Os voluntários são aposentados e, por isso, a produção da padaria parou com a pandemia. Mas ele acharam jeito de continuar ajudando
Os voluntários são aposentados e, por isso, a produção da padaria parou com a pandemia. Foto tirada antes de março de 2020| Foto: Divulgação/Igreja Adventista do Sétimo Dia do Bairro Progresso

Durante 20 anos, toda quarta-feira era igual para um grupo de voluntários da Igreja Adventista do Sétimo Dia do Bairro Progresso, em Belo Horizonte (MG). Eles se reuniam para produzir pães, que eram vendidos para arrecadar dinheiro e comprar alimentos não perecíveis. As cestas básicas eram doadas a famílias cadastradas e representavam uma ajuda significativa para quem não teria o que comer, não fosse pelo empenho do grupo.

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As receitas foram desenvolvidas pelos próprios voluntários, ao longo dos anos. Eram pães integrais, salgados e doces, de cebola, de mandioca, e rosca de coco. Nos últimos tempos o açúcar branco já não entrava mais na lista de ingredientes, só o mascavo, e as adaptações iam surgindo à medida que o dinheiro entrava e as ideias nasciam.

Só que os voluntários são, em sua maioria, aposentados que já passaram dos 60 anos. A pandemia e as medidas de segurança impostas pelo coronavírus provocaram, portanto, a paralisação das atividades. Mas, felizmente, não da solidariedade.

Pelo menos 30 famílias atendidas

Hortência Duarte, coordenadora do projeto, conta que mesmo sem a venda dos pães, o grupo tem conseguido ajudar quem precisa. “A gente continua mantendo as cestas básicas porque Deus tem mandado pessoas com doações”, diz ela.

São 30 a 40 famílias que, uma vez por mês, vão até a sede da igreja para receber as cestas básicas. Mesmo com o fechamento da cozinha, esse número tem se mantido e, em algumas ocasiões, é até maior. São todos cadastrados para que a igreja possa acompanhar as dificuldades dessas pessoas. Até porque, o trabalho também inclui a distribuição de roupas.

Em todos esses anos Hortência revela que voluntários nunca foram dispensados da padaria. “As pessoas envelhecem”, ela explica, e completa: “Às vezes chegam sem emprego e depois conseguem alguma coisa. Então sempre precisamos de ajuda”. Agora, com a cozinha fechada, não tem como saber quando as atividades retornarão, mas as doações não podem parar.

Hortência esclarece que o trabalho é muito sério. Começou com a iniciativa de uma médica, mas que o maior benefício não é para quem recebe as doações e sim para quem colabora com o projeto. “As pessoas que trabalham conosco, que estão com um problema, uma depressão, têm a vida transformada. A padaria se torna um elixir da vida”, ressalta a voluntária.

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