Volta dos sintomas

USP investiga possível caso de reinfecção pelo novo coronavírus

    • Equipe Sempre Família e Estadão Conteúdo
    • 06/08/2020 19:30
    Técnica em enfermagem voltou a ter sintomas e teste positivo para Covid-19 após ter se recuperado da doença.
    Técnica em enfermagem voltou a ter sintomas e teste positivo para Covid-19 após ter se recuperado da doença.| Foto: BigStock

    Cientistas estão investigando a possibilidade de reinfecção pelo novo coronavírus após uma paciente de Ribeirão Preto ter testado positivo para Covid-19 depois de se recuperar da doença.

    Uma técnica em enfermagem de 24 anos voltou a apresentar sintomas da Covid-19 pouco mais de um mês após ter testado positivo em um exame RT-PCR, que identificou o Sars-Cov-2 no seu organismo em 13 de maio e, depois, em 27 de junho. A informação foi confirmada pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, por meio de estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da USP, que afirma que "a reinfecção e o adoecimento em mais de uma ocasião são eventos possíveis".

    Apesar de concluir que o caso "favorece a hipótese de reinfecção", o estudo aponta que é preciso aprofundar ainda mais as pesquisas. "Essa constatação traz implicações clínicas e epidemiológicas que precisam ser analisadas com cuidado pelas autoridades em saúde." O estudo foi divulgado pela assessoria do Hospital das Clínicas na quarta-feira (5).

    Sintomas recorrentes

    A paciente começou a apresentar os primeiros sintomas da doença em 6 de maio, dois dias após ter entrado em contato com um colega de trabalho que testou positivo para a Covid-19. Mesmo usando máscara cirúrgica, ela contraiu o coronavírus e sentiu dores de cabeça, mal estar, febre, fraqueza muscular, leve dor de garganta e congestão nasal.

    Cronologia da recorrência de Covid-19

    Cronologia dos eventos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais relativos à recorrência de Covid-19 na paciente. Imagem: Reprodução / USP
    Cronologia dos eventos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais relativos à recorrência de Covid-19 na paciente. Imagem: Reprodução / USP| Reprodução / USP

    Os sintomas foram concluídos em dez dias e a paciente passou os 38 dias seguintes assintomática, trabalhando normalmente. Em 27 de junho, ela acordou com forte dor de cabeça, dor muscular, mal-estar, febre, dor de garganta, perda de olfato e de paladar e, na sequência, seu quadro clínico piorou, apresentando diarreia e tosse. Nesse período, dois de seus familiares também foram diagnosticados com o coronavírus.

    Já no quinto dia em que os sintomas voltaram a aparecer, a paciente foi novamente diagnosticada com o Sars-Cov-2 por meio de um novo exame RT-PCR, que coleta amostras da garganta (orofaringe) e do nariz (nasofaringe) com uma haste flexível.

    O estudo divulgado pelo HC aponta ainda que os sintomas agudos voltaram a desaparecer no 12º dia dessa "segunda infecção", mas a dor de cabeça e a perda parcial do olfato persistiram até a data de divulgação da pesquisa. Ele também afirma que, mesmo 33 dias após a reincidência dos sintomas, a paciente ainda testa positivo para a Covid-19.

    "O presente caso apresenta forte evidência não somente de reinfecção por Sars-CoV-2, como de recidiva clínica da Covid-19" afirma a pesquisa. Ainda de acordo com o estudo, existe a possibilidade de que "um ou mais dos exames virológicos e sorológicos tenham apresentado resultado falso positivo", mas ela é remota devido ao volume de evidências laboratoriais, clínicas e epidemiológicas, dizem os autores.

    Fernando Bellissimo Rodrigues, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, disse que se trata de um caso muito raro e que tudo indica que a paciente não desenvolveu anticorpos suficientes quando testou positivo em maio. Rodrigues falou ao Jornal da USP sobre a possibilidade de resquícios do vírus terem permanecido no corpo da paciente. "Nesse caso, se fosse resquício do vírus, pelo que vem sendo relatado de outros casos no mundo, ela não teria novos sintomas, como a anosmia [olfato prejudicado], por exemplo, muito específico dessa doença e que ela não teve no primeiro teste", explicou.

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