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Virtudes e Valores

Por que as obras de caridade da Igreja Católica não seriam as mesmas sem este padre

Foi a partir de Vicente que teve início a primeira associação de mulheres consagradas dedicada ao trabalho nas áreas de saúde, educação e assistência social.

A Igreja Católica pode sofrer muitas críticas, mas é reconhecida em todo o mundo pelo seu trabalho social e caritativo. Em todo o planeta, entidades católicas são responsáveis por escolas, hospitais, abrigos e várias outras instituições que fazem a diferença onde quer que estejam presentes. Mas o que você talvez não saiba é que um dos maiores responsáveis por isso foi um padre francês que viveu há 400 anos: São Vicente de Paulo.

Basta lembrar que foi a partir de Vicente que teve início a primeira associação de mulheres consagradas dedicada ao trabalho nas áreas de saúde, educação e assistência social. Antes dele, a vida consagrada feminina estava restrita na Igreja aos claustros, em ordens monásticas como as beneditinas, as clarissas e as carmelitas.

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Neste ano de 2017, as 225 associações surgidas a partir da inspiração na figura de São Vicente comemoram os 400 anos do carisma vicentino, isto é, dos momentos da vida de Vicente que deram origem ao seu estilo próprio de serviço na Igreja e na sociedade.

 

História

Vicente foi ordenado padre em 1600. Em 1612, ele passou a ser capelão dos Gondi, uma família da nobreza francesa, atendendo não apenas a própria família, mas também as milhares de pessoas que viviam em suas propriedades. Ao atender em confissão um senhor ligado à família Gondi que estava angustiado, Vicente teve um lampejo.

“Ele constata, junto com a Madame de Gondi, que se aquela pessoa, que era considerada uma pessoa de bem, estava naquela situação existencial, quanto mais o pobre povo do campo”, explica a irmã Raquel de Fátima Colet, de 33 anos, membro da companhia das filhas da caridade há 15 anos.

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Vicente faz então uma pregação em Folleville, convocando a comunidade à reconciliação com Deus, através da confissão. Esse sermão, de 25 de janeiro de 1617, fruto daquele insight, é considerado um dos marcos fundacionais do carisma vicentino.

Em agosto, ele se torna pároco em Châtillon-sur-Chalaronne. Lá, é informado de que uma família inteira está doente e convida a comunidade a se fazer generosa com as suas necessidades. “Ele constata então que a ajuda generosa da comunidade é uma expressão de caridade verdadeira, mas que é preciso organizá-la”, conta irmã Raquel. É o outro marco fundacional do carisma.

 

Fundações

Vicente então funda as Damas da Caridade, um grupo de mulheres que se dedicam a atender sistematicamente os doentes – atualmente, são a Associação Internacional de Caridades (AIC). O padre lhes ensina a cuidar dos doentes, faz uma escala de serviço e, em 1625, coloca Luísa Marillac, uma viúva, à frente das damas. No mesmo ano, funda a Congregação da Missão, conhecidos hoje como padres vicentinos ou lazaristas.

“Com o tempo, porém, Vicente observa que as damas dedicadas ao atendimento aos doentes já não realizam esse serviço com tanto esmero. Os maridos implicavam com elas pelo tempo fora de casa e elas passaram a enviar as suas empregadas para fazer esse trabalho, que o fazem como uma tarefa, sem sentido de solidariedade”, conta Raquel. “Isso preocupa Vicente e Luísa”.

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Mas é nesse momento que aparece um grupo de oito jovens, camponesas, que dizem a Luísa que seu único desejo é viver para atender os pobres e doentes. A viúva as instrui a cuidar das crianças abandonadas, dos prisioneiros nas galés, dos feridos de guerra. Começa ainda a ensinar-lhes a ler, e elas ensinam as meninas do campo – naquela época, a escola era só para os meninos. Foi o início, em 1633, das filhas da caridade, a primeira associação de consagradas dedicadas ao serviço apostólico e caritativo.

 

Hoje

Hoje a atuação da família vicentina – os padres da Congregação da Missão, as filhas da caridade e os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo e de dezenas de outras associações surgidas da inspiração no carisma do padre francês – se estende por uma ampla gama de trabalhos pastorais e sociais, sempre com o intuito de responder às diversas formas de miséria que se apresentam em cada época da história.

As escolas, casas de acolhida e hospitais continuam sendo um campo imenso de trabalho, mas a família vicentina está presente também em outras searas – das rodovias brasileiras à sede da Organização das Nações Unidas. Aqui no Brasil, os padres vicentinos deram início há quarenta anos à Pastoral Rodoviária: três padres circulam pelas rodovias brasileiras, em caminhões-capelas, atendendo os caminhoneiros e motoristas de ônibus que cruzam o território nacional.

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Já as irmãs Catherine Prendergast e Margaret O’Dwyer trabalham na sede da ONU, em Nova York. Lá, são porta-vozes das pessoas em situação de vulnerabilidade atendida pelas obras da família vicentina e atuam pela formulação de políticas de inclusão social, justiça econômica e cuidado com o meio ambiente.

Hoje a família vicentina está espalhada por todo o mundo, com mais de 3 mil membros da Congregação da Missão, 15 mil filhas da caridade, 250 mil membros da AIC e 800 mil membros da Sociedade de São Vicente de Paulo, entre outras associações. Seja na pastoral carcerária, em movimentos sociais, com refugiados, em paróquias, em casas de acolhida para pessoas em situação de rua, no movimento ecumênico ou em qualquer outro lugar onde a dignidade humana precise ser resgatada, aquela centelha que teve início há 400 anos continua atuando.

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Agradecemos à irmã Geovani de Fátima Domingues e ao padre Odair Miguel Gonsalves dos Santos, além de à irmã Raquel, que também conversaram com a reportagem sobre o carisma vicentino.

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