| Foto: Reprodução/ Facebook Hannah Blackman
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Em meados de janeiro, uma professora de inglês de um colégio de Denver, no estado norte-americano do Colorado, entrou no banheiro das alunas e viu uns rabiscos na parede de uma das cabines. “A vida vale mesmo essa m***a toda?” O primeiro impulso da profissional foi querer apagar a inscrição, preocupada com quem mais pudesse vê-la. Mas em seguida ela teve uma ideia diferente.

“Pensei que se apagássemos aquilo, será que não estaríamos ignorando a questão expressa ali e consequentemente ignorando a pessoa que a levantou e a dor que ela está vivendo?”, contou ao Today a professora Ashley Ferraro, da Golden High School. O que ela fez então foi pedir a seus alunos que escrevessem post-its de apoio para afixar ao redor da pergunta rabiscada no banheiro.

“Foi de aquecer o coração ver quantos alunos aceitaram a proposta – e quantos deles não eram aqueles de quem esperaríamos isso”, confessou a professora. A parede foi coberta por centenas de notas de estudantes da escola toda, que chegaram até o corredor.

E a onda de apoio não parou por aí: uma aluna do segundo ano do Ensino Médio, Hannah Blackman, iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para a National Suicide Prevention and Crisis Organization, conseguindo mais de R$ 1,7 mil. “Já estive nessa situação também. Sei como é sentir isso. Os alunos aqui provaram que não importa quão difíceis as coisas possam ser, sempre há um outro lado”, disse a jovem de 16 anos.

A aluna que escreveu a mensagem na parede não se revelou, mas a diretora-assistente do colégio, Christina Gese, espera que ela tenha encontrado o apoio de que precisava. “Espero que quem quer que tenha escrito o recado veja tudo isso agora e se sinta melhor. Nosso objetivo principal é ajudar as pessoas a saírem dessa situação triste e dolorosa”, disse. Ela contou um episódio interessante: em dado momento, uma aluna estava próxima ao mural e alguns funcionários por perto a convidaram a escrever algo. A menina respondeu: “Hoje não, porque hoje sou eu que preciso do mural”.

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Papo aberto

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Os post-its ainda estão lá e são a cada dia mais numerosos. “Se continuarmos a agir em relação a isso, talvez chegaremos a um ponto em que mais pessoas se sintam confortáveis para falar sobre o assunto, não apenas em nossa comunidade, mas também em outras”, espera a aluna Solidea Ficco, de 15 anos.

 “Às vezes achamos que temos que proteger os jovens de qualquer afirmação que remeta a pensamentos suicidas, mas a realidade é que eles falarão sobre esse assunto de qualquer maneira”, aponta Christina. O mural foi uma possibilidade de abrir uma conversa sobre saúde mental e apoio mútuo entre os alunos.

O colégio participa de um programa local chamado Sources of Strength (“fontes de força”), que prevê que os alunos tenham a possibilidade de conversar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio sem a presença de adultos na sala. Para a coordenador de prevenção ao suicídio do distrito local, Michelle Gonzales, projetos assim ajudam os alunos a se manter “fortes e conectados”. “Estamos tentando normalizar a resiliência”, disse ela, “e esse mural simboliza a resiliência”.

Algumas notas escritas pelos adolescentes

  • Você é amada mais do que pensa. Permaneça firme. Você é linda e capaz de muitas coisas. Este mundo precisa de você nele.
  • Talvez a vida que outros esperam de você não [valha a pena], mas aquela que você deseja para si sim.
  • Se aprendi alguma coisa jogando videogame, é que se a vida está ficando difícil, você está indo na direção certa.
  • Você está lidando com merda porque a merda pode fazer crescer flores lindas.
  • Talvez não [valha a pena], mas você nunca vai saber se não estiver por aqui para ver.
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