produto usado nesses procedimentos contém fortes substâncias químicas, que são absorvidas pelo couro cabeludo e chegam à corrente sanguínea. “Dessa forma, passam pela placenta e podem, sim, atingir o feto”, alerta.

    A orientação, então, é evitá-los durante os três primeiros meses da gestação. “E, depois desse período, é possível usar tonalizantes e outros produtos naturais, mas sem passar na raiz do cabelo”, aconselha a especialista, ao pontuar que os procedimentos devem ser realizados em ambiente bem arejado, com máscara devido ao cheiro forte, acompanhamento de um profissional e seguindo todas as determinações do fabricante.
  2. Cuidar ao descolorir pelos

    Assim como ocorre com procedimentos para o cabelo, produtos escolhidos para realizar a descoloração de pelos também exigem cuidado, principalmente no início da gestação. Por isso, é necessário observar os ingredientes da composição, deixando para usar fórmulas com água oxigenada somente a partir do segundo trimestre de gravidez. “Antes disso, use produtos de camomila”, sugere a obstetra.
  3. Evitar sustos extremos

    Ouvir um barulho mais alto ou sentir o coração acelerado ao receber uma surpresa não faz mal ao bebê. No entanto, se o nível de estresse for muito elevado, a criança pode ser afetada devido à alta liberação de adrenalina e de outras substancias pelo organismo. “Um susto extremo aumenta as chances de abortamento, pode provocar trabalho de parto prematuro e influenciar no baixo peso no neném”, aponta Sueli, ao orientar as gestantes a manterem a calma durante toda a gravidez, pois níveis elevados e constantes de estresse também podem causar asma e alergias ao filho.
  4. Não viajar no início e no fim da gravidez

    Outro cuidado importante é em relação aos passeios mais longos, de carro ou avião. “O melhor período para essas viagens é entre o terceiro e o sétimo mês de gravidez, ou seja, da 14ª e 32ª semana”, orienta a ginecologista. Segundo ela, isso é necessário para evitar complicações no início e no final da gestação, pois no primeiro trimestre o bebê ainda está em formação e, no último, há risco de trabalho de parto prematuro.

    Além disso, mesmo no período seguro para a viagem é necessário avaliar a duração dela, local de destino, opções de atendimento emergencial disponíveis na região e a documentação solicitada pela companhia aérea. “E, claro, ter alguns cuidados no trajeto”, aponta a especialista, que indica paradas para caminhar no decorrer da viagem, realização de flexão dos pés para estimular a circulação sanguínea e uso de meias elásticas, diminuindo o risco de trombose.
  5. Reduzir o consumo de café

    Vale atentar também para o consumo de cafeína, pois esse estimulante eleva o ritmo cardíaco e altera o metabolismo. “Ele também é diurético, então aumenta o número de vezes em que a gestante precisa urinar, e pode provocar insônia, dor de cabeça e comprometer a absorção do ferro, levando à anemia”.

    Com todos esses fatores, a obstetra aponta ainda que o alto consumo de café durante a gravidez traz maior risco de aborto, feto com baixo peso e parto prematuro. “Por isso, é importante ter moderação no consumo e cuidar também com outros produtos que contém cafeína, como chá verde, refrigerantes, chocolates, energéticos e analgésicos”. Além disso, “dá para substituir o famoso cafezinho por um chá de alcaçuz, alfarroba em pó, água com limão ou semente de linhaça, que vão te estimular e aumentar sua sensação bem-estar”, garante Sueli.
  6. Não tomar alguns tipos de chá

    É comum trocar o consumo do café pelo uso dos chás em geral, o que pode trazer inúmeros benefícios. No entanto, a especialista alerta que algumas variedades não devem sem consumidas em hipótese alguma durante a gravidez. São elas: arruda, buchinha-do-norte, canela, boldo, zimbro, raiz de Angélica, alecrim, sene e chá da videira. “Eles podem levar à malformação e abortamento. Então, nada de usá-los na gestação”.
  7. Observar a fórmula dos produtos de beleza que usa

    Também é comum ouvir pessoas falando que mulheres não devem usar cremes anti-idade e outros produtos de beleza durante a gravidez, mas isso depende dos ingredientes. De acordo com a ginecologista, é necessário suspender o uso dos itens que possuem ácido retinóico, ácido glicólico com concentração superior a 10% ou ácido salicílico, pois podem causar malformação do bebê.

    Também é importante evitar cremes para o corpo que contenham chumbo, mais de 3% de ureia ou cânfora. “E cuidado com filtros solares com metoxicina, e com os desodorantes, maquiagens ou shampoos com parabenizemos, que podem levar a alterações hormonais”, aponta.
  8. Usar protetor solar

    Ao confirmar que seu bloqueador solar é seguro, ele deve se tornar seu companheiro diário – se ainda não é. De acordo com a médica, isso precisa ocorrer porque a gestante produz mais melanina e, por isso, corre maior risco de sofrer insolação e apresentar manchas escuras na face, conhecidas como melasma. “Essas manchas são difíceis de serem tratadas, então cuide com o tempo de exposição ao sol, use filtro solar e, se for à praia, ande de chapéu ou boné, lembrando de se hidratar bem ao tomar muita água”.
  9. Cuidar com alimentos que consome

    Lavar muito bem todas as frutas e verduras deve se tornar um hábito durante a gestação, pois isso evita que a mulher entre em contato com toxinas ou bactérias que possam prejudicar o desenvolvimento do bebê. Além disso, é importante preferir alimentos cozidos, de alto valor nutricional e de procedência conhecida.
  10. Usar produtos de limpeza com luva e em ambientes ventilados

    Ainda de acordo com a obstetra, o uso de produtos de limpeza em locais sem ventilação adequada pode causar problemas respiratórios nos primeiros anos da criança. Por isso, é necessário que a gestante abra as janelas ou ligue o ventilador sempre que realizar alguma faxina. “E o ideal é optar por produtos naturais, à base de vinagre ou bicabornato de sódio, e sempre colocar luvas, pois os produtos químicos podem ser absorvidos pela pele”.
  11. Cuidado com cães e gatos

    Outra orientação importante é em relação ao cuidado com animais de estimação, já que a gestante deve evitar limpar fezes e urina de cães e gatos. Segundo a especialista, isso ocorre porque o contato com esses resíduos pode causar toxoplasmose, aumentando risco de abortamento, malformação e cegueira do bebê. “Lembrando que gatos são portadores do toxoplasma e não desenvolvem a doença, então o cuidado deve ser ainda maior”.
  12. Não beber ou fumar

    Por fim, é necessário interromper o uso de álcool ou cigarro, pois prejudicam gravemente o desenvolvimento do bebê. De acordo com a ginecologista, o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de deficiência intelectual no bebê e o maior responsável por anomalias congênitas. “E não existe uma quantidade segura de consumo, pois o bebê é extremamente vulnerável e o álcool atravessa a barreira placentária em qualquer fase da gestação”, informa.

    Já a nicotina presente no cigarro compromete as artérias da placenta, reduzindo a quantidade de nutrientes e de oxigênio recebidos pela criança. “Isso retarda o crescimento e favorece malformações congênitas, como lábio leporino, complicações digestivas e respiratórias”, exemplifica Sueli, ao citar que o fumo também aumenta o risco de aborto, trabalho de parto prematuro, diminuição do leite materno e maior chance de doenças respiratórias na infância. “Sem contar que a mãe corre mais risco de infarto, câncer e trombose. Então, o melhor a fazer é cuidar”, finaliza.
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