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Virtudes e Valores

Como combater o “vício” em tecnologia: abstinência ou resiliência?

Não é o tempo dedicado à tecnologia que define se se trata ou não de um vício, mas o contexto do seu uso.

Um artigo publicado recentemente no jornal britânico The Guardian chamou a atenção: nele, Belinda Parmar, uma entusiasta defensora da tecnologia e fundadora do blog Lady Geek, revelou que resolveu reconsiderar a sua relação e a de seus filhos com a tecnologia e que agora opta por um enfoque mais cauteloso.

Belinda tornou-se uma referência quando o assunto é a indústria de tecnologia e as mulheres. O seu blog abriu um debate sobre o machismo no mundo tecnológico e ela se tornou assessora de empresas do ramo sobre o tema. “A tecnologia permite uma sociedade mais igualitária e diversa”, defende. “Essa pequena bolha que a maioria de nós vivíamos foi estourada e isso é maravilhoso”.

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No entanto, conforme relata, ela foi percebendo que nem tudo que a tecnologia proporciona é positivo. Belinda se deu conta de que sua relação com a tecnologia servia muitas vezes para alimentar seu ego e ainda por cima lhe roubava o tempo que deveria ser dedicado a outras coisas importantes em sua vida. Em relação aos filhos, preocupou-se com o vício em videogames. “A tecnologia pode tirar o controle dos pais. Não consigo competir com esses níveis de dopamina”, diz.

Porém, para o psicólogo Mark Griffiths, diretor da Unidade Internacional de Investigação de Videogames, é preciso ter cuidado ao falar de vício em tecnologia. Não é o tempo dedicado a ela que define se se trata ou não de um vício, mas o contexto do seu uso. “Para que alguém seja genuinamente dependente de tecnologia, esta precisa ser a coisa mais importante de sua vida – até o ponto em que descuide de todo o resto – e são poucas as pessoas que cumprem esse requisito”, diz. Por isso, os pais precisam ter cuidado e não tratar como patológicos comportamentos que não o são.

Resiliência digital

Já o psiquiatra Richard Graham, que dirige o Sistema de Dependência Tecnológica do Nightingale Hospital de Londres, explica que o uso desmesurado da tecnologia pelos jovens pode ter origem em uma crise de identidade. “Para esses jovens, os videogames e a tecnologia não são apenas uma diversão: são negócios. É uma forma de ter sucesso e adquirir capital digital, que pode ser convertido em autoestima”, diz.

Para aprender a lidar com a tecnologia, não serve a abstinência, mas o que Graham chama de “resiliência digital”, uma postura que pode ser alcançada com a ajuda de quatro pistas oferecidas pelo psiquiatra: a unidade da família em tomar consciência de que é necessário ter moderação no uso da tecnologia; o planejamento de atividades externas, como ir ao cinema; a variação da “dieta” digital – plataformas, aplicativos e jogos diferentes –, que nos dá a sensação de liberdade diante de cada uma delas; e manter um estilo de vida saudável, no que se refere ao sono, à nutrição, à hidratação e à prática de exercícios físicos.

Com informações de Aceprensa.

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