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Bernardo Pires Küster

Vida sem Censura

“Análises e notícias sobre a vida. Sem censura e sem receio.”

Pio XII e Hitler: a Igreja Católica e a Política

Os comunistas, orientados por Stálin, inventaram a tal história de o Papa Pio XII ser “o Papa de Hitler” em 3 de junho de 1945 através de uma transmissão radiofônica da Rádio Moscou. Esta primeira tramóia, felizmente, não deu certo justamente porque um dia antes a Radio do Vaticano havia veiculado um discurso do Santo […]

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Os comunistas, orientados por Stálin, inventaram a tal história de o Papa Pio XII ser “o Papa de Hitler” em 3 de junho de 1945 através de uma transmissão radiofônica da Rádio Moscou. Esta primeira tramóia, felizmente, não deu certo justamente porque um dia antes a Radio do Vaticano havia veiculado um discurso do Santo Padre (Eugenio Pacelli) no qual ele falava do “ESPECTRO SATÂNICO DO NAZISMO”, citando, inclusive, seu antecessor, Pio XI, que tinha definido o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (os nazistas) como uma “arrogante apostasia diante de Jesus Cristo, a negação de Sua doutrina e de Sua obra de redenção, o culto à violência, a idolatria da raça e do sangue, a destruição da liberdade e dignidade humana”. Pio XII ainda em seu discurso na rádio mencionou com tristeza o assassinato de cerca de DOIS MIL PADRES mortos em Dachau, na Alemanha.

(Estive pessoalmente em Dachau no inverno de 2002 e posso dizer que nunca mais fui o mesmo. Chorei copiosamente e lamentei o homem que mata a si mesmo.)

A estratégia de Stálin deu completamente errado. Seu fracasso em destruir a imagem de Pio XII serviu de ótima plataforma de lançamento para as ações de seu sucessor Nikkita Khrushchev, que aprendeu de uma vez por todas que acusações secas e diretas, sem fundo poético-artístico, são incapazes de fixar corretamente uma narrativa na imaginação dos homens. Daí então surgiu a idéia, em fevereiro 1963, de criar uma peça de teatro intitulada ‘O Vigário, uma tragédia cristã’, dirigida por Erwin Piscator e escrita por Roth Hochhuth, de 31 anos, cujo objetivo era recriar uma narrativa na qual Pio XII teria falhado em agir, ou manifestar-se contra, o holocausto promovido por Adolf Hitler.

Este foi apenas o começo. Suplementos históricos forjados pela KGB alimentaram a ideia da omissão do então Papa. Diários falsos foram “vazados” ao público e, por fim, publicou-se, em 1999, o famoso livro “O Papa de Hitler: a história secreta de Pio XII”, de John Cornwell. Sua tese central era a de que o Papa tinham sido o maior responsável pela ascensão hitleriana. (Estas mentiras foram derrubadas, principalmente, em dois livros: ‘Hitler, a Guerra e o Papa’, de Ronald Rychlak, e o célebre ‘Pio XII, o Papa dos judeus’, de Andrea Tornielli.)

NOTA: os arquivos pós-guerra mostraram que Pio XII, ao invés de ser um antissemita simpatizante do nazismo, na verdade ajudou a salvar mais de 800.000 judeus durante o Holocausto. Abrigou judeus na residência papal de verão, o Castel Gandolfo, na qual o seu próprio quarto pessoal foi usado como maternidade – mais de 40 bebês judeus nasceram lá.

O fato ainda mais estrondoso, segundo as observações do general Ion Mihai Pacepa [1], prova o quanto Pio XII abominava o nazismo e não tinha receio de tomar medidas ousadas – eu diria, muito politicamente incorretas –, ainda que corroboradas pelo Catecismo (2263 à 2267; 2308 à 2310). Assim relatam Pacepa e Richlak em seu livro:

“Em 1945, Fabian von Schlabrendorff, integrante protestante da resistência alemã, escreveu um memorando ao general americano William (Will Bill) Donavan, no qual relatava que Müller ‘tinha ordens DA IGREJA CATÓLICA para negociar com representantes da Igreja Protestante, de modo a harmonizar suas medidas na luta contra Hitler’. Pio XII veio a se ligar ao trabalho do célebre líder protestante da resistência, Dietrich Bonhoeffer, que por fim tomou parte de uma conspiração PARA ASSASSINAR HITLER. O amigo de Bonhoffer e colega seu de resistência Eberhard Bethge escreveu-lhe dizendo que tivera uma audiência com o Papa. Em uma reunião de cartas, Bethge escreve que essa referência oblíqua se relacionava a reuniões com os assistentes mais próximos do Papa Pio XII, Monsenhor Robert Leiber e Monsenhor Johannes Schönhöffer, ‘que tomou parte na conspiração’.”

Perceba o leitor que assistentes diretos de Pio XII “tomaram parte na conspiração” para matar Hitler. Claro! Hoje, para nós, pode parecer um espanto, mas levemos em conta as condições que o Catecismo da Igreja coloca para uma guerra justa por meio de armas (2309):

1. que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo;
2. que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes;
3. que estejam reunidas condições sérias de êxito;
4. que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição.

Matar Hitler cumpria, à época, perfeitamente todas as quatro condições. Pacelli e Bonhoeffer infelizmente não tiveram sucesso. O pastor alemão da resistência, muito admirado também por Bento XVI, morreu enforcado pelo Reich alguns meses antes da Segunda Grande Guerrada acabar.

Longe, portanto, de advogar que a Igreja não pode interferir e opinar de maneira alguma em assuntos políticos, afirmo que é seu direito, e às vezes seu dever, fazê-lo, segundo compreendo, sempre em conformidade com a Tradição, o Magistério e as Escrituras: o tripé da revelação. É um erro gravíssimo, por outro lado, permitir que agentes políticos, cujos intentos ferem frontalmente o tripé da revelação, se infiltrem na Igreja para usa-la como instrumento de poder – isto se aplica a quaisquer matizes políticas.

O exemplo de Pacelli, cuja honra foi abjetamente enlameada pelos comunistas, fixou para sempre na História com é possível lidar diretamente com a política sem comprometer a integridade, unidade e santidade da Igreja. Ele ajudou a demolir Hitler e seu Império, salvou e converteu milhares de judeus, manteve a Igreja longe do nazi-fascismo e morreu como homem. Seu exemplo, à sua maneira, foi seguido por João Paulo II em relação ao Comunismo, cujas ações culminaram na Queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. As alegações de que Pio XII agiu na surdina não refletem os fatos. Sua voz era dura, estridente e sua vida ecoou as firmes palavras do Senhor:

“Bem-aventurados os PACIFICADORES, porque eles serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os que SOFREM PERSEGUIÇÃO por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados SOIS VÓS quando vos injuriarem, e perseguirem, e, MENTINDO, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

[1] ‘Desinformação‘. Campinas: Vide, 2015, p.453, nota 13.

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