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Religião

Ex-ditador panamenho Noriega teria se convertido e sido batizado na prisão

“Recebi Jesus Cristo como meu Salvador no dia 15 de maio de 1990, às 11 da manhã”, diz uma carta escrita por Noriega.

O ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega, que liderou o país centro-americano de 1983 a 1989, morreu na segunda-feira (29/05) aos 83 anos. Capturado no início de janeiro de 1990 durante a invasão dos Estados Unidos ao Panamá, o general passou o resto da vida encarcerado, em prisões nos Estados Unidos, na França e no Panamá. Mas foi no começo da sua vida de presidiário que se deu um acontecimento curioso: a conversão e o batismo de Noriega.

Logo depois de ser detido pelo exército norte-americano, o ditador ficou preso por alguns dias em uma prisão federal perto de Miami. Naquele período, chegou à sua cela um pacote com seu nome. Dentro, havia uma bíblia em capa de couro – uma edição do Soul Winner’s New Testament, enviada pelo pastor Clift Brannon, de Longview, no Texas.

Durante os mais de dois anos em que o general aguardou seu julgamento, Brannon e seu colega Rudy Hernandez guiaram a sua conversão ao cristianismo evangélico – que culminou no batismo de Noriega, em uma banheira de fibra de vidro levada ao átrio de um tribunal federal, cercado por doze guardas. O pastor faleceu em 2005.

Bob Marley se converteu em cristão ortodoxo seis meses antes de morrer

Segundo o grupo American Rehabilitation Ministries, Noriega enviou uma carta a Brannon agradecendo pela bíblia poucos dias depois de receber o presente. Assim que recebeu a mensagem, o pastor pediu permissão para visitar o general na prisão. Junto com Hernandez, que atuava como tradutor, Brannon instruiu Noriega na fé cristã pelos meses seguintes. O general era católico não-praticante e tinha se envolvido com o ocultismo.

Em maio de 1990, em um encontro de três horas, o general teria pedido perdão por seus crimes e abraçado a fé cristã. O jornal The New York Times reportou o caso em 1991. Na ocasião, o seu advogado confirmou a conversão. Em suas próprias cartas, Noriega diz: “Recebi Jesus Cristo como meu Salvador no dia 15 de maio de 1990, às 11 da manhã”. Ele também diz que tinha “ilusões de grandeza e um coração endurecido para o Evangelho”.

O episódio, porém, não amoleceu o júri: em 1992, Noriega foi condenado a 40 anos de prisão por tráfico de drogas e conspiração. O juiz responsável pelo caso consentiu à petição de Brannon e Hernandez para batizar o condenado, o que se deu em outubro daquele ano. “Foi um daqueles momentos sagrados em que eu podia sentir Deus falando que estava muito feliz”, disse Brannon.

Se a conversão do general pode ser chamada de “autêntica” é algo difícil, senão impossível, de responder. Inicialmente aliado dos Estados Unidos e ativo da CIA, Noriega foi um ditador brutal acusado de matar oponentes e tornar o Panamá um paraíso para cartéis de traficantes. Há quem especule que ele simulou sua conversão para atrair a simpatia da mídia e a misericórdia dos juízes responsáveis pelo seu caso.

Não é raro que detentos intensifiquem a prática religiosa. Uma pesquisa de 2011 do Pew Research Center com capelães de prisões de todos os estados norte-americanos mostrou que 75% deles consideram que conversões ocorrem “muito” ou “em certa quantidade” nas prisões. “As penitenciárias americanas fervilham de atividades religiosas”, disse o instituto.

 

Com informações de Washington Post.

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