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Crédito: Bigstock.
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Comportamento, Saúde

Pesadelos em crianças podem estar relacionados a distúrbios mentais

Pesquisa feita por professores da Universidade de Warwick sugere ligação entre a presença de pesadelos persistentes na infância e experiências psicóticas na adolescência

Se seu filho tem pesadelos recorrentes, fique alerta. Um estudo publicado no British Journal of Psychiatry descobriu que crianças que relatam ter pesadelos com frequência têm mais chance de desenvolver sintomas psicóticos como delírios e alucinações na adolescência. Durante a pesquisa foram recolhidos relatos de pais de mais de 4 mil crianças do Reino Unido entre 2 e 9 anos de idade.

Depois dessa primeira fase de estudos, as crianças foram entrevistas duas vezes, aos 12 e 18 anos de idade. Após avaliar as entrevistas e relatos, os pesquisadores concluíram que as crianças que relatam pesadelos e terror noturno com frequência têm duas vezes mais chances de experimentar sintomas psicóticos na adolescência.

Para um dos autores do estudo, Andrew Thompson, da Warwick Medical School, embora sejam necessárias pesquisas complementares para estabelecer com exatidão de que forma os pesadelos se relacionam com os distúrbios psicóticos, já é possível ver os pesadelos persistentes em crianças como um indicador de risco para o desenvolvimento de desordens mentais futuras, principalmente quando acompanhados de outros fatores de risco, como histórico familiar de problemas psiquiátricos, traumas e problemas do sono.

Ainda assim, Thompson alerta que pesadelos eventuais são comuns, tanto durante a infância quanto na adolescência e na vida adulta e não precisam ser motivo de preocupação. O problema é quando os sonhos ruins tornam-se rotina, levando a problemas de comportamento ou terrores injustificados.

 

Como lidar com os pesadelos

Jodi Mindell, especialista da Fundação Nacional do Sono norte-americana, ensina que um dos principais erros que os pais cometem ao lidar com uma criança que tem pesadelos e fica com medo de dormir é a negação. O ideal é ouvir o relato da criança com atenção, sem fazer pouco caso ou ridicularizar seus medos, tentando entender suas origens. Mesmo que aos olhos dos adultos pareça que o terror da criança é injustificável, para ela é bem real.

No caso de um sonho ruim, ouvir a criança e passar segurança a ela, através do toque físico, de palavras de encorajamento e pensamentos positivos normalmente é suficiente. Se não for, os pais podem usas estratégias para deixar a criança mais segura na hora de dormir, como a instalação de luzes noturnas, deixar a porta do quarto aberta, adoção de “objetos de segurança” – um bichinho de pelúcia, por exemplo –, ou manter um animal de estimação por perto.

Aprender a lidar com o escuro e enfrentar os próprios medos pode ser outra forma de trabalhar o problema. Brincadeiras com lanternas, sombras e luzes é uma maneira de mostrar à criança que o escuro – e por extensão a noite e o sono – não é assustador, mas amigável e divertido. Os pais também podem compartilhar as próprias experiências de como lidar com o medo com as crianças. Evitar que os pequenos assistam a filmes ou programas muitos assustadores antes de dormir é outra dica para deixar os pesadelos bem longe.

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