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Opinião

LEITOR: Dia da Família? Sim, mas sem acabar com Dia dos Pais e Dia das Mães

Leitores do Sempre Família discordam que a troca seja boa para quem não tem um dos pais e suspeitam que a medida pode ter objetivo de enfraquecer o conceito de família natural

A controversa substituição do Dia dos Pais e do Dia das Mães pelo Dia da Família é uma medida adotada por algumas escolas há tempos. Trata-se de uma troca vista como compreensível por alguns e até ofensiva por outros, dependendo sempre da motivação que levou a instituição a adotá-la. Criar um dia especial para celebrar a união da família é excelente, mas acabar com as comemorações específicas para se lembrar do pai e da mãe é discutível. Há quem diga que com o Dia da Família, as crianças que não têm o pai ou a mãe presente não se sentirão constrangidas da forma como supostamente se sentem em participar do Dia das Mães ou do Dia dos Pais. Contudo, há quem defenda que é importante para o crescimento do individuo passar por essas situações, com o apoio da família, para que cresça com um maior entendimento das questões que envolvem a construção da família.

Perguntamos aos nossos leitores, há algumas semanas, o que eles achavam dessa ideia. Pedimos para que deixassem sua opinião no campo de comentários da publicação feita no portal e também no post que fizemos em nossa fanpage. Em geral, as pessoas que interagiram apoiaram a criação do Dia da Família, contanto que o Dia das Mães e Dos Pais não fosse abolido. Em muitos dos comentários fica evidente, inclusive, a suspeita de que tal substituição pode não ser motivada pelas circunstâncias familiares reais dos alunos de determinada escola, mas sim como ação para enfraquecer o conceito de família natural, formada por pai, mãe e filhos. Essa seria a justificativa para a troca que mais gera repulsa.

Confira algumas das respostas:

Christine Veroneze de Oliveira comenta que o fato de ela ter ficado viúva quando seu filho tinha apenas um ano e meio de vida, não foi um motivador para que ela fizesse com que seu filho faltasse às comemorações de Dia dos Pais. Ela acha importante que as duas celebrações sejam mantidas, para mostrar aos alunos a importância do casal que lhes deu a vida. “No dia dos pais na escola do meu filho era difícil para ele e para mim, mas fazíamos as atividades e os presentinhos ele me dava. Teve um ano que o dever era fazer uma linha do tempo dele com o pai. Caprichei com ele e transformamos em uma homenagem ao pai dele. Colamos os cartões que meu marido me escreveu durante a gravidez falando do bebê que estava por vir e o primeiro ano de fotos, e foi importante para o meu filho. Esses eventos de pai e mãe de que participamos na escola são muito importantes para que a importância da família seja lembrada numa sociedade que quer destruí-la a todo custo”.

“Na escola das minhas filhas fizeram essa troca com a desculpa de que tem crianças que não têm pai ou mãe”, disse Edson Carlos Pineli, no Facebook. Para ele, essa teoria não é válida, já que sempre existiram crianças nessa situação e isso não é novidade. Além disso, na opinião dele, o real motivo para essa decisão é a desvalorização da raiz da família. Da mesma maneira pensa a leitora “Viva”, que analisa o fato de que crianças órfãs ou abandonadas sempre existiram e que isso precisa ser encarado e não negado. “Se a mãe não pode participar, que participe aquela pessoa que faz o papel equivalente ou mais próximo disso na vida da criança. Trata-se de reconhecer e promover carinho e retribuição da criança para com o seu pai e a sua mãe. Não é o caso de negar essa realidade tão ampla como se isso fosse diminuir a dor de uma criança que não tem o seu pai ou a sua mãe junto de si. O dia da família pode ser acrescentado, mas não ser o substituto do Dia dos Pais e nem do Dia das Mães”.

Na mesma linha de opinião de Edson e “Viva”, o leitor Pedro Hollanda exalta o papel da escola como auxiliadora da família na hora em que é necessário lidar com estas questões de perda. Ele exemplificou dizendo que o fato de extinguir o Dia dos Pais, não iria de maneira alguma ajudar a criança que por algum motivo esteja longe dele. “A postura da escola deveria ser a de auxiliar os familiares da criança a como lidar com a situação. O grande perigo é seguir uma lógica de afastar tudo que possa levar a algum tipo de sofrimento. Ora, aprender a lidar com momentos difíceis é um dos maiores ensinamentos que se pode dar a uma criança”, avaliou.

 

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