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A família Schorr (Cauã, Felipe, Cíntia e Isabela) criou regras para o bom uso do celular - Crédito: Arquivo Pessoal
A família Schorr (Cauã, Felipe, Cíntia e Isabela) criou regras para o bom uso do celular - Crédito: Arquivo Pessoal
Pais e filhos

Família pode conversar mais digitando menos

Pesquisas mostram que pais e filhos estão usando mais o celular, mas o relacionamento em família na vida real pode, e deve, priorizar momentos off-line que no final das contas são os que ficam na memória

Rafael Macedo, com colaboração de Talita Laurino – Gazeta do Povo

“Sai deste celular!” Se você é pai ou mãe provavelmente disse esta frase (talvez mais de uma vez), se for jovem com toda certeza já ouviu. Mas não são só os filhos que precisam ouvir este conselho. É cada vez mais comum observar todos da família absorvidos pelas telas brilhantes dos dispositivos móveis. O estudo feito por pesquisadores das Universidades de Oxford e Warwick, na Inglaterra, apontou que pais e filhos estão passando mais tempo juntos naquele país. Porém, o período descrito como ‘juntos-sozinhos’, quando estão no mesmo ambiente, porém cada um com o próprio entretenimento, ocupa quase metade deste tempo. Calma, o celular não é um vilão a ser combatido, até porque isto seria bem complicado e em outras situações ele pode ajudar, inclusive. É interessante definir algumas regras para que todos sigam, acompanhar o uso pelos filhos e maneirar no tempo online. São medidas simples que aproximam e transformam o dispositivo em facilitador do diálogo em família.

De acordo com os estudiosos que acompanharam o convívio de famílias inglesas entre 2000 e 2015, o tempo em que os pais estão com os filhos passou de 347 para 379 minutos diariamente, ou seja, em 15 anos aumentou em mais de meia hora, o que é positivo. O problema é que o período em que cada um não está interagindo com outro ocupa 137 minutos do dia. Do total, em 87 minutos pais e filhos estão realizando atividades juntos, que pode ser uma refeição, brincadeira ou até mesmo assistir ao mesmo programa de televisão.

Filhos sentem-se desprezados com o uso exagerado do celular pelos pais

“As relações familiares antes da tecnologia e uso de telefones móveis eram de interações mais próximas, contato olho a olho, diálogo e a troca de afeto entre seus membros”, avalia Thaise Löhr Tacla, professora assistente do curso de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Na visão da especialista, o maior problema está no uso excessivo do celular sem controle e monitoramento. “Pode gerar consequências como transtornos de sono e de alimentação, baixo rendimento escolar, lesões por esforço repetido e exposição precoce a drogas”, enumera.

Para evitar o cenário em que pessoas dividem o mesmo cômodo sem trocar uma palavra, é importante que a disciplina no uso do aparelho seja estabelecida pela família desde cedo e seguida por todos. Os pais são os primeiros responsáveis pela socialização da criança com o mundo. “O que tenho observado é que alguns pais sentem dificuldades ao se depararem com as demandas dos filhos”, avalia a psicóloga Aline Melo. Neste contexto o celular acaba se tornando uma espécie de babá digital. Este comportamento é comum em locais públicos. Para conseguirem um minuto de paz em um restaurante, por exemplo, pais recorrem a tablets e celulares para se verem livre de uma função não tão agradável, mas que é deles, disciplinar, interagir e acalmar o filho que está tirando o sossego do resto das pessoas.

O conselho dos profissionais para os pais é ensinarem os filhos a sentarem juntos e participarem da conversa. “No caso de criança pequena que ainda não consegue manter a atenção e ficar sentada por muito tempo, a opção é buscar outras formas de entreter como com livros de pintura, conversa e brinquedos, essas são opções, mas que envolvem interação”, indica Thaise.

A psicóloga ressalta que a recomendação da Academia Americana de Pediatria é que entre 2 a 5 anos o uso dos aparelhos eletrônicos seja limitado a uma hora por dia, enquanto que de 6 a 12 o tempo de exposição seja no máximo de 2 horas. Antes dos dois anos de vida o uso não é nem recomendado. “Para os pais, é importante que não se preocupem com a quantidade de tempo que têm juntos aos filhos, mas com a qualidade. Para isto, invistam em algo que seja produtivo para a criança, brinquem, riam, conversem, pulem, se sujem, desfrutem esse tempo com atividades prazerosas, pois estes momentos são valiosos e serão estes que ficarão na memória das crianças”, aconselha Aline.

Mas a tecnologia não pode ser um problema somente na relação com os filhos. “O relacionamento do casal pode se afetar com a tecnologia, costumamos encontrar casais nos restaurantes cada um com seu celular. Se isso está acontecendo o casal pode fazer combinados como o de não mexer no celular nos momentos de refeição”, aconselha Thaise. É possível perceber que o celular está atrapalhando quando os tempos de conversa diminuem, ou até mesmo deixam de existir. “Se você observar que durante a refeição não conversou sobre nenhum assunto com seu parceiro ou com seus filhos, talvez seja o momento de repensar o uso do celular”, completa a professora da PUC-PR.

De boa com a tecnologia

Nem sempre é fácil controlar o uso dos celulares pelos jovens, mas regras fazem parte do aprendizado. Durante as refeições na casa da família Schorr o celular está proibido. É uma dificuldade especialmente para o pai, Felipe Martinez Silva Schorr, 41, e para a filha mais nova, Isabela Beatriz Schorr, 12, que são os campeões no uso do aparelho. Mas todos se acostumaram e aprovaram a ideia que veio da integrante mais analógica da família a professora e mãe de dois filhos Cintia.

Se perguntar para Cauã Henrique Schorr, 14, o filho mais velho, “e o celular?” a resposta segue o mantra: “não se usa à mesa”. Durante a semana mãe e filhos almoçam em casa todos os dias, o jantar cada um faz o seu horário. Nos finais de semana a família toda se reúne. “Durante as refeições é o momento em que mais conversamos”, admite o garoto que gosta de jogar futebol e vídeo game. Para ele, o celular fica em segundo plano no dia a dia, mas sempre está lá à disposição, principalmente para dar satisfação à mãe, conversar com os amigos por aplicativo de ligação e trocar informações sobre o esporte que une pai e filho.

Por que usar o celular enquanto conversa pode acabar com seu relacionamento

Felipe, que é coordenador de compras de uma grande empresa e também administra um negócio próprio, admite que utiliza bastante o dispositivo. Inclusive, é o único que leva chamada durante as refeições por não obedecer a principal regra da casa. “Uso muito o celular no trabalho, porque temos muitos contatos via Whatsapp com fornecedores, clientes internos e funcionários. Tem o e-mail corporativo no celular também”, justifica. O tempo de uso do aparelho móvel é registrado por um aplicativo. São 5h30 por dia, das quais duas horas quando ele está em casa. “Em algumas ocasiões admito que atrapalha um pouco, mas já estou usando menos”, se defende. Outro vício é checagem constante do Twitter.

Quem também tem a mania de olhar para o celular com frequência é a caçula da família. “Vejo vídeos, Instagram e memes”, enumera Isa. Apesar de ser vidrada na telinha, aprova as normas estabelecidas pela mãe. “Só levo bronca quando estou me enrolando no celular e tenho tarefa para fazer, aí minha mãe briga, mas isto quase não acontece”, defende-se.

“Além de não usar à mesa, também não é para ficar até tarde mexendo no celular”, conta Cintia. Mas ela admite que a segunda regra não sabe se o pessoal cumpre mesmo à risca. “Durmo antes de todo mundo, então não fico sabendo realmente até que horas vai o celular ligado”, brinca.

Para respeitar o espaço dos filhos, não há fiscalização no conteúdo que eles acessam. A tática na casa dos Schorr está em orientar os filhos no mundo offline. “Tudo vai da criação, conhecemos os amigos deles, os mais próximos frequentam nossa casa e acompanhamos o que eles fazem”, explica Felipe. “Eu tento saber o conteúdo, mas eles não deixam ver muito as conversas”, admite Cintia. Apesar de não estabelecer uma orientação do que fazer e não fazer na internet, quando surge um assunto que chama a atenção na imprensa, por exemplo, ela comenta com os filhos. “Mas eles já dizem: claro que a gente sabe né mãe, eerrrr…”, revela.

Outra estratégia de mãe atenta é acompanhar o que a turma dos amigos posta. “Muitos deles também são nossos amigos pelo Facebook, então a gente sabe de algumas coisas que estão acontecendo, festas, viagens”, comenta Cintia. Ela acredita que é uma forma de se aproximar também do mundo dos filhos, principalmente nesta fase, em que “os amigos são tudo para eles”.

Ativos e bem orientados

A grande preocupação dos pais é que crianças e jovens sejam expostos a conteúdos inapropriados, perigosos ou sofram assédio pelas redes. Uma pesquisa realizada com mais de 3 mil jovens de 9 a 17 anos e o mesmo número de pais ou responsáveis durante novembro de 2017 a maio do ano passado, mostra que eles são bastante ativos no mundo online e buscam informações que ajudem nos estudos. A pesquisa também mostra que os pais acreditam que orientam os filhos de forma correta.

Quanto às experiências negativas, o estudo destaca que estão mais relacionadas a situações de discriminação, principalmente entre os adolescentes. De acordo com TIC Kids Online Brasil 2017, 85% dos jovens acessaram a internet nos últimos três meses. Se forem considerados somente os adolescentes entre 15 a 17 esta percentagem sobe para 93%.

10 dicas de segurança digital para orientar os seus filhos a usar smartphones e tablets

Nos últimos anos, a preferência pelo celular subiu significativamente. Em 2012, o dispositivo móvel era utilizado apenas por 21% dos jovens para acessar a internet, hoje é o preferido por 93%. O interesse deles é mais global do que local e os assuntos escolares ocupam boa parte das pesquisas. Do universo entrevistado, 76% já realizaram buscas para trabalho da escola. Por outro lado, somente 22% deles procuraram informações sobre o que acontece na cidade ou no bairro onde vivem.

Quando a pergunta feita pelos entrevistadores foi se “havia visto alguém ser discriminado pela internet nos últimos 12 meses”, a resposta foi sim para 39% no geral. O índice sobe para 54% entre os jovens de 15 a 17 anos. As principais ofensas estão ligadas à cor, raça e aparência física. Quando o questionamento foi se ele sentiu-se discriminado apenas 8% responderam que sim.

De acordo com o levantamento, a maioria dos pais (70%) acredita que seus filhos usam a internet de forma segura. Quanto ao tipo de orientação que os responsáveis passam para os jovens, 84% ensinam como se comportar na rede com outras pessoas, 83% explicam que alguns sites são bons e outros ruins e 73% dos entrevistados explicam o que fazer se alguma coisa na internet incomodar ou chatear o jovem.

 Manual da boa convivência

De acordo com a professora e psicóloga Thaise Löhr Tacla, é importante os pais conhecerem seus filhos e aprenderem a respeitar, aceitando como são, valorizando as qualidades e sempre demonstrando interesse. Muitas vezes, os jovens buscam redes sociais para serem aceitos. Seguem as dicas:

– Incentive o diálogo, converse sobre assuntos de interesse do seu filho, busque se informar sobre o que ele gosta e o que faz.

– Encontre momentos de lazer em família: pode ser uma visita ao parque, clube, viagem ou passeio que sejam gratificantes para todos.

– Faça combinados e regras como não usar celular durante as refeições. Os pais devem criar regras e rotinas para a criança.

– Criar regras envolve também segui-las, os pais são modelo e que a criança também aprende por observação.

 

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