O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um dos diagnósticos psiquiátricos mais frequentes entre os pequenos.
O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um dos diagnósticos psiquiátricos mais frequentes entre os pequenos.| Foto: Vitolda Klein/Unsplash

A natureza acalma e ajuda na concentração? Talvez afirmar isso seja muito mais do que senso comum: é que uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, comprovou que, quando uma criança vive em uma casa próxima a espaços verdes, as chances de desenvolvimento do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) são menores.

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Caracterizado pela falta de atenção, inquietação e impulsividade, o TDAH é um dos diagnósticos psiquiátricos mais frequentes entre os pequenos e pode perdurar por toda a vida. As informações são da Agência Einstein.

“Nossos achados mostram que crianças expostas a ambientes com menos vegetação até os cinco anos de idade possuem maior risco de receber um diagnóstico para TDAH em comparação com crianças que cresceram cercadas por áreas verdes”, explica Malene Thygesen, uma das autoras do estudo, publicado na revista científica Environmental Health Perspectives. As constatações foram obtidas cruzando os dados residenciais de cerca de 814 mil indivíduos nascidos no país entre 1992 e 2007 com os diagnósticos de TDAH em crianças a partir dos cinco anos, no período de 1997 a 2016.

Os dados habitacionais incluíam o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, na sigla em inglês), que classifica os arredores de cada residência entre uma vegetação esparsa, como aquela encontrada nas grandes cidades, e uma vegetação mais densa, como florestas, áreas rurais e parques urbanos. Os pesquisadores descobriram que uma correlação consistente: para cada diminuição de 0,1 ponto no NDVI, o risco de desenvolvimento de TDAH aumentava em 3%.

Explicações

“Os mecanismos básicos dos benefícios dos espaços verdes sobre a saúde mental ainda não são inteiramente compreendidos, mas diferentes caminhos foram sugeridos”, afirma o estudo. Uma das explicações está na teoria da restauração de atenção, hipótese que sustenta que sintomas como dificuldade de concentração e estresse podem ser reduzidos a partir do contato com a natureza.

Mas há também outros fatores que se relacionam com a presença de espaços verdes nos arredores de onde se vive: ali costumam ser menores os níveis de poluição sonora e atmosférica, tanto por conta da menor circulação de veículos motorizados quanto pelo processo de fotossíntese realizado pelas plantas. Segundo os cientistas, o excesso de estímulos causados pela poluição pode aumentar a irritação e o estresse nas crianças.

Além disso, ambientes verdes promovem a realização de atividades físicas ao ar livre, estimulando as relações de amizade entre as crianças. “Espaços verdes podem agir como um facilitador que promove um cenário propício para o contato social e brincadeiras ao ar livre na vizinhança”, explicam os autores.

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