Paciente do Hospital Universitário Cajuru recebe visita virtual da trupe de palhaços voluntários durante a pandemia.| Foto: Divulgação/Hospital Universitário Cajuru
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São 15 anos de um trabalho sem igual. Trezentos voluntários se dividem em atividades diversas no Hospital Universitário Cajuru, um dos maiores de Curitiba, que faz atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Boa parte dos pacientes internados acaba sendo atingida, de alguma forma, pela ação dessas pessoas que dedicam algumas horas em prol do próximo.

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“Nós iniciamos bem de pouquinho. Começamos com um ou dois voluntários e atendíamos poucas unidades”, revela Nilza Brenny, coordenadora da pastoral e do voluntariado dos hospitais Universitário Cajuru e Marcelino Champagnat. Hoje os voluntários estão na acolhida a quem chega, na escuta de pacientes e familiares, no acompanhamento solidário, na contação de histórias, no atendimento telefônico, com grupos de palhaços e até visitas de tutores com animais de estimação.

O acompanhamento solidário é umas das atividades de maior relevância. “O voluntário recebe a ligação da equipe da enfermagem para irem duas pessoas até uma unidade buscar um paciente que vai para o centro cirúrgico ou fazer um exame, de maca ou cadeira de rodas”, explica Nilza. Ela diz, ainda, que para fazer esse tipo de trabalho, eles passam por uma capacitação.

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Palavras de apoio

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“É uma sensação incrível”, conta o aposentado Pedro Paulo da Silva, voluntário há 14 anos no hospital. “Esse acompanhamento solidário nos propicia conversar com o paciente, levar uma palavra de amizade, de motivação”, completa ele. Com o apoio dessas pessoas o trabalho dos funcionários acaba sendo facilitado, conforme explica Nilza. “A gente ajuda muito o hospital porque as equipes assistenciais têm mais tempo para dar o medicamento, dar o banho, trocar o curativo”, esclarece.

As conversas nessas andanças pelo hospital servem de combustível aos pacientes. “Enquanto temos o atendimento de um voluntario, o paciente tem mais escuta, alegria, bate-papo e esquece do problema que está passando”, destaca Nilza. Por pelo menos alguns momentos a angústia e a tristeza vão embora.

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Ajuda recíproca

Só que esse trabalho, no fim das contas, também faz muito bem aos próprios voluntários, não apenas aos pacientes, familiares e funcionários. “Nós temos várias histórias de superação, de pessoas que transformaram a vida delas depois que começaram a vivenciar o dia a dia do hospital”, comenta Nilza. Pedro é um exemplo vivo disso. “Às vezes eu saio de casa meio tenso e quando chego no hospital vejo o sofrimento dos pacientes e dificuldades. Vejo que a minha dificuldade é mínima”, desabafa ele.

Kelly Katherine Lui Bettio, de 62 anos, é outra voluntária que está há mais de uma década no hospital. Ela cuidou do marido, com câncer, que foi paciente no Cajuru e percebeu como esse apoio era importante para quem está internado. “Ser voluntário é uma troca de ajuda, solidariedade, amor e carinho”, afirma.

Pandemia

Durante a pandemia de Covid-19 os trabalhos presenciais ficaram suspensos no hospital, mas nem por isso os voluntários pararam de ajudar. Com o auxílio da tecnologia, os pacientes continuaram a receber as palavras de incentivo e até presentes confeccionados pelos que, de longe, mandavam carinho e afeto.

A expectativa é que em fevereiro de 2022 as atividades sejam retomadas. Quem já está há tanto tempo sem poder voltar ao trabalho, está ansioso pelo retorno. “É um serviço apaixonante. Depois que você inicia, dificilmente consegue largar”, conclui Pedro.