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Debate presidencial desta terça fará candidatos falarem de aborto

  • Por Jônatas Dias Lima
  • 15/09/2014 21:19
Foto: divulgação/candidatos
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Doze dias após a divulgação de mais uma pesquisa Ibope mostrando que a maioria absoluta dos brasileiros rechaça a legalização do aborto, ocorre nesta terça-feira um evento bastante aguardado por quem acha que o presidente do país não deve apoiar o assassinato de bebês no ventre materno. Trata-se do debate presidencial promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e transmitido pela TV Aparecida.

Na entrevista coletiva em preparação ao evento, realizada nesta segunda-feira, o presidente da CNBB e cardeal arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno, foi claro ao dizer que a defesa da vida desde a concepção até a morte natural será um dos temas do encontro, ao lado de outros, como o tema da família e dos direitos humanos. É uma oportunidade e tanto para enorme parcela de eleitores que têm muito apreço por esse temas na hora de decidir quem merece seu voto.

Possivelmente, para os leitores deste blog, a posição dos principais candidatos não será nenhuma novidade, mas não deixa de causar expectativa a chance de vê-los falar abertamente sobre o assunto, ao vivo – e usando mais do que frases evasivas, espero.

O leitor do Blog do Vida sabe, por exemplo, de todo o histórico de intensa defesa da legalização do aborto promovida pelo PT e por Dilma Roussef, há anos. Às vezes de forma explícita, como nos documentos publicados no site do próprio partido, ou nas entrevistas de Dilma quando esta ainda era ministra, e menos preocupada em falar o que pensava. Outras vezes, de modo sorrateiro, via impressão de cartilhas que ensinam o cidadão a usar medicamento abortivo de venda proibida no país.

Quem acompanha o blog também deve lembrar que Aloysio Nunes (PSDB), o vice de Aécio Neves, foi o único senador a apresentar destaque pedindo a facilitação do aborto no texto do novo código penal. A versão final do texto, apresentada pelo senador Pedro Taques (PDT), em dezembro de 2013, já havia retirado do projeto as bizarrices propostas por uma comissão de juristas, entre as quais a legalização do aborto. Nunes achou ruim, e pediu para que o aborto livre voltasse ao texto. Felizmente, foi voto vencido. O próprio Aécio, no entanto, já afirmou que considera adequada a atual legislação sobre o tema e parece evitar alongar-se ao falar do assunto.

Marina Silva afirmou em várias ocasiões sua rejeição à prática, o que teria sido causa, inclusive, de conflito quando foi candidata pelo Partido Verde (PV), em 2010. O partido é institucionalmente comprometido com a promoção do aborto legalizado. Também é conhecida a proximidade de Marina de nomes influentes do meio pró-vida, como o ex-deputado Luiz Bassuma, autor do Estatuto do Nascituro, e Lenise Garcia, presidente da ONG Brasil Sem Aborto.

O que parece deixar parte do movimento pró-vida ainda receoso é o partido no qual Marina está. Pessoas acostumadas aos bastidores da política sabem que o PSB é como muitos outros partidos brasileiros, uma miscelânea de posições ideológicas, que se aglomeram mais em volta de pessoas do que de ideais. Mesmo assim, a simples presença do nome “socialista” na sigla do partido causa calafrios em quem julga a realidade apenas a partir do que lê na internet.

Enfim, os três candidatos têm fragilidades nesse tema, embora, evidentemente, uns mais, outros menos. Vamos torcer para que as perguntas certas sejam feitas.

O debate presidencial na TV Aparecida ocorre nesta terça-feira (16), das 21h30 às 23h30. Além da transmissão pelo canal de tevê, diversos sites devem retransmitir o evento.

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