Pequenos momentos de prazer os responsáveis por garantir a manutenção da nossa “flexibilidade” emocional em meio às crises
Pequenos momentos de prazer os responsáveis por garantir a manutenção da nossa “flexibilidade” emocional em meio às crises| Foto: Alfonso Cerezo/Pixabay

Na imagem mais emblemática, resiliência é representada por uma árvore que se curva completamente diante de uma tempestade, mas que volta à sua posição inicial assim que os fortes ventos param. “Seria a capacidade de passar por situações difíceis com uma estrutura mínima e recursos mínimos para superar as adversidades sem maiores danos”, define a psicóloga Ester Falaschi, do Conselho de Psicologia do Paraná (CRP).  

Pelo que afirma, o conceito foi “importado” dos estudos da engenharia dos materiais e adaptado pelas Ciências Humanas para classificar o nosso poder de resistência e suportabilidade emocional. “Ter resiliência significa manter uma boa saúde não só física, mas mental”, aponta Ester. Ação que, segundo ela, tem que ser consistente e proativa. “O ideal é já termos as reservas cheias [de resiliência] antes de os problemas aparecerem”, diz.

E como fazer isso? “Cuidando de nós mesmos”, garante a psicóloga. Como alternativa, Ester indica uma estratégia com duas etapas: autoconhecimento e trabalho. “Autoconhecimento para saber quem somos de fato, quais as nossas fraquezas e o que nos abala, e trabalho para vencer esses fatores limitantes”, justifica, ao lembrar que “não existe uma receita pronta, são caminhos possíveis”.

Levando em conta a onda de incertezas trazida pela pandemia do novo coronavírus, a psicóloga também recomenda um passo a passo de ações positivas. “Em uma situação como essa, o melhor a fazer [para adquirir resiliência] é, primeiro, reconhecer que os limites existem e a maneira como eles nos afetam. Depois, tomar as medidas necessárias para se proteger e proteger os outros. E, por último, lidar com o hoje e extrair ao máximo o que de bom a realidade pode nos oferecer agora: aproveitar para descansar, desacelerar, cuidar da casa, distrair a mente com livros, filmes e séries, estudar, curtir a vida em família, enfim”, orienta.

Para ela, serão esses pequenos momentos de prazer os responsáveis por garantir a manutenção da nossa “flexibilidade” emocional em meio às crises.

Novo olhar

Nesta lista de características, contamos há alguns dias que a resiliência é um dos fatores condicionantes para que uma pessoa seja realmente feliz. E, talvez, surja a seguinte questão: Por que parece que tem gente que já nasce mais resiliente do que os outros? “É porque realmente existem traços psicológicos que vêm da carga genética”, responde o médico e treinador comportamental, Jean Rafael.

Ele sustenta, no entanto, que essa é mais uma daquelas habilidades que a gente é capaz de adquirir com o passar dos anos. “Não dá simplesmente para eliminar os fatores estressantes, mas dá para aprender a gerenciá-los. Você consegue mudar o olhar sobre os problemas e sobre a forma de encontrar soluções”, ressalta.

Para o especialista, quem trabalha a resiliência tem mais equilíbrio mental nas tomadas de decisão e nos relacionamentos. “São pessoas que lidam melhor com os outros e com elas mesmas”, destaca. São, também, indivíduos menos propensos ao que Rafael chama de “escapes psicológicos” para os momentos de estresse, como o cigarro e a bebida.

O palestrante defende, ainda, que eliminar os pensamentos negativos, ser otimista, solidário, exercitar a gratidão e conectar-se com os outros são degraus para alcançar essa virtude.

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