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Educação dos filhos

Como preparar as crianças para a chegada do filho adotivo

Assim como acontece durante a gestação, é preciso incentivar nas crianças a expectativa da espera pelo filho adotivo

A chegada de mais um filho é sempre muito esperada por toda a família. Para os filhos mais velhos, particularmente, esse processo é cheio de expectativas e incertezas, afinal, é uma novidade que transformará para sempre aquela casa. Por isso, neste momento, a atenção dos pais na preparação das crianças se torna essencial. E para as famílias que vivem a realidade da adoção, esse processo pode exigir um cuidado ainda maior.

Quais os procedimentos para a adoção de crianças no Brasil?

A psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria lembra que quando o novo irmãozinho está sendo gerado no ventre da mãe, a criança tem todo o tempo da gestação para assimilar a ideia de que alguém vai chegar para ficar. Normalmente, durante aqueles nove meses, a criança é envolvida em toda uma atmosfera de espera. Ela vê a barriga crescer, passa a mão, conversa, vê os pais comprando as roupinhas, o quarto sendo preparado e, muitas vezes, ajuda até mesmo a escolher o nome.  Tudo isso colabora para que a chegada do novo irmão seja mais natural e espontânea.

Mas no caso de um irmão adotivo, esse tempo é vivido de forma diferente. Nessa situação, cabe aos pais a responsabilidade de colaborar para que as crianças também vivam essa experiência da espera, sendo incentivadas a compreender que tem um irmão que vai chegar, que ele pode não estar sendo gerado na barriga da mãe, mas que ele virá para se tornar parte daquela família, igualmente. “Quanto mais a criança puder participar desse processo, seja na decisão de adotar, seja de saber como tudo está acontecendo ou seja da expectativa da espera, melhor essa adaptação acontecerá”, afirma a psicóloga.

Um tempo de transformação para todos

Toda família possui um sistema particular de funcionamento, com sua própria rotina, costumes, gostos, etc. Com a chegada ou a ausência de um membro, tudo se modifica. Então, tanto para os pais quanto para os filhos mais velhos, a chegada de um filho adotivo é sentida também como uma transformação da família e, segundo Daniella, todos os sentimentos que vão aparecer nesse processo precisam ser acolhidos.

“Normalmente, com a chegada de um irmão, as crianças acabam entrando na insegurança do amor, não sabendo se continuam sendo amadas como antes”, explica Daniella. Quando esse sentimento de insegurança aparece, é comum que também surjam situações de comparação, em que a criança começa a querer as mesmas coisas que o irmão tem, entre elas a atenção que, de certa forma, foi “perdida”. Nessa hora, é importante que os pais não encarem isso como um processo de ciúmes, mas sim como uma insegurança que todos nós também estamos sujeitos a sentir em algum momento da vida. Frases de afirmação, gestos e momentos simples – e não presentes – que demonstrem o quanto os pais amam e continuarão amando incondicionalmente os filhos, podem contribuir para que eles se sintam mais seguros nesse processo de adaptação.

Naturalidade para adaptar

Para Daniella, é a naturalidade com que os pais irão conduzir tudo isso que garantirá o sucesso da adaptação para os dois lados. Quando isso não acontece, existe o risco de as crianças criarem a seguinte percepção: “Bom, do mesmo jeito que ele pode chegar, ele poderia ir embora”. Os pais não podem permitir que as coisas cheguem a esse ponto. Por isso, é fundamental tratar esse momento gerando a expectativa nos filhos de que um irmão vai chegar e que ele também foi gerado do amor da família.

Um dos maiores equívocos que pode acontecer, segundo a psicóloga, é de os pais se aterem não ao processo real vivido com a criança, seja com o filho mais velho ou com o filho que está chegando, mas à ideia de achar que essa criança sofreu e que, por isso, ela não pode mais enfrentar nenhum tipo de sofrimento. “Essa é uma grande armadilha para os pais, porque nesse processo perdem a capacidade de educar com medo da dor”, diz a psicóloga. “A dor faz parte da nossa condição de estar vivo aqui, e quanto mais a gente puder criar espaço de acolhimento, onde todo desconforto e toda dor podem ser cuidados, mais troca, respeito, consideração e mais relação entre pais e filhos existe”.

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