A dificuldade para dormir atinge cerca de 75% das gestantes do início ao fim da gravidez
A dificuldade para dormir atinge cerca de 75% das gestantes do início ao fim da gravidez| Foto: Bigstock

Ela vira para um lado, mas o tamanho da barriga atrapalha. Tenta dormir para o outro lado e começa a sentir formigamentos. Reúne, então, todos os travesseiros da casa na tentativa de se acomodar, mas, assim que pega no sono, acorda com vontade de ir ao banheiro, sofrendo com azia, câimbra ou assustada devido a um novo pesadelo. Como ter uma noite tranquila desse jeito? De acordo com a médica obstetra Liliane Bicudo, essa dificuldade relacionada às noites de descanso atingem cerca de 75% das gestantes do início ao fim da gravidez, e a lista de motivos é imensa.

“Afinal, os níveis hormonais delas dobram a cada 48 a 72 horas, o corpo passa por muitas transformações e a mulher ainda lida com bastante ansiedade”, afirma, ao citar preocupações e insegurança relacionadas à gestação, ao desenvolvimento do bebê e, principalmente, ao momento do parto. “E, em 25% dos casos, o distúrbio se torna tão sério que é necessário tratamento medicamentoso”, aponta.

Além disso, ela explica que nos meses finais da gravidez ocorre acentuado crescimento da barriga devido ao ganho de peso do bebê, o que faz o diafragma se deslocar para a região do tórax, dificultando a respiração. Assim, a mulher pode enfrentar situações de falta de ar e apresentar roncos durante a noite. “Sem contar que o próprio ‘barrigão’ atrapalha o sono, já que a gestante não encontra posição confortável para dormir”, completa.

Por isso, algumas dicas são essenciais para facilitar a adaptação nessa fase e evitar cansaço excessivo durante o dia, olheiras e a irritabilidade provocada pela falta de descanso. “Principalmente porque o sono inadequado promove estresse maior na mãe, a impede de desenvolver suas atividades habituais e pode resultar em quadros de depressão no pós-parto”, alerta.

O que fazer?

No caso da assistente de Recursos Humanos Eliédina Alencar Blaskovi, por exemplo, foi necessário mudar a rotina na hora de dormir para manter o sono em dia na gravidez. “Comecei a tomar chá de camomila à noite para me tranquilizar e escutava músicas bem calmas”, relata. “E, claro, colocava travesseiros entre as pernas e do lado da barriga para tentar me acomodar na cama”, brinca a mãe do pequeno Daniel Alencar Blaskovi, de um ano.

Segundo a obstetra Liliane Bicudo, essas dicas são essenciais e podem ser colocadas em prática com outras sugestões como banho morno na hora de dormir ou a ingestão de um copo de leite, que é rico em triptofano e estimula a liberação de um regulador do sono chamado serotonina. “E outro detalhe bem importante é evitar o uso de aparelhos eletrônicos ao deitar”, aponta a especialista, ao citar ainda o melhor jeito de a gestante pegar no sono: virada para o lado esquerdo.

Essa posição, de acordo com a médica, é ideal para aliviar dores lombares, estimular o fluxo sanguíneo da mãe e facilitar a distribuição de oxigênio e nutrientes para o bebê. “Lembrando que um pouco de calma, apoio familiar, redução na jornada de trabalho, atividades físicas leves e uma boa alimentação também ajudarão”, finaliza.

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