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Educação dos filhos

Como os pais podem detectar sinais de abuso sexual em seus filhos

Aprenda a identificar sinais que caracterizam o abuso sexual infantil, um crime mais frequente do que muitos imaginam

Larissa Christensen, Nadine McKillop e Susan Rayment-McHugh*, The Conversation

Eventos recentes, como a nova crise de abuso sexual na Igreja Católica e o documentário divulgando alegações sobre o abuso cometido por Michael Jackson contra dois meninos, puseram em destaque o tema do abuso sexual infantil. Muitos pais podem estar preocupados com a segurança de seus filhos e talvez se perguntem se estão deixando passar algum sinal de que a criança esteja sofrendo assédio ou abuso sexual.

O abuso sexual infantil é um problema global. Estima-se que 18% das meninas e quase 8% dos meninos sofram com isso. Mas essas taxas não mostram a imagem completa, pois refletem apenas os casos que foram relatados. A maioria dos casos de abuso sexual infantil é perpetrada por alguém conhecido da criança ou aparentado a ela.

Uma comissão real – espécie de comissão de inquérito com poderes judiciais comum nos países da Commonwealth – sobre abuso sexual de menores que se desenrolou na Austrália de 2013 a 2017 mostrou que as vítimas podem levar até 26 anos para se abrir sobre o abuso que sofreram. Então, se a criança não está contando sobre sua experiência, o que um pai pode fazer? Aqui estão alguns sinais a serem observados para proteger seu filho, assim como dicas do que fazer se você suspeitar que ele esteja sofrendo abuso ou esteja em risco de ser abusado.

Incentive a conversa aberta

A melhor arma que qualquer responsável tem para proteger seu filho é se envolver de forma proativa na comunicação aberta sobre segurança pessoal com seu filho desde cedo. Ajudar uma criança a construir seu conhecimento de segurança pessoal é uma forma de prevenção primária do abuso sexual infantil.

Isso pode incluir ensinar a seus filhos os nomes corretos para suas partes íntimas, criando uma linguagem compartilhada em torno de sinais de aviso e regras básicas sobre segurança pessoal. Ter essas conversas abertas desde o início aumentará o conhecimento da criança e poderá incentivar a criança a ser mais aberta sobre experiências desconfortáveis que possa ter.

Por que as crianças podem não contar

Existem muitas razões pelas quais as crianças podem não relatar o abuso imediatamente, que incluem sentimentos de culpa, constrangimento, vergonha, impotência ou medo do agressor.

Algumas crianças podem simplesmente não saber como falar sobre o abuso. A probabilidade de manter o segredo pode ser ainda maior quando o transgressor for um membro da família ou conhecido da família. Aqui, a criança pode se sentir em conflito, pois deseja que o abuso pare, mas está preocupada com o bem-estar do agressor após a denúncia, e pode ainda temer as consequências da revelação, como separação ou perturbações no núcleo familiar.

O grooming é outro fator que pode impedir a criança de se abrir. Nesses casos, o abusador manipula a criança usando pressão psicológica, recompensas concretas (como brinquedos e dinheiro) e atenção.

Uma vez que o abuso ocorre, o silêncio da criança pode ser mantido pelo agressor, insinuando que ninguém acreditará nela, usando ameaças e suscitando sentimentos de culpa (“você arruinará a família se contar a alguém”) e distorcendo a realidade do abuso (como sugerir que isso faz parte de um “jogo”).

Pesquisas sugerem que as crianças são mais propensas a contar sobre casos de abuso sexual se acharem que têm pelo menos um adulto de confiança a quem podem recorrer, que as ouvirão e acreditarão nelas.

As vítimas do sexo masculino são menos propensas a se abrir do que as vítimas do sexo feminino. Pode ser que isso acontece pelo estereótipo de que pedir ajuda é algo não masculino ou pelo medo de ser visto como homossexual, se o abusador for do sexo masculino. Pode acontecer também que a criança ou adolescente se sinta desconfortável sobre a experiência devido às respostas fisiológicas visíveis que pode ter – como uma ereção.

A gravidade do abuso também está ligada à probabilidade de a criança falar sobre o tema. Pesquisas descobriram que quanto mais grave o abuso, maior a probabilidade de a criança divulgá-lo. Os pesquisadores sugeriram que, nesses casos, o medo da criança de ser abusada novamente pode anular quaisquer consequências negativas associadas à divulgação do abuso.

Quais são os sinais de alerta de abuso sexual?

Pode ser que a criança não consiga se abrir sobre o abuso que sofreu, mas é comum que ela manifeste possíveis indicadores. Isso pode incluir um ou mais dos seguintes itens:

  • mudanças significativas no comportamento (como fazer cocô na calça ou xixi na cama, ou ter um declínio no desempenho escolar);
  • comportamento sexual ou conhecimento sobre sexo que está além da idade da criança;
  • medos súbitos ou medo de estar com uma pessoa específica;
  • mudanças inexplicáveis no estado emocional;
  • tornar-se extraordinariamente reservada;
  • dor na área genital ou anal.

Esteja alerta, mas não seja alarmista – esses são indicadores possíveis, não sinais indiscutíveis. Só porque uma criança mais velha molha a cama não significa que ela seja (ou tenha sido) vítima de abuso sexual.

As crianças demonstram uma grande variedade de comportamentos enquanto crescem, mas a mensagem a ser levada para casa é estar alerta para mudanças nas emoções e comportamentos que parecem fora do comum em seu filho.

O que eu faço ao suspeitar que meu filho está sendo abusado sexualmente?

Se você está preocupado com uma criança, pode fazer perguntas como: “Há alguma coisa que te preocupa?”, “Você está bem?” e “Há alguma coisa que você gostaria que eu fizesse para te apoiar?”.

A revelação de abuso sexual de uma criança pode ser intencional ou não intencional, completa ou incompleta, verbal ou não verbal. A criança pode tirar uma foto ou usar brinquedos para encenar a situação. É importante ressaltar que a maneira como você reage à criança pode afetar sua recuperação desse trauma.

Se uma criança revelar a você que está sendo abusada sexualmente, dê a ela atenção total. Acreditar nela é crucial para o seu bem-estar psicológico. Permita que a criança use suas próprias palavras e leve o tempo que precisar. Faça com que a criança tenha certeza de que fez a coisa certa ao lhe contar.

Evite encher a criança de perguntas, pois isso pode aumentar desnecessariamente a pressão e interferir nos procedimentos legais (que podem ser considerados como direcionadores da revelação da criança). O importante nesse estágio é ser um ouvinte encorajador e garantir que a criança esteja segura.

Você pode denunciar o incidente a uma delegacia especializa em proteção da criança ou ao conselho tutelar de sua cidade. Esses organismos contam com profissionais especificamente treinados em obter os relatos das crianças. Além disso, mesmo que a criança não revele o abuso, você pode relatar suas preocupações e suspeitas.

*As autoras são professoras de Criminologia e Justiça e coordenadoras da Unidade de Prevenção e Pesquisa sobre Violência Sexual na University of Sunshine Coast, na Austrália.

Tradução de Janaína Imthurm.

©2019 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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