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Defesa da Vida

Aborto espontâneo: por que é preciso deixar a mãe viver a dor da perda?

Perder um filho é uma dor insuportável e a reconstrução da mãe só é possível quando ela tem liberdade de expressar esse sentimento

Se perguntássemos para um grupo de pessoas como seria um mundo ideal para elas, provavelmente a resposta seria quase unânime: um mundo sem sofrimento. Isso porque estamos o tempo todo fugindo daquilo que pode nos causar dor – desde uma injeção até o medo da possibilidade de perder alguém que amamos. Mas, e quando não podemos evitar essa dor, como em um aborto espontâneo? Como superar, entender e aceitar?

Muitas mulheres que passam pela dolorosa experiência de perder um bebê por aborto espontâneo precisam lidar com o fato de que as pessoas querem a todo momento tentar confortá-las dizendo que “isso logo vai passar”, “que está tudo bem” e etc. Sem dúvida, é um momento muito difícil e delicado no qual os pais precisam do apoio de familiares e amigos próximos. Porém, segundo a psicóloga Gleice Justo, quando alguém nega a dor, ela não vive seu processo, que fica guardado e corrompe os relacionamentos, os sonhos, e até o desejo pela vida.

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Por isso, é preciso se permitir sentir a dor de cada fase do processo de luto. Isso não significa que a dor um dia irá acabar, mas fará com que a mãe não paralise diante desta situação. “A perda de um filho é uma dor insuportável e a reconstrução só se torna possível quando ela tem a liberdade de expressar sua dor e de renascer a partir da experiência vivida”, afirma a psicóloga. “Ela nunca mais será a mesma, claro, mas pode se tornar alguém melhor e mais forte”, explica.

A dona de casa e influenciadora digital Andreia Camargos, de 39 anos, passou pela perda de três bebês. Hoje, com seis filhos – segundo ela, três no céu e três na terra – Andreia lembra que receber a notícia de que o bebê não está se desenvolvendo e que não há mais batimentos cardíacos traz um sentimento de tristeza e luto, somados ao de impotência, pois não há nada que se possa fazer. “É como se o chão sumisse”, define Andreia. “E mais dolorido ainda é quando a mãe precisa se submeter a uma curetagem ou a um procedimento de parto quando o bebê já está maiorzinho, pois ela entra para a sala de parto, mas sai de mãos vazias. É muito sofrido”, reflete.

O amor não morre

Parte da dor de perder um filho está na equivocada compreensão de que aquele amor também morreu. A psicóloga Adriana Potexki explica que não é preciso “matar” o amor que se sente por esse filho, pelo contrário, o amor permanece e ele deve ser eterno. É preciso “tirar” da dor tudo o que ela pode nos oferecer. “Até porque, a morte sempre nos coloca de frente com o sentido da vida, então é um momento de profundo conhecimento”, diz Adriana.

Ter que se desfazer de tudo o que envolve a gestação, incluindo peças do enxoval, pode ser doloroso, mas necessário. A sugestão da Adriana é que a mãe tenha a permissão de guardar uma ou duas peças, não como um apego ao luto e a dor, mas como uma linda foto que se guarda com carinho. “E você pode, depois que tiver outros filhos, mostrar para eles: ‘Olha isso aqui é do seu irmãozinho que não chegou a nascer’”, sugere a psicóloga.

Medo x Esperança

Para aquelas mães que sofreram um aborto espontâneo, pode ser comum ter um sentimento de medo em relação a uma futura gestação. Mas, ao compreender o sentido do sofrimento, é possível olhar para a frente com esperança e fé, tendo a capacidade inclusive de ser grato mesmo nessas circunstâncias, lembra Gleice.

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Andreia, que já passou três vezes por essa perda, deixa um relato às mães que estão passando por essa dor ou medo agora:

“Esse medo, em maior ou menor proporção sempre vem ao nosso coração, pois ninguém gosta de sofrer e uma nova gestação pode sim trazer nova perda. Porém, é preciso a maturidade de saber que cada gestação é diferente da outra e que precisamos acreditar sempre na vida. Também entender que a vida é assim, cheia de imprevistos, turbulências e adversidades, e que Deus não deve nada para a gente. Filho é dom e não um direito, como muitos pensam. No tempo certo e da melhor forma, os filhos vão chegar. Nós experimentamos isso. Na nossa primeira perda, em dezembro de 2010, após passar pela curetagem, a médica nos disse que deveríamos esperar 3 meses para engravidar de novo. Então, ainda no hospital disse ao Tiba, meu esposo: ‘Se é preciso esperar três meses, daqui a um ano estaremos aqui novamente tendo nosso bebê’. E assim se fez. Em dezembro de 2011 saímos da mesma maternidade com nosso filho Bento nos braços. Cada gestação é única e cheia de emoções, algumas emoções difíceis de serem vividas, outras indescritíveis e maravilhosas como ver nascer seu primeiro filho, mas só passa por essa segunda quem se dispõe a enfrentar os medos e acreditar na vida e na bondade de Deus”.

 

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