Sede da Moderna em Cambridge, no estado americano de Massachusetts.| Foto: Maddie Meyer/Getty Images/ AFP
Ouça este conteúdo

A empresa farmacêutica Moderna anunciou nesta segunda-feira (16) que a sua vacina contra o novo coronavírus teve eficácia de 94,5%, com base em resultados preliminares dos testes de fase 3 que ainda estão em andamento. Os pesquisadores disseram que a vacina é melhor do que eles podiam imaginar, mas que levará meses até que o imunizante esteja disponível amplamente.

Siga o Sempre Família no Instagram!

A vacina candidata, chamada mRNA-1273, está sendo testada em mais de 30 mil voluntários nos EUA. Nos testes, os pesquisadores inoculam parte dos voluntários com a vacina e parte com placebo, uma substância inerte, para depois comparar os casos da doença nos dois grupos.

Duas semanas após a inoculação da segunda dose da vacina, foram confirmados 95 casos de Covid-19; desses, 90 foram de participantes do grupo que recebeu placebo e 5 foram de pacientes que receberam a vacina, "resultando em uma estimativa pontual de eficácia da vacina em 94,5%", disse a empresa em comunicado.

CARREGANDO :)
CARREGANDO :)

Os pesquisadores também analisaram a ocorrência de casos graves de Covid-19. Todos os 11 casos desse tipo foram registrados entre os participantes que tomaram placebo, e nenhum entre os que receberam a vacina.

A análise preliminar também concluiu que não houve questões de segurança significativas. Uma revisão dos eventos adversos indicou que a vacina é, no geral, bem tolerada e que a maioria dos efeitos colaterais foi de leve a moderado, com curta duração, segundo a empresa. Eventos severos incluíram dor no local da aplicação (2,7% dos casos), fadiga (9,7%), mialgia (dor muscular, 8,9%), artralgia (dor nas articulações, 5,2%), dor de cabeça (4,5%), dor (4,1%) e vermelhidão no local da aplicação (2%). A Moderna ressaltou que esses dados podem mudar no decorrer dos testes antes da análise final.

Os resultados foram analisados por um painel independente de segurança nomeado pelo Instituto de Saúde Nacional (NIH) dos EUA. No entanto, os dados ainda não foram publicados em um periódico científico e os detalhes não foram divulgados pela empresa para que outros pesquisadores avaliem as declarações. Como os testes continuam em andamento, os números podem mudar antes da conclusão do estudo.

A Moderna é a terceira em uma semana a divulgar resultados preliminares aparentemente positivos de testes com vacinas contra a Covid-19; na semana passada, a Pfizer anunciou que a sua vacina desenvolvida em parceria com a BioNTech demonstrou eficácia de mais de 90%.

Em seguida, o governo da Rússia afirmou que a sua vacina, a Sputnik V, tem 92% de eficácia, segundo dados iniciais. Outras dez vacinas experimentais estão na fase 3 dos testes, quando o produto é aplicado em um grande número de voluntários para testar a sua eficiência.

Publicidade

Produção e distribuição

"O recente comunicado à imprensa é baseado em um estudo de 30 mil adultos nos EUA, incluindo muitas pessoas de alto risco e idosas. Isso nos dá confiança de que os resultados são relevantes para as pessoas que estão em maior risco de Covid-19 e que mais precisam da vacina", disse Peter Openshaw, pesquisador de Medicina Experimental do Imperial College em Londres, que não está envolvido no estudo da Moderna, ao Science Media Centre.

A Moderna já havia informado que a sua vacina candidata pode ser armazenada em um freezer comum, a -20 graus Celsius, por até seis meses, e por até 30 dias em temperatura de 2 a 8 graus Celsius. Isso facilita a distribuição da vacina em comparação à vacina da Pfizer, que precisa de resfriamento de -70 graus Celsius.

No entanto, a vacina da Moderna tem uma quantidade maior de mRNA por dose (100 microgramas) em comparação à da Pfizer (30 microgramas). "Isso significa que a vacina da BioNTech/Pfizer pode ser produzida em números substancialmente maiores em comparação à vacina da Moderna usando a mesma escala de processo de produção. Ainda, devido à menor quantidade por dose, o custo de produção da vacina da BioNTech/Pfizer será menor do que o da vacina da Moderna", comparou o engenheiro de bioprocessos Zoltán Kis, pesquisador de vacina no Imperial College.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]