Consumo em excesso de alimentos como salgadinhos, bolachas e refrigerantes está associado ao surgimento de várias doenças.| Foto: Bigstock
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) identificou que os ultraprocessados representam 28% da alimentação do dia a dia dos adolescentes brasileiros. A pesquisa, publicada no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, acompanhou quase 72 mil alunos de escolas públicas e particulares de 124 cidades brasileiras. As informações são da Agência Einstein.

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Caracterizados por boa dose de aditivos como corantes, conservantes e flavorizantes, os ultraprocessados aparecem no cotidiano dos adolescentes como bolachas, salgadinhos, refrigerantes, sucos de caixinha, chocolates, balas, entre muitos outros. Sabe-se que o consumo desses alimentos está relacionado a obesidade e risco metabólico, problemas cardiovasculares, diabetes e até alguns tumores.

“Esse excesso parece estar atrelado a vários fatores, como o padrão alimentar da família e a exposição a telas”, conta Larissa Loures Mendes, professora da UFMG e uma das líderes do estudo. “Isso quer dizer que, para mudar esse cenário, precisamos fazer intervenções multicomportamentais no estilo de vida como um todo”.

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Nos Estados Unidos, esse número é ainda maior: os ultraprocessados são a base da alimentação de crianças e adolescentes, respondendo por dois terços da sua ingestão –dados revelados num estudo que acompanhou quase 34 mil pessoas por quase 20 anos, entre 1999 e 2018.

Hábitos diferentes

“Essa tendência é clara pela praticidade e pelo status dos ultraprocessados, pois eles são fáceis de comprar e de consumir", comenta Serena del Favero, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein. "Os jovens têm certa vergonha, por exemplo, de levar marmitas fora de casa e acabam preferindo comprar salgadinhos na cantina da escola. Mas sabemos que durante a pandemia ficaram mais em casa, cozinharam mais, tiveram mais acesso a alimentos saudáveis”.

Segundo as especialistas, a maior parte de nossa dieta deveria se basear nos alimentos in natura, ou seja, aqueles de origem vegetal ou animal praticamente sem alteração, como frutas, verduras, ovos, carnes e tubérculos. Os chamados processados, que recebem basicamente sal, açúcar, óleo ou vinagre, como as conservas, laticínios e pães, deveriam vir em segundo lugar. Já os ultraprocessados vão bem para o fim da fila.

"Na verdade, deveríamos consumir o mínimo possível de ultraprocessados, ou quase nada”, diz Serena. “Mas ninguém precisa riscar esses alimentos 100% do cardápio. O importante é manter uma rotina de hábitos saudáveis. Se eles forem exceção, não há problema em consumir de vez em quando”.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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