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Virtudes e Valores

Como dar suporte a um familiar em seus últimos dias de vida

Muitas pessoas enfrentam o diagnóstico com desespero, mas a família precisa, mesmo diante dos conflitos internos, aprender a lidar com essa realidade e acompanhar o familiar doente até os últimos dias

Receber o diagnóstico de uma doença terminal de um familiar é algo assustador e mexe com a estrutura da família. De repente você compartilhou boa parte da vida com aquela pessoa e se depara com essa notícia dolorosa. Essa é uma fase que jamais será fácil de ser atravessada. Mas, mesmo diante de toda a angústia, é na família que o doente irá procurar apoio e cuidado, seja emocional, físico ou espiritual.

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Na correria do dia a dia do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, o psicólogo Eric Aquino Corrêa atende pacientes com câncer que estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, infelizmente, vivem suas últimas semanas de vida. O especialista em cuidados paliativos lembra que não é todo paciente oncológico que vai morrer, portanto seja na casa ou no hospital, o cuidado dos que o amam é imprescindível para uma melhor qualidade de vida nesses últimos momentos. “A companhia é algo essencial. Fazer uma refeição juntos, escutar uma história ou até mesmo relembrar de momentos vividos e compartilhados em família, são ações que podem acalmar e preparar esse paciente”, explica. Para Aquino, estar junto da família faz diferença no tratamento.

Muitas pessoas enfrentam o diagnóstico com desespero, mas a família precisa, mesmo diante dos conflitos internos, aprender a lidar com essa realidade e acompanhar o familiar doente até os últimos dias. Alguns pacientes escolhem viver esse período em sua própria casa.  “Notamos que há uma presença mais afetiva nos últimos momentos juntos”, diz. “As famílias buscam ficar mais próximas do familiar, o que é fundamental. Muitas vezes é bem difícil, mas esse cuidar de perto é muito importante para todos”, observou.

O alento espiritual

Além de um psicólogo, muitas famílias procuram amparo em uma figura religiosa. Para Aquino isso é necessário apenas se a religião fizer, de fato, parte da vida da história de vida da pessoa que está doente. “A espiritualidade também é fundamental. Alguém que tenha essa sensibilidade para conversar sobre tudo isso é muito importante. A família pode procurar esse conforto em um líder espiritual”, sugere o psicólogo.

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O padre Eduardo Toledo destaca que nesse momento a família e também o paciente se apoiam em alguém que lhes ofereça uma palavra de consolo, e isso ajuda bastante. “É o que mais esperam de nós nesse momento. O importante é estar ao lado da pessoa e ser o mais natural possível”. Dizer a verdade sempre em um momento delicado como esse é essencial, segundo o padre. Além disso, quando estiverem juntos, chorar ou reforçar que aquela pessoa fará falta, não é recomendado por ele. “Esse comportamento deixa o doente em um sofrimento ainda maior. Por isso, opte por dizer que ela é importante e continuará sendo sempre”.

Amar é um poderoso remédio

Cercar essa pessoa de carinho e amor é um consenso entre o psicólogo e padre. E se não puderem ser transmitidos por meio de palavras, esses sentimentos devem aparecer no toque, no olhar, na expressão corporal dos familiares. “Acariciar, mostrar fotos, contar histórias, ouvir música juntos, são algumas das minhas sugestões”, destaca o padre, reforçando que nada pode ser obrigado, mas vir do coração. “É algo delicado e que pode ser construído naquele momento de dor. Talvez não seja uma prática comum à família demonstrar o afeto desta maneira e mesmo o doente pode se sentir desconfortável em um primeiro momento. Entretanto, diante de uma situação como essa, o amor jamais será negado”.

 Como superar a perda

A perda de alguém querido, especialmente um pai ou mãe, ou um filho, gera um sentimento que pode ser complicado de superar. “É algo que pertence a todos. Quando falo da morte de alguém estou falando também da minha própria finitude”, sinaliza Aquino. De acordo com ele, todo um movimento de cuidados paliativos vem sendo discutido e trabalhado, mas em muitos casos, o tema morte só aparece quando de fato o fim está bastante próximo. “Talvez se a gente tivesse essa conversa antes do diagnóstico irreversível, se fosse algo mais comum em nossa sociedade, a gente enfrentasse isso tudo de uma forma mais tranquila”, acentuou.

Para o especialista o enfrentamento de uma doença é algo que precisa ser amadurecido por meio do diálogo entre a família e esse assunto delicado ainda tem de ser desmistificado. “Muitos romantizam a morte e tentam suavizar essa fase, que pode ser enfrentada de maneira natural. Às vezes as pessoas morrem e não conseguimos nos despedir da forma como gostaríamos, conclui o especialista.

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