É importante lembrar que o outro não sabe mais sobre nós do que nós mesmos| Foto: Andrea Tummons/Unsplash
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Se você é do tipo que costuma se abrir facilmente e não toma decisão nenhuma sem antes consultar os outros, já deve ter recebido algum conselho “furado”, que teve efeito totalmente inverso ao que foi prometido, acertei? Pois é, especialistas ouvidos pelo Sempre Família garantem que a máxima do “conselho, se fosse bom, não se dava” continua valendo e abrem caminhos de como se livrar das opiniões equivocadas, sem magoar seu confidente.

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Para a psicóloga e professora da PUC do Paraná, Ana Suy Sesarino Kuss, é preciso, primeiro, pensar no que nos leva a pedir conselhos aos outros. “Quando a gente está em dúvida, quer tomar uma decisão pensando apenas no que pode ganhar. Só que, na verdade, estamos decidindo, também, o que vamos perder. E isso ninguém leva em conta. Aí [nessa busca pela escolha perfeita], a gente acaba apelando aos outros por puro medo de errar”, avalia.

Ana também considera como agravante uma seleção pouco criteriosa dos ouvintes. “O ideal, nesses casos, é escolher bem com quem a gente quer compartilhar as coisas. Eleger pessoas em quem a gente realmente confie, que digam coisas legais e, principalmente, que proporcionem conversas construtivas”, orienta.

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Sugestões do tipo “Olha, se eu fosse você...” não funcionam, segundo a especialista. “Primeiro que essa já é uma leitura errada da situação: se fosse eu, mas não é. Depois, que a gente não pode achar que o outro sabe mais sobre nós do que nós mesmos. Tem um espaço aí que nem a empatia consegue alcançar”, ressalta.

A professora lembra, ainda, que todos têm a própria “ voz da consciência”, o superego definido por Freud (um mecanismo no aparelho psíquico responsável pela imposição das sanções, normas e padrões na nossa cabeça). “Se a gente for ficar oferecendo para os outros essa função, a vida fica insuportável”, alerta.

Autoconhecimento

Já a psicóloga Michelle Servelhere, do Centro de Oncologia do Paraná, diz que o ideal seria não precisar de conselhos. “Autoconhecimento deveria ser a primeira opção”, defende. Segundo ela, quem fica muito apegado a conselhos se torna dependente do outro e mais vulnerável às opiniões alheias. “Buscar respostas em nós mesmos é o que nos fortalece”, aponta.

Michelle reitera, no entanto, que desabafar com alguém em um momento de angústia não faz mal a ninguém (pelo contrário, faz até bem) – o que não dá é para virar refém. “A ideia é que não precise ficar se certificando com o outro. Que cada um busque o seu caminho”, declara.

A psicóloga sustenta, ainda, que nós podemos ouvir a opinião dos outros, mas devemos “bancar” as próprias decisões. “Cada um tem uma história e uma visão de mundo. Não é porque deu certo para o outro que vai dar certo para você”, justifica.

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Sem ofensas  

Agora, se o problema está em como se desvencilhar daquela pessoa que insiste em palpitar sobre a sua vida, a dica é abrir o jogo. “Se você se abriu para essa pessoa é porque existe uma relação mais profunda, um grau de intimidade. Então, imagino que também exista liberdade para falar do que gosta e do que não gosta. Seja verdadeiro e fale sem florear muito”, receita Michelle. Para ela, é obrigatório deixar claro qual conselho não fez sentido, ou em qual área da sua vida não quer mais que a pessoa opine, sem fechar as portas para novas conversas.

E no caso dos outros irem até você pedir conselhos, ela sugere uma postura mais flexível. “Você pode até opinar sobre a situação e dizer o que pensa, mas deixe claro que essa é a sua visão sobre os fatos. Pode dizer: 'Veja se isso faz sentido para você. Para mim, funcionou dessa forma'”, recomenda.