A admiração da menina pelo trabalho dos coletores apareceu quando a família se mudou de um apartamento para uma casa.
A admiração da menina pelo trabalho dos coletores apareceu quando a família se mudou de um apartamento para uma casa.| Foto: Arquivo pessoal/Karine da Silva Lima

Bastou descobrir que o relógio marcava 21 horas para que a pequena Lívia, de 3 anos, se preparasse para uma ação especial. “Ela pegou quatro saquinhos de bolachas que havia feito e ficou na varanda da casa aguardando os amigos lixeiros”, conta a mãe Karine da Silva Lima, citando as palavras que a filha usa para se referir aos coletores de lixo que passam pelo bairro Xaxim, em Curitiba. “Ela gosta muito deles”. 

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Essa admiração, segundo a mãe, começou no final de 2020, quando a família se mudou do apartamento em que morava, para uma casa. “Aí ela viu pela primeira vez o caminhão de lixo e se encantou, porque a equipe passa aqui na frente assobiando, correndo e rindo”, relata. “Um dos rapazes até a cumprimentou dizendo ‘oi neném’. Então, como a gente chama a Lívia de neném, ela ficou maravilhada por ele saber o ‘nome’ dela”. 

Desde esse dia, a garotinha espera ansiosa pelo caminhão de lixo e cumprimenta os amigos, pela janela. Só que os pais não imaginavam que a filha decidiria fazer uma surpresa para os coletores. De acordo com Karine, a menina estava brincando em casa há algumas semanas, quando simplesmente levantou a cabeça e perguntou se poderia fazer bolachinhas para os amigos lixeiros. “Ela lembrou deles sem que ninguém falasse nada sobre o assunto e, na hora, meus olhos encheram de lágrimas”.

O problema é que a família não tinha os ingredientes em casa naquele dia e, devido às restrições da pandemia, demorou até que todos os itens da receita estivessem à disposição. “Aí a Lívia perguntava direto se era dia de lixeiro e se a gente ia fazer cookies para eles”, lembra a mãe, que conseguiu produzir os quitutes no dia 18 de março com sua assistente especial. “Eu que coloquei as gotinhas de chocolate sozinha”, afirma a menina. 

Com as bolachas prontas, as curitibanas embalaram tudo em pacotinhos, o pai separou um litro de refrigerante para completar o lanche, e a família esperou a chegada dos coletores. “A Lívia ficou quase uma hora segurando os presentinhos até ouvir o caminhão virar a esquina”, recorda Karine, que abriu o portão e avisou os rapazes sobre as lembrancinhas. “É para vocês não ficarem cansados”, disse a pequena no momento da entrega.

Gratidão 

O motorista Tiago Rodrigo da Silva, de 34 anos, dirigia o caminhão no momento em que viu a criança e sua mãe se aproximando dos rapazes. “A garotinha estava segurando os pacotinhos e sorrindo”, contou o funcionário, que se emocionou com a atitude. “Normalmente as pessoas tampam o nariz e se afastam de nós por causa do cheiro forte do caminhão. Mas ela não se importou com isso”, disse o colaborador, agradecendo pelo gesto de carinho. “Inclusive, as bolachinhas estavam muito gostosas!”  

Após a rápida entrega, a menina ouviu um “tchau, neném” de um dos colaboradores, e ficou tão feliz que falou a semana inteira do que havia acontecido. Por isso, a mãe decidiu publicar a história em suas redes sociais na última segunda-feira (29), incentivando outras famílias a também realizarem gestos de carinho com as equipes que têm trabalhado intensivamente durante a pandemia.  

“A linha de frente não é composta só pelos médicos, porque se os caminhões de lixo pararem, por exemplo, teremos outros tipos de doenças e caos”, pontua Karine, que promete continuar realizando ações assim com sua família. “O mundo precisa de mais amor e empatia, principalmente neste momento. Então, vamos viver isso e sermos mais gentis”, convida.

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