O papel do colo se modifica ao longo da vida, mas uma coisa é certa: melhor pecar pelo excesso que pela falta
| Foto: Huseyin Akuzum/Unsplash

Uma necessidade de primeira ordem nos meses iniciais da vida da criança, um refúgio consolador durante a infância e uma brincadeira divertida que reforça laços entre pais e filhos às portas da pré-adolescência, o colo faz parte da vida de cada um de nós. Mas será que existe um momento em que ele deve ser abandonado em favor do desenvolvimento da criança?

Para a psicóloga Andreia Moessa de Souza Coelho, a necessidade de colo nunca acaba, mas se modifica. “O colo tem dimensões diferentes se estamos falando de um bebê de alguns meses, de uma criança de 3 anos, de uma criança de 10 ou de um adulto de 40, mas não há idade limite”, diz.

Adulto de 40? Sim. “O colo faz parte do desenvolvimento humano, tanto físico quanto emocional. É através do colo que temos suporte quando precisamos. A vida é cheia de altos e baixos e tanto crianças quanto adultos precisam literalmente de colo para passar por alguns desafios e se fortalecer emocionalmente para seguir em frente”, explica a educadora parental Ana Paula Franz. “Lá na frente, pode ser que os filhos precisem dar colo para seus pais da mesma forma como eles ganharam”.

Excesso?

Colo nunca é demais. “Alguns pais têm essa preocupação de estar mimando os filhos. Acho que deveríamos olhar pelo contrário. Temos mais crianças com problemas por falta de colo do que por excesso”, sublinha Andreia. “Se uma criança de 2 anos pede colo porque está cansada, com fome ou com sono, é porque o corpo dos pais é um lugar de conforto. Oferecer esse conforto a ajuda a se desenvolver”, diz.

“Para um bebezinho, o colo é o que faz ele se reconhecer como um serzinho. Ele estava dentro da barriga, envolto em líquido, sons e movimentos. Quando sai, para seguir mantendo o equilíbrio e o bem-estar, ele precisa de muito colo. Os três primeiros meses são chamados de exterogestação também por causa disso”, explica a psicóloga. “Depois, gradativamente o bebê começa a se interessar por outras coisas e ficar cada vez menos no colo. Mas quando uma criança pede colo, em geral é porque ela tem uma necessidade. Não vejo nenhuma razão para negar colo a essa criança”.

E não existe nada de errado com uma criança apegada aos pais, de acordo com Ana Paula. “Não ter confiança ou ser insegura é uma coisa, mas ser carinhosa e gostar do colo dos pais é outra e não é motivo de preocupação”, finaliza.

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