Sempre Família - Porque cuidar é fundamental

Conecte-se ao Sempre Família

Siga-nos:
PUBLICIDADE
Crédito: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Crédito: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Vídeo

Vídeos com pacientes com câncer são sucesso na internet

O Sempre Família conversou com três participantes das gravações. Pessoas que encaravam a leucemia de frente e que hoje têm uma linda história de sobrevivência e de superação para contar

Em 2012 pacientes e médicos do setor de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba (PR), pediram ajuda para produzir um vídeo que ajudaria no cadastro de pessoas como doadores de medula. O jornal Gazeta do Povo contou essa história aqui.

Hoje, o vídeo Stronger (que ganhou esse nome por ter como trilha sonora a música de mesmo nome de Kelly Clarkson) já ultrapassou 868 mil acessos e sua repercussão chegou à imprensa, a atletas que defenderam a causa e aumentou em 150% os cadastros de medula óssea nos bancos de sangue da cidade.

Stronger

O Sempre Família conversou com três participantes do vídeo. Pessoas que encaravam a leucemia de frente naquele ano e que hoje têm uma linda história de sobrevivência e de superação para contar. Confira:

Passaria por tudo outra vez

Noah e sua mãe, Camila de Brito. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Noah e sua mãe, Camila de Brito. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

“O Noah foi internado aos 10 meses de idade e ficou um ano no hospital. O tratamento era muito intenso e, além de muita medicação, ele precisou fazer o transplante. A medula veio da Alemanha. Ao fazer o transplante ele ficou bem mal, não teve resultado e enquanto nos preparávamos para o segundo transplante a medula pegou e ele começou a melhorar.

Ele precisou reaprender a andar, a falar, a comer e até a brincar. Depois disso o corpo dele passou a rejeitar a medula – algo que acontece em muitos casos – e ele teve problemas de pele. Foi uma época muito difícil porque víamos as pessoas irem embora do hospital e a gente permanecia.

Estava perto do Natal quando a doença começou a melhorar e ele pôde passar conosco em casa. Hoje ele tem 4 anos e 3 de transplante. Nós comemoramos o renascimento dele todos os anos.

O Noah não teve nenhum atraso motor ou psicológico e tem um entendimento diferente das coisas, sabe a moral das histórias e é extremamente amoroso. Entendemos que isso vem do ano que passamos com ele no hospital, da nossa dedicação. Sinto que ele retribui o que recebeu.

Ao ver o vídeo ele fica feliz, abre um sorriso de rever as pessoas. Sobre doar, sempre acompanhei meu pai e minha irmã fazendo isso. Mas eu não tinha entendimento sobre o quanto é importante e a diferença que pode fazer na vida de outros.

Hoje vivemos um dia de cada vez. Passamos um tempo difícil, mas eu escolheria passar por tudo de novo. Foi um tempo de muito aprendizado. Aprendi a ser mais leve e mais agradecida. Quando reclamamos, lembro-me de tudo o que aconteceu e imediatamente me alegro por estarmos bem.”

Camila de Brito, 24 anos, assistente jurídico, mãe de Noah, hoje com 4 anos.

 

Uma otimista inveterada

Kauanny, Angelita e Noah. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Kauanny, Angelita e Noah. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

“Foram seis meses de tratamento, e a primeira internação foi a mais marcante para mim. Fiquei 40 dias sem ver minha filha, na época com apenas cinco anos. Ao chegar ao hospital ouvi o choro de uma criança e perguntei quem estava internado e chorando ali. Soube que era um bebê chamado Noah, que tinha apenas 10 meses.

Ele chorou a noite inteira, e isso mudou minha forma de enxergar a doença. Nunca mais me permiti ser vítima, pois imaginava a dor da mãe, que precisava negar o seio, deixá-lo em jejum para procedimentos médicos. Como eu poderia reclamar se eu podia dizer que estava com dor, onde doía, se estava com fome, compartilhar meus sentimentos? Mas o bebê, não. Foi o primeiro dia e foi primordial para eu não me sentir derrotada. Não precisei do transplante e saí do hospital me sentindo curada, tinha certeza de que a quimioterapia seria suficiente.

Eu não queria fazer o vídeo, pois estava num momento bem difícil, tinha febre todos os dias. Mas sabia da importância de chamar a pessoas a se cadastrar. O vídeo fez com que muitos se aproximassem para ouvir de mim uma palavra de ânimo, ouvir que câncer não é sinônimo de morte. Para mim é sinônimo de vida, uma vida diferente, mais leve, mais otimista.

O futuro eu não planejo mais, vivo um dia de cada vez, com tolerância e resiliência. Acredito que aquilo que não me mata me fortalece. Sou Stronger na veia, uma otimista inveterada.”

Angelita Pereira, empresária, 38 anos.

 

Ela é um milagre de Deus

Kauanny e a mãe, Maria Lucia. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.
Kauanny e a mãe, Maria Lucia. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

“A Kauanny fez dois transplantes. Ela tinha apenas 12 anos. O primeiro não deu certo, e ela ficou muito mal. Nossa única chance era a minha medula, que tinha apenas 50% de compatibilidade, algo improvável de dar certo. Mas ela estava muito debilitada e não havia mais tempo de esperar por um novo doador compatível.

Foi um milagre de Deus. Ela passou 50 dias no hospital e por várias complicações menores, tudo contornado. Fizemos uma campanha linda e conseguimos mais de 600 cadastros num único dia. Saíamos pela rua convidando as pessoas e levávamos no nosso carro mesmo para fazer o cadastro.

Chegamos a mais de 1500 cadastros com a campanha e soubemos que três pessoas já foram chamadas para doar por ter compatibilidade. Nosso trabalho continua, queremos fazer mais uma campanha em nosso município.

Antes de acontecer algo assim com alguém próximo nós não temos noção do quanto podemos ajudar quem precisa. Doar é super simples, todo mundo deveria se cadastrar. É tão difícil achar alguém compatível. Fomos obrigadas a fazer um procedimento de altíssimo risco justamente por não ter alguém compatível para doar a ela. Hoje a Kauanny leva uma vida normal, é tão forte, compreende melhor as coisas. Temos um propósito em casa e ninguém pode ficar triste.”

Maria Lucia Falavinha Sutil, diretora financeira, mãe de Kauanny Falavinha Sutil, 14 anos.

 

Depois do sucesso de Stronger, pacientes gravaram mais dois vídeos

Depois do sucesso de Stronger – que foi produzido por Felipe Torres e Vicente Filizola, com fotos de Ellen Emy – o Hospital Nossa Senhora das Graças produziu outros vídeos. Já no ano seguinte foi gravado o vídeo Viver Vale a Pena, com 99.136 acessos, que motivou as pessoas a superarem as diversas adversidades da vida, por meio de depoimentos de pacientes e outras pessoas a respeito dos obstáculos que já superaram.

Em 2014 foi a vez do Vem Doar, com 19.175 acessos, para estimular a doação de sangue, na época do lançamento do vídeo houve um aumento grande de doadores no banco de sangue do HNSG.

“Neste ano, o HNSG tem buscado por meio de ações estimular as pessoas a fazerem o bem pelo próximo. Foi realizada a ação dos super-heróis, em que, durante a pintura da fachada, o Graças propôs aos pintores que se vestissem de super-heróis para surpreender os pacientes. A ação, além de estimular as pessoas a fazerem o bem ao próximo, traz mensagens de doação de medula óssea e de sangue”, conta a coordenadora de Comunicação e Marketing do Hospital, Melise Bochnia.

“Além de motivarem massas para uma boa causa (aumentando o número de doadores e motivando as pessoas), os vídeos alegram muito os pacientes e colaboradores. Transforma as vidas de quem participa, e surge uma família do bem. Recebemos por dois anos consecutivos um prêmio do Grupo Positivo, um deles com ajuda financeira, que foi revertida em sofás mais confortáveis aos acompanhantes do setor de Oncologia”, finaliza Melise.

Assista aos três vídeos aqui:

Stonger

Viver Vale a Pena

Vem Doar

Leia também